Olá pessoas! Um trecho do capítulo quatro completo da fanfic Sweet Slave. Para lê-lo completo, basta esperar um pouco mais. Confesso que estava meio travada para escrever sem motivo algum, mas três coisas me ajudaram a escrever: as músicas enviaram para o meu e-mail pela minha amiga Larauina da Bahia, o livro Educação siberiana do Nicolai Lilin e a fanfic Entre a Nobreza e o Crime da Jane Herman. Tenho ouvido muita coisa boa, mas uma música chamou minha atenção nos últimos dias e ela certamente fará parte da playlist dessa fanfic: Ryan Bingham - The Weary Kind (música tema do filme Coração Louco). Ela é linda e me lembra o Edward da minha fanfic.
Sei que muitas pessoas ficaram chocadas com o final do capítulo três, em que Edward estupra Bella. Não foi nada fácil escrever aquela situação, uma vez que abomino essa prática. Por isso procurei resumir bastante essa parte, sem entrar em muitos detalhes. Como Edward vai ganhar a confiança de Bella após o ocorrido?, é a pergunta que os meus leitores têm feito para mim. Bem... Eu tentarei reverter a animosidade que existe entre eles da mesma forma que fiz em O contrato então fiquem tranquilos.
Agora aproveitem e capítulo e peço que comentem. Os comentários são o meu combustível, embora eu ainda não tenha parado para falar diretamente com os meus leitores enquanto comento o review dele. Se der hoje eu posto o capítulo completo no nyah, dependerá do meu irmão se ele liberar a internet pra mim.
Capítulo
4
Angela não sabia como proceder. Em sua mente
ainda estavam vividas as cenas do encontro com Isabella, minutos atrás, após a
confusão envolvendo a pequena com o patrão na noite anterior.
Ao
passar pela porta do aposento, notou que a menina não se encontrava em parte
alguma do espaçoso lugar. A luz do banheiro, anexo ao quarto, porém, chamou sua
atenção. Pará lá Angela se dirigiu, vendo Isabella banhar-se, nada preocupada
em trancar a porta, o que garantiria mais privacidade. Ao notar a presença da
empregada a porta, Isabella mirou seus olhos castanhos escuros, estranhamente
opacos, enquanto continuava a esfregar seu corpo com uma esponja, ao ponto de
deixá-lo com marcas avermelhadas e ferimentos. Por um milésimo de segundo
nenhuma das duas falou. Olhando mais atentamente para a menina, Angela notou o
rosto de uma palidez preocupante e grandes olheiras envolvendo os pequenos
olhos. Bella não havia dormido, constatou, e muito provavelmente chorou até o cansaço
engoli-la. Por fim a Swan, movida por uma raiva irracional, se manifestou:
-Você
sabe o que aconteceu, não sabe? Se veio aqui para impedi-lo, apareceu tarde
demais. Vocês, que ficam encolhidos aceitando a tudo o que aquele monstro faz,
não são diferentes dele. –Falou num tom áspero, com a voz estranhamente
embargada. Angela reagiu às palavras duras como uma moça que recebe um tapa,
deixando o quarto rapidamente.
Teria seu patrão, Edward Masen Cullen,
estuprado a menina sob os olhares de seus empregados? Era uma possibilidade.
Fosse o que fosse Angela não queria refletir muito sobre o assunto que agora a
atormentava. No entanto, ela sabia que não poderia empurrar o ocorrido para o
lado e seguir com a sua vida tranquilamente. Ela precisava fazer algo perante
aquela injustiça, mesmo que não houvesse confirmação de nada. O problema
residia aí. O que fazer quando o mal já foi praticado? Seu ato “heróico”
compensaria um mal já presente, marcado?
-Você não vai chamar à senhorita Swan? O patrão
logo estará aqui e não estou querendo testemunhar nenhuma briga. –Erick parecia
alarmado, olhando para todos os lados como se temendo a possível aparição de
Edward. Angela queria explicar a situação, a ele e a Betha, mas não encontrou
sua voz. Talvez conseguisse desabafar com Benjamin, mas Ben tirara o dia para
visitar seus pais no outro lado da cidade.
-Pensei que houvesse ido ao quarto para
chamá-la. Por que não veio com ela? –Betha não olhava Angela diretamente nos
olhos, mas sem tom de voz indicava que a senhora desconfiava de algo.
Ponderando sobre contar ou não contar e sem um
lado definido ainda, Angela optou pela mentira, algo que não agradava a sua
pessoa.
-Ela está no banho. Não achei prudente
apressá-la. A senhorita Swan já passou por muito stress ontem, creio eu. Bem...
