Capítulo 8
Edward não se surpreendeu ao encontrar uma carranca esperando-o
na sala de jantar.
Há dois dias Bella tratava-o como um pária, e tinha motivos para
isso. Edward ordenara que se preparasse para acompanhá-lo em um evento promovido
pelos Volturi, mesmo com a recusa da garota.
O mal fadado dia havia chegado. E, talvez por esse motivo, Bella
estava ainda mais fechada e azeda do que de costume.
Edward suspirou enquanto sentava-se no lugar de sempre, sem se
dar ao trabalho de ordenar a Swan para sentar na cadeira mais próxima a ele. Estava
deveras exausto com toda aquela atitude irritadiça, assim como Bella
provavelmente estava cansada da vida que levava ao lado dele. O rapaz queria um
pouco mais de tranqüilidade, mas não sabia como estabelecer tal coisa, uma vez
que não conseguia mudar a sua postura fria e, por vazes, agressiva. Já estava
tão enraizado em seu interior ser alguém que mantinha as pessoas afastadas!
-Alexandrina contratou os serviços de uma profissional para
deixá-la impecável hoje. Ela chegará por volta das duas da tarde e fará cabelo,
maquiagem... Coisas de mulher. Fica ao seu critério escolher o que deseja.
-Desejo não ir a esse evento! –Esbravejou, olhando para o Cullen
com raiva. A explosão da menina, no entanto, não afetou o Cullen como era
esperado.
-Você vai. –Disse Edward com uma expressão impassível no rosto.
A obstinação da Swan em se livrar daquela obrigação o cansava. Em
contrapartida, vendo que Edward não mudaria de ideia, Isabella foi se
desesperando.
-Por que está fazendo isso comigo? Sabe que eu odeio Aro
Volturi! Por que você...
-Eu também o odeio, se isso serve de consolo. Por mim eu não
iria a lugar algum em que ele estivesse. –Retorquiu Edward com azedume,
ganhando assim a atenção de Bella.
-Então por que ir? –Bella não entendia aquela estranha criatura.
Edward parecia, ao confessar tais coisas, ser um tipo masoquista que gostava de
fazer o que odiava.
-Eu tenho obrigações para com ele, assim como você tem
obrigações comigo. Devo ir, mas quero uma companhia.
-E por que a minha? Deve haver companhias melhores por ai. Além
disso, você vai estar cercado de conhecidos. –Tentou argumentar a fim de
dissuadi-lo. O olhar que o Cullen lançou a menina conseguiu, de algum modo,
calá-la. Não era hostil ou indiferente, marcas características de Edward, e sim
quase... Gentil.
-Não consigo pensar em uma companhia melhor do que a sua. –Bella
não conseguiu pensar em nada após aquelas palavras. E Edward não demorou a
assumir a postura irônica de sempre. –Você me odeia e demonstra isso. Ao menos
é sincera se comparado às pessoas com quem eu ei de me encontrar.
Antes que mais uma palavra fosse trocada entre os dois, o
celular do Cullen toca e ele prontamente retirou-se da mesa para atender a
ligação.
-Cullen falando.
-E ai boiola? Saindo para o trabalho? –Emmett, do outro lado da
linha, rugiu.
-Emmett ligando a essa hora da manhã? Por um acaso está do outro
lado do mundo? –Ironizou o Cullen, lembrando-se que o primo trocava o dia pela
noite, acordando às duas da tarde quase todos os dias.
-Eu já disse que virei um homem de bem, porra! Estou trabalhando
com o meu sogro.
-Então está na casa dos pais da Rose... E está trabalhando...
Quem é você e o que fez ao meu primo? –Brincou Edward, reprimindo uma
gargalhada.
-Sai fora! Eu disse que faria tudo pela minha branquinha e o meu
campeão e estou cumprindo!
-Então já sabe o sexo. É mesmo um menino?
-Sim! Você precisa ver a ultrassonografia cara! O moleque é
mesmo o meu filho, tem um membro maior que as duas perninhas! Meu orgulho cara!
–E Edward riu a valer. Era difícil manter a seriedade com um tipo como Emmett
em sua vida.
-Não vá se meter em confusão. Procure se dedicar a esse trabalho
e, assim, dar orgulho a sua mulher e filho. –Aconselhou.
-É, to sabendo! Preciso desligar. O patrão já está me olhando
torto. Um beijo na sua boquinha carnuda gato! –Brincou Emmett. –Ah, e como está
a garota que você comprou? Dando muito prazer como só uma puta vietnamita sabe
fazer? –Perguntou maldoso ao Cullen. Edward suspirou.
-Ela está bem e eu tenho mais o que fazer. –Desligou, voltando a
sala de jantar.
Bella o olhava com curiosidade, desejando saber o que causara a
gargalhada ouvida, instantes atrás. Ela sequer sabia que o rapaz tinha a
capacidade de fazer algo assim. E Edward estranhou a expressão no rosto da
Swan, não mais agressiva; ela parecia estudá-lo.
-Preciso ir trabalhar. Esteja pronta quando eu chegar, pois não
costumo demorar a me arrumar. –Muito embora tivesse total liberdade para fazer
o que quisesse com a menina, e muitas vezes se aproveitou deste fato, foi com
muita cautela e certa timidez que o rapaz se aproximou de Isabella. Com uma
mão, ergueu o rosto da pequena e depositou nos lábios róseos um cálido beijo.
Saiu do apartamento sem olhar para a Swan, encabulada, ou para
os empregados que acompanharam a cena, abismados.
...
Leia o restante do capítulo aqui.