De qualquer forma eu verei como ela está. –Levantou-se da cadeira onde estava
sentada, saindo da cozinha e rumando para a ala dos aposentos. Seus passos
foram ficando lentos à medida que se aproximava do quarto de Isabella, ainda
ponderando se deveria voltar aquele lugar depois do que presenciara. Assustou-se
ao se deparar com Edward Cullen, saído de lugar nenhum. Ele ajeitava o
colarinho da camisa cinza, olhando fixamente para o chão. Notou a presença da
empregada tarde demais para os seus padrões.
-Bom dia senhor Cullen. Vim chamar a senhorita
Swan para acompanhá-lo no café da manhã como é o seu desejo. –Embora a fala
tenha sido pausada e tranqüila, por dentro Angela sentia-se apreensiva. Edward,
absorvo como estava nos últimos acontecimentos, não captou a estranheza do
comportamento da menina diante de si.
-Não se dê ao trabalho. –Ele disse sem olhar
para a empregada. –Deixe-a. Leve o café dela após a minha saída. –E caminhou a
passos rápidos.
O que ninguém sabia era que Edward não estava
ali em espírito. Os comprimidos para dormir conseguiram afastá-lo de pensar
sobre o que fizera, mas agora que estava desperto não havia como correr. Ele
era compelido a encarar o que fizera, o ato grotesco de estuprar uma menina
indefesa, roubando-lhe a virgindade da pior forma possível. Agora, após o erro
cometido, no que ele era diferente de Eleazar, que fizera o mesmo com Esme, sua
mãe?
-IDIOTA! NÃO ESTÁ VENDO A MERDA DO SINAL
VERMELHO? –Gritou o transeunte que passava pela faixa de pedestres no exato
momento em que Edward cruzava a rua imprudentemente. Por muito pouco o Masen
não o atropelou, freando em cima do rapaz. Mesmo após a abertura do sinal, ele
não ousou prosseguir com o carro antes de colocar a cabeça no lugar, temendo
que sua atitude desligada pudesse acarretar em um grave acidente de transito. Precisava
pensar, tomar decisões, amaldiçoar-se pelo ocorrido... Qualquer coisa! Não pôde
se concentrar com o barulho ensurdecedor das buzinas dos automóveis atrás do
seu carro, alertando-o que o sinal abrira.
Seguiu para o seu escritório no The Trump Building, estacionando seu Maybach
Exelero preto na vaga de sempre. Foi recebido pela sua secretária e, com Aro
ainda viajando e envolvido em outras ocupações, as preocupações acerca do roubo
do dinheiro das drogas quase podia ser ignorado. Contudo, quando boa parte de
suas incumbências estavam resolvidas, graças a eficiência sem igual de
Alexandrina, Edward não conseguiu evitar refletir sobre suas ações para com
Isabella. Em que ele havia se transformado? Logo ele, tão controlado! Como pôde
perder a cabeça e se sujeitar a condição de estuprador que ele tanto repudiava?
Por mais que quisesse esquecer, estavam vivas as lembranças do que fizera com
Isabella. E se ele não está bem com a situação, como estaria a menina de língua
afiada? Nada poderia justificar o que Edward fizera a Swan, nem mesmo os
problemas pelos quais passava ou as atitudes atrevidas da jovem.
“Como eu vou reparar o mal que eu fiz a ela?
Não suportarei ver nela o rosto que vi em minha mãe após retirá-la das garras
do Denali! Talvez eu devesse devolvê-la a Aro, não importando se conseguirei
reembolsar o dinheiro gasto...” –A idéia que surgira em sua cabeça desapareceu
tão logo formou-se, como éter no Sol. Não poderia entregar Isabella, sabendo
que Caius seria o primeiro da lista a se apossar da moça. O que Bella passara
com ele na noite anterior não se comparava ao que ela poderia passar caso o
irmão mais novo de Aro Volturi fosse o seu dono. Ainda sim, precisava encontrar
uma solução, um modo de reparar-se. O problema era que uma parte do antigo
Edward desejava isso, outra parte queria deixar as coisas como estavam e
esperar que o tempo fizesse o seu trabalho. O problema era que com Bella
poderia acontecer o mesmo que acontecera a sua pobre mãe, Esme.
-Onde
ela está Aro? –Perguntou novamente o Cullen, transbordando impaciência. Aro
colocou gentilmente uma mão no ombro de Edward na tentativa vá de acalmá-lo.
-Está
a caminho meu jovem. Paciência. –Mas as palavras de gentil superficialidade do
Volturi não tocaram o coração do Cullen. Ele continuou agitado, andando para lá
e para cá, batucando os móveis ao seu redor, mexendo nos fios acobreados que
cobriam sua cabeça. Logo a porta daquele pequeno, porém luxuoso cômodo, abriu,
dando espaço para duas pessoas passarem por ela.
Edward,
por alguns instantes, sentiu o coração perder uma batida com a possibilidade de
uma daquelas pessoas serem a sua querida mãe, mas suas esperanças, sonhos e
alegrias morreram ao olhar mais atentamente para a figura que adentrava a
passos lentos o aposento.
Lembrara-se
de Esme antes dos eventos catastróficos ocorrerem. Era uma linda mulher, de
longos cabelos castanhos, olhos brilhantes demais e pele perfeita feito
porcelana. A figura diante de si estava longe de ser a mulher que o criara no
lugar da mãe biológica. O viço dos cabelos castanhos claros se fora, dando
lugar a um cabelo ralo, com uma cor industrializada opaca. A pele antes de uma
brancura invejável estava fantasmagoricamente branca, deixando visíveis veias,
ossos e ferimentos arroxeados. Estava mais magra, quase desnutrida, tinha
olheiras que indicavam privação de sono e saúde.
E
aquela era sua mãe Esme.
Os
olhos castanhos, que antes emitiam um brilho caloroso, estavam nublados. Não
viam nada, não reconheciam nada, nem mesmo o filho que fora afastado de si
quando aceitou barganhar com Denali para salvar Edward. Era agora uma pálida
figura, diametralmente oposta a Esme Cullen. E vê-la novamente, ao invés de
deixar Edward em êxtase, mergulhou o jovem rapaz na mais perturbadora
depressão.
-Senhor Cullen? –Alexandrina tentou, pela
quarta vez, chamar a atenção de seu patrão para si. Acordando da estranha
letargia que o envolveu instantes atrás, Edward olha para a figura feminina
prostrada diante de si. –Algo errado? –Continua a secretária.
-Nada que eu não possa lidar. –Informa o jovem
rapaz, indiferente. Ajeita-se melhor na poltrona preta de couro, olhando a
maçaroca de papéis diante de si, trazidos pela moça.
-Parece perturbado com alguma coisa. Seria por
causa de Aro Volturi?
-Aro sempre me preocupa. Sua imprevisibilidade
é assustadora. No entanto, não estou desligado por causa dele. –Assinou os
documentos com sua caneta de prata, mantendo os olhos verdes fixos nos papeis.
Alexandrina não perguntou mais nada e Edward,
ao invés de se sentir aliviado, intimamente desejou que ela o instigasse a
falar. Talvez, se falasse do que se passava, pudesse melhorar o seu humor.
-Já fez alguma coisa que magoou alguém demais,
Alexandrina? –Perguntou, tentando empregar casualidade na conversa. A mente
afiada da secretária, porém, logo captou que o assunto tinha relevância para o
patrão.
-Sim. Ninguém passa por esta terra sem causar
decepção em pelo menos um individuo.
-E o que fez para reparar o erro? –Não que a
situação com Alexandrina pudesse ser aplicada a sua, ponderou o Cullen. Contudo
ouvir a solução de outra pessoa não era de todo ruim.
-Todas as pessoas que eu magoei mereceram.
Jamais reparei quaisquer faltas cometidas a elas. –O tom frio e profissional
fez o Masen estremecer. Seria Alexandrina uma versão feminina de Aro?
-Fiz uma coisa terrível. –Confessou,
encostando-se melhor em sua poltrona. –Não sei como reparar o que eu fiz.
–Olhou o teto de gesso esculpido.
-Homem ou mulher? –Alexandrina afastou-se da
mesa do patrão, indo em direção a pequena copa anexa a sala. Poderia, no
entanto, ouvir e ser ouvida daquela distancia.
-Mulher. –Respondeu enquanto via a secretária
servir uma xícara de café para ele.
-Flores, jóias, chocolates, um crédito em
alguma boutique... –Sugeriu a mulher, depositando a xícara em frente a Edward.
Pegou a xícara rapidamente, bebericando o conteúdo como um degustador de vinho
diante de uma rara safra.
-Ela não é apegada a nada disso. Seria capaz de
atirar tudo em cima de mim. –Sorriu, sarcástico.
-Deve haver algo que ela goste, ou queira. –E
as palavras de Alexandrina despertaram algo no intimo daquele sisudo homem. Ele
sabia, claro, o que a pequena Isabella queria.
-Talvez eu saiba... –Refletiu, colocando a
xícara vazia em cima da mesa. –Quero que você faça uma ligação para mim.
–Ordenou, antevendo a reação de Isabella após a concretização do seu plano.
...
Às vezes ouvia vozes chamá-la, mas pareciam
estar tão distantes! Vozes que se confundiam com os chamados insistentes da
mãe, quando esta não conseguia preparar eficientemente algum prato para o
jantar. Infelizmente os delírios de Isabella não eram tão poderosos ao ponto de
fugir daquela louca realidade que a envolvia como uma mortalha.
-... E ela não comeu nada desde ontem à tarde,
sendo que já está se aproximando do horário do jantar. Isso não é nada bom.
Estou preocupada. –Bella reconheceu, rapidamente, a voz de Angela, do outro
lado da porta.
-Talvez devêssemos comunicar ao senhor
Cullen... –Era Erick que conversava com ela, a voz alarmada.
-Não. Não é uma boa ideia. –A voz firme de
Angela confirmava as suspeitas de Bella. Ela, de alguma forma, sabia o que
acontecera e parecia não querer dividir com os demais empregados. Mas por quê?
Se havia alguma humanidade naquela empregada, ela deveria contar suas suspeitas
e tentar algo a fim de sanar com aquele problema, ajudando assim a Swan. O
ressentimento que ela nutria pelo Cullen começava a se espraiar, atingindo
assim a todos os empregados daquela mansão. Bella os odiava, mas não odiava tanto
quanto a si mesma graças a sua incapacidade de fazer algo que não fosse chorar
e se lastimar.
“Nunca fui de fazer isso, mesmo após a morte da
minha mãe. Parece que agora estou chorando e sendo fraca para compensar toda a
minha vida.” –Refletiu sofregamente, encolhendo-se em posição fetal na cama
onde estava deitada. Respirou fundo e se deixou levar pela estranha e ineficaz
letargia que a envolvia desde ontem à tarde, fazendo com que o seu diminuto
corpo ignorasse a sede, a fome, o cansaço e tantas outras coisas meramente
físicas.
...
Graças à eficiência de sua secretária tudo
estava preparado. Agora bastava decidir se faria algo ou não. Embora a
consciência de Edward gritasse para fazê-lo, seu gênio tendia a desestimulá-lo
a atitudes gentis. Não queria ser fraco perante ninguém, nunca mais. Contudo
havia a memória de sua mãe, Esme, parecendo atormentá-lo a tentar reparar o
erro cometido.
Após um dia exaustivo de trabalho, dividindo-se
entre as incumbências diárias e a investigação acerca do desvio de dinheiro das
finanças de Aro Volturi no Brasil, Edward saiu de seu escritório. Pretendia ir
diretamente para a sua casa, mas uma epifania fez com que ele desviasse
abruptamente do caminho a sua casa. Parando o carro no acostamento, Edward
bateu fortemente a testa no volante, fechando fortemente os olhos.
-Merda! Como eu pude me esquecer disso!”–Ligou
o carro, praticamente arrancando-o em uma direção oposta.
Edward nunca foi de comprar o que precisava
naquela gigantesca cidade. Bastava pedir a Alexandrina ou, muito raramente, a
algum empregado seu. Por isso procurar por uma farmácia foi mais demorado e
desgastante do que imaginava. Acabou indo ao shopping Center, um dos muitos do
local. Como imaginou, no interior do complexo de lojas havia muitas farmácias. Não
demorou nada naquele local, pois o corpo clamava por uma noite bem dormida.
A moça detrás do balcão olhou hipnotizada para
o belo rapaz, vestido com esmero, que se dirigiu até ela. O perfume forte, mas
agradável, ficava cravado nas prateleiras muito bem limpas e organizadas da
elegante farmácia. A cadência com que caminhava o diferenciava dos demais
clientes, tornando-o uma presença impossível de ignorar.
Ajeitando o terno Dolce e Garbana, parcialmente
amarrotado enquanto dirigia, Edward comunicou seu pedido sem rodeios, dizendo:
-Eu quero uma pílula do dia seguinte.
...
-Boa noite senhor Cullen. –Seus empregados
assim o cumprimentaram quando entrou, mas havia uma voz que não se apresentou
ao coro. E Edward sabia o porquê da ausência da Swan em meio aos empregados.
Quanto dano ele havia causado a pequena Isabella? Finalmente ele descobriria.
-Boa noite. Onde Isabella está? –Perguntou,
antevendo a resposta dada por um de seus subordinados.
-Ela não saiu do quarto o dia inteiro e também
não se alimentou. –Angela falou e havia um tom acusatório em sua voz. Edward
não se deu ao trabalho de olhá-la e ver a acusação em seus olhos. Não devia
satisfação a empregados afinal.
-Angela, prepare uma bandeja para Isabella.
Vamos ver se ela não comerá agora. –Seu tom de voz ameaçador alarmou todos os
presentes e Angela tratou de obedecê-lo, embora quisesse, pela primeira vez,
confrontar o patrão.
Edward estava calmo, mas seu jeito
aparentemente tranqüilo definitivamente era sinal de mal pressagio. Por isso os
empregados mantiveram distancia da ala dos aposentos.
Bella sentia um cansaço engoli-la. Queria
dormir, dormir para sempre, mas algo gritava em sua mente para manter a
consciência, uma vez que logo Edward estaria em casa. Ou talvez continuar como
uma boneca quebrada em cima daquela cama fosse o melhor, dissuadindo o Cullen a
um novo abuso. Por estar distraída demais arquitetando planos inacabados na
mente cansada, ela notou tarde demais a presença de mais alguém no quarto.
-Então está dando trabalho aos empregados,
hein? Eu já deveria imaginar! –Não houve resposta ao comentário jocoso de
Edward, porém ele prosseguiu. Tentando não fixar os olhos naquela figura que
inspirava piedade, sentou-se de costas para Isabella, na beira da cama.
-Talvez eu precise lembrá-la o porque de estar
aqui comigo, cumprindo o encargo de me servir. Que seja. Amanhã iremos a
clinica de reabilitação ver o seu papai. Geralmente alguém recentemente
internado não recebe visitas, mas o diretor do instituto abrirá uma exceção.
Você, todavia, não poderá conversar com o seu pai. Apenas o olhará de longe.
A promessa de Edward de unir novamente pai e
filha foi demais. Bella despertou, deixando de lado tudo o mais que a
atormentava. Sentou-se na cama, sentindo os efeitos da falta de alimentação por
mais de 24 horas. Olhou Edward com espanto, como se esperando que ele
anunciasse a brincadeira.
Edward levantou-se da cama, colocando uma mão
no bolso da calça social preta. Pegou a pílula do dia seguinte no bolso interno
do paletó preto, jogando em direção da Swan. Ela olhou com assombro o
comprimido, sem entender o que significava aquele medicamento. Pegou com
cuidado, deixando-o repousar na palma da pequenina mão.
-Angela trará comida para você. Trate de se
alimentar e tomar esse comprimido. É uma pílula do dia seguinte. Ela evitará
certos... –Olhou de esguelha para a Swan, que olhava o conteúdo nas mãos com o
mesmo espanto de outrora. -... Certos acidentes. –Completou, referindo-se a uma
possível gravidez. Isabella estremeceu ao pensar, pela primeira vez, nessa
conseqüência. Como pôde se esquecer de algo tão crucial?
Edward saiu do quarto, fechando a porta atrás
de si. Enquanto Isabella refletia sobre a sua proposta, mortificada pelas
atitudes estranhamente gentis do Cullen, o jovem sentia-se sufocado com a cena
que presenciou ao entrar no quarto. Ele fizera um mal tremendo a menina e
soube, quando a viu jogada, em estado catatônico, em cima da cama, que jamais
conseguiria consertar o seu erro. Ela estava fadada a ser exatamente como Esme
fora.
...
As sete e quarenta e três da manhã Edward já
estava de pé, arrumado e pronto para sair. Ligara para Alexandrina na noite
anterior, confirmando a ida ao centro de recuperação pela manhã, adiando seus
compromissos. Não sabia se a Swan havia se alimentado e tomado o comprimido
como ordenara, ou se estava pronta para visitar Charlie Swan. Suas duvidas
acabaram ao vê-la de pé, os cabelos úmidos ainda do banho, trajando o velho
jeans, camisa branca e tênis sujos. Ainda parecia numa situação caustica,
deixando claro que passara por um abuso e não se recuperara.
-Vamos. –Ordenou, ouvindo os passos sem jeito
atrás de si. Sentou-se a mesa, comendo os quitutes preparados por Betha com
aparente descaso enquanto lia as noticias no jornal. Os empregados estavam
visivelmente animados, com exceção de Lauren, pela volta de Isabella. Angela
era a mais animada, pois testemunhou, após a conversa que o patrão tivera com
Isabella na noite anterior, mudanças significativas no comportamento da menina.
A jovem Swan havia jantado ontem e tomado um estranho remédio por ordem de
Edward e agora, após banhar-se, comia bastante, como se quisesse compensar as
horas sem ingerir comida. A cor da pequena de fato estava melhor, embora um
abatimento ainda preenchesse o rosto em formato de coração.
O café da manhã foi um evento silencioso,
cercado por certa apreensão de Bella. As coisas ainda estavam caóticas na vida
da garota, mas diante daquela concessão de Edward o desespero que grasnava nela
estranhamente se acalmou. Como sempre o pai foi colocado antes de tudo, antes
até do sofrimento que padecia o frágil corpo feminino.
Ainda que estivesse sendo impecavelmente
controlada, seu corpo tremia levemente ante a presença de Edward. Lembrava-se
do quanto fora agredida, física e mentalmente, e isso causava um grande temor
quando Edward estava por perto. Queria voltar a agir como a antiga Bella,
peitando-o em medo; não encontrava forças para tal atitude.
Edward mantinha uma distancia segura.
Permaneceu calado, sem ordenar mais nada a Swan. A garota era espeta o
suficiente para entender o que ele queria dela antes do mesmo se manifestar.
Ela o seguiu obedientemente até o carro na garagem do prédio, esforçando-se
para não perguntar nada a respeito do pai. Preferiria não provocar a ira
prematura do Cullen, pois agora sentia na pele o que poderia lhe acontecer caso
o tirasse do sério.
Edward evitava olhar para a menina sentada no
banco do carona. Preferiria ignorá-la e olhar para frente. A cada olhada de
esguelha percebia, como se estivesse encarando a pequena com uma lupa. As
agressões ainda presentes na pele branca como porcelana: marcas vermelhas no
pescoço e muito provavelmente outras agressões invisíveis aos olhos
esmeraldinos. Aquele seria um momento perfeito para tentar reparar os erros
cometidos, mas nenhuma palavra saiu dos lábios do Cullen. O orgulho e instinto
de sobrevivência haviam falado mais alto, impedindo-o de demonstrar fraqueza.
Mas em sua cabeça o fato de levar Bella até o pai era suficiente para desculpar
quaisquer faltas cometidas.
A clinica estava próxima, um lugar parecendo o
jardim do Éden em meio a vida urbana. O tipo de clinica onde apenas estrelas do
show bis freqüentam. Bella ficou surpresa por Aro ter escolhido um local tão
requintado para a reabilitação de Charlie, ou talvez o velho mafiosi não
tivesse muitas opções nas proximidades.
Ao passar pelos enormes portões dourados e
atravessar os vários metros de um jardim impecável, Edward estaciona em um
estacionamento privativo para clientes. Um grupo de funcionários o aguardava na
porta, entre eles o diretor do local. Eles conheciam Aro como ninguém e sabiam
de sua fama ruim. Não tratavam a nenhum dos homens com alguns vinculo com o
Volturi como meros visitantes, para eles o tratamento era vip. Edward desceu do
carro e Isabella o acompanhou, sem esperar o rapaz abrir a porta, se ele se
dignasse a fazê-lo. Caminhou a alguns passos atrás dele em direção a porta
dupla do prédio principal.
-Senhor Cullen, eu presumo. Sou o doutor
Abelard Lautner, diretor administrativo do Centro de reabilitação Breakingdown.
–Estendeu a mão ao Cullen que prontamente aceitou o cumprimento. Tardiamente
Bella o cumprimentou, parecendo atordoada demais com o jorro de informações ao
seu redor para notar a mão branca que exigia um cumprimento dela. Edward, sem
mais delongas, foi direto ao assunto.
-Como a minha secretária conversou com o
senhor, nós estamos aqui para visitar um paciente. Bom... Eu estou apenas
acompanhando a pessoa que realmente deseja ver Charlie Swan. –Edward disse, sem
esperar que Isabella se pronunciasse. A menina parecia alheia a tudo e
provavelmente só despertaria quando o pai estivesse diante de si. Mal o Cullen
sabia que suas conjecturas estavam corretas.
-Oh, sim! Eu fui informado da situação. Minha
jovem... –Chamou Isabella, que o olhou com os olhos estranhamente enevoados.
–Por um acaso é parente dele? –Perguntou.
-Eu sou a filha dele. A única filha. Isabella Swan. –Murmurou.
-Senhorita Swan, em nossa política neste centro
de reabilitação, para melhor atender aos pacientes, não permitimos quaisquer
contatos com amigos ou familiares. Nossa política tem mostrado resultados
expressivos na recuperação de nossos clientes. –Falou o senhor de meia idade
num tom profissional. Ante a perspectiva de não ver o pai, Isabella estremeceu.
-Mas... Mas eu poderei vê-lo, não é? Para isso
estamos aqui. –Sua voz mal passava de um sussurro, precariamente ouvida pelos
outros. Edward interveio a fim de acabar logo com tudo aquilo.
-Uma concessão foi aberta para você, mas não
poderá falar com o seu pai. Expliquei isto a você ontem. Poderá apenas vê-lo de
longe. Achei que isso bastaria. –Aproximou-se da Swan, que de tão sobressaltada
que ficou, quase colidiu com a lataria do carro ao se afastar de Edward. Ainda
sim o rapaz ficou diante da menina, separados por centímetros enquanto os
lábios masculinos praticamente colavam na orelha feminina. Ele, afinal, tinha
algo a dizer.
-Eu poderia conseguir burlar a política do
local e você poderia falar com o seu
pai, mas não se engane. A única coisa que Charlie faria seria implorar para
retirá-lo daqui ou, com alguma sorte, pedir que trouxesse uma garrafa de vodca.
Talvez, só talvez, algo paternal acordasse dentro dele e ele poderia perguntar
como você está. O que diria a ele? Diria o que fez a fim de aguçar a sensibilidade
daquele alcoólatra? De duas uma: ou ele bancaria o pai e contaria a Deus e o
mundo em que a filhinha se meteu, perdendo assim seus privilégios e sendo morto
pelo Volturi, ou ele a chutaria como um cão imundo, amaldiçoando você por ter
feito algo tão baixo a fim de poupar a vida de ambos. Qualquer alternativa
seria catastrófica para os dois, sendo assim eu recomendo apenas olhá-lo.
O discurso do Masen foi o suficiente para Bella
aceitar a única coisa que poderia ser ofertada. Meneou a cabeça em sinal de
concordância e logo ela, Edward e a pequena comitiva de funcionário do centro
seguiam a passos firmes pelo interior do elegante prédio.
O espaço era agradável, decorado com
simplicidade e elegância, lembrando algumas pousadas japonesas eu Isabella viu
através de revistas. Havia mais funcionário do que clientes e isso era um forte
indicativo de que não era qualquer um que poderia bancar o custo do tratamento.
Isabella reconheceu até algumas celebridades transitando pelo recinto, sempre
acompanhadas de um funcionário do local. Espantou-se novamente com a
generosidade de Aro Volturi, que não só cumpriu com a sua promessa como
escolheu o melhor lugar para o pai. Poderia tê-lo enfiado em um espaço qualquer
e a Swan já estaria agradecida.
O coração feminino perdeu uma batida ao olhar
para o jardim dos fundos, onde alguns pacientes se exercitavam. Não demorou a
ver o pai sentado em uma mesa de madeira, acompanhado de um senhor, jogando
xadrez. Charlie, apesar de ter crescido no subúrbio, aprendeu a arte do xadrez
e ensinou a filha, jogando ocasionalmente com ela. Doces recordações apagadas
no instante em que o policial vira a esposa morta. Vê-lo jogando xadrez como
nos velhos tempos, sem um pingo de álcool no corpo, fez Bella se sentir em
êxtase. Naquele instante, novamente, ela soube por eu sacrificou-se pelo pai e
por que valeria a pena continuar a ter uma vida miserável por ele. Tudo valia
enquanto Charlie estivesse respirando e sorrindo, como ele estava enquanto
fazia um xeque-marte no seu oponente.
Edward olhou atentamente para a menina e
surpreendeu-se ao ver um sorriso terno surgir dos lábios cheios. Foi como se
toda a escuridão que até então rodeava Isabella tivesse sido tragada para algum
lugar. O Mansen teve que admitir, embora somente para si, que a visão daquele
rostinho iluminado por algum sentimento bom deixou ela tão bonita quanto
qualquer modelo da Victoria secret, ainda que sem maquiagem e vestes bonitas.
Não, a beleza de Bella não poderia ser comparada a beleza artificial daquelas
modelos anoréxicas.
Como num passe de mágica o sorriso foi sumindo,
restando apenas uma expressão vazia. Subitamente a Swan afastou-se, sem, porém,
virar de costas para o pai. Edward a observou sair sem entender o que pretendia
com aquela ação. Trocou mais algumas palavras com o diretor do local,
agradecendo secamente a ajuda. Retirou-se após quinze minutos de conversa,
refazendo o caminho para frente do prédio principal. Por alguns instantes
sentiu-se tenso por não localizar a Swan, mas não demorou a vê-la sentada em um
banco do jardim frontal, embaixo de uma árvore qualquer. Olhava para frente,
parecendo apreciar a paisagem, o belo dia que fazia e a brisa agradável. Aproximou-se
da pequena, sentando ao seu lado. Ela não o olhou quando se aproximou e Edward
não fez questão de olhá-la ao sentar. Permaneceram calados, olhando para toda
aquela beleza que eram as mais diferentes flores plantadas no extenso gramado.
É claro que, apesar do espetáculo em cores, os olhos dos dois estavam turvos
demais de preocupações e sofrimentos para verem a beleza do lugar.
-O que quer de mim? Deve querer algo em troca
por este fazer. Você é esse tipo de pessoa. –Disse a Swan, recostando-se melhor
no banco de madeira e encarando um céu sem nuvens.
-Está aprendendo rápido Isabella. –Congratulou
o Cullen, olhando para a pequena com satisfação fingida. –Você deve imaginar o
que eu quero. –Emendou frio.
-Se imaginasse com alguma certeza do que se
passa na sua cabeça eu não perguntaria. –Deu um sorriso sarcástico. Sim, a
pouca convivência com Edward estava fazendo a Swan adquirir alguns traços da
personalidade acida do rapaz. Edward não sabia se isso era bom ou ruim.
-Quero sua completa submissão. –Falou sem
rodeios. Isabella estremeceu ao ouvir aquela declaração.
-Quer que eu me transforme numa boneca de
porcelana? –Não era uma pergunta a ser respondida, mas Edward se manifestou
mesmo assim.
-Não. Por que bonecas de porcelana ficam
paradas, sem fazer nada. Eu quero que você reaja a mim Isabella. Quando eu
beijá-la, espero que me beije. Quando eu acariciá-la, eu espero que me
acaricie. Eu espero que você corresponda aos meus anseios mais primitivos como
se gostasse. Mais do que isso, quero que obedeça as regras que estipulei.
Edward deixou suas palavras ecoarem através dos
ventos, chegando a Bella e fazendo o mundo da menina explodir. Ela ficou
paralisada com aquelas palavras, é bem verdade, mas logo a racionalidade chegou
até ela. Pouco a pouco Isabella percebia que não havia como fugir e, mesmo se
houvesse essa possibilidade, ela não poderia escapar e deixar o pai ao leu.
Precisava se lembrar daquela imagem do velho Charlie parecendo feliz ao
derrotar um bom senhor no xadrez, pois aquele belo quadro pintado pelas mãos de
Deus era sem duvida a motivação que ela precisava para continuar respirando, mesmo
que em seu intimo desejasse ser sufocada.
-Você terá o que quer, mas não espere nada além
de uma atriz representando toscamente o seu papel. –Retorquiu com azedume.
-Eu não quero veracidade nas suas ações. Não
preciso de sentimentos verdadeiros. Pode me maldizer aos quatro cantos, desde
que não seja diretamente para mim. O que eu quero é que saiba fingir que não
sou repulsivo. Somente isso. –Aquele discurso poderia inspirar piedade em
alguns, pois claramente era um indicio do quanto Masen precisava sentir-se
desejado, amado. Contudo o coração da jovem Swan estava tão poluído por
ressentimento que não se apiedava da condição de Edward. Levantou-se.
-Quero ir embora. –Anunciou, seguindo para o
carro. Edward a seguiu, abrindo a porta do carona para a Swan e entrando em
seguida. Antes de ligar o veiculo, porém, percebeu que passaram a manhã
inteira. Tudo fora rápido e por isso esperava estar com alguma sobra de tempo.
-Já está tarde. Levamos mais tempo do que o
esperado. Vamos a algum restaurante comer. Após isso levarei você para o meu
apartamento.
...
Como Bella imaginou, o restaurante escolhido
pelo Cullen era digno de receber a algum imperador, kzar ou rei. Não sentiu
conforto, ainda mais estando tão precariamente vestida. Sentiu os olhares dos
freqüentadores o elegante espaço e dos funcionários, como se questionando o que
alguém tão desprovida de recursos estaria fazendo num local tão caro. Edward
ignorou o desconforto da Swan, fazendo o pedido por eles dois e degustando de
duas taças de vinho tinto, antes e depois do prato principal. Dispensou a
sobremesa, já que não era um adorador de doces.
Após o almoço, levou a Swan como prometera para
o apartamento, deixando-a na porta. Iria para o seu escritório trabalhar e
Alexandrina provavelmente já o esperava com uma pilha de documentos a serem
vistos e assinados. Antes de voltar ao carro, estacionado na sua vaga da
garagem, porém, deixou um recado para Isabella.
-Provavelmente chegarei tarde, sendo assim você
pode jantar sem mim. No entanto, eu não quero que durma. Fique de meu agrado e
espere-me no meu quarto. –Não esperou para ver a reação da Swan aquela ordem. Saiu
rapidamente, ciente de que não poderia perder nenhum minuto a mais, cheio de
afazeres como estava. Ele não viu que a Swan demorou mais do que o necessário
para entrar, ainda absorvendo a ordem e sabendo que desta vez teria que acatar.
-Eu odeio você. –Sussurrou sofregamente,
entrando em seguida.
...
Como imaginou, Alexandrina encheu à tarde de
Edward com incumbências a fim de compensar a manhã fora. O jovem Cullen
protestou o quanto pôde, alegando que precisaria de um fisioterapeuta após
assinar tantos papéis, mas Alexandrina o ignorou, dando atenção a assuntos mais
importantes. Não passou despercebido para a moça, todavia, o bom humor que parecia
envolver o chefe, mesmo diante de um problema grave como o roubo as finanças do
Volturi. Não achou prudente perguntar, uma vez que era apenas uma subordinada,
o que se passava na cabeça do Cullen.
Após as nove horas Edward conseguiu sair do
escritório, parando em um restaurante e jantando sozinho. Protelou um pouco
mais na rua, chegando ao seu apartamento às dez e quinze da noite.
O Cullen estava curioso para saber se Isabella acataria
a sua determinação após o episódio com o pai da moça. A jovem Swan havia se
comprometido a acatar suas ordens a fim de garantir a boa vida do pai, mas
Edward adotara com desconfiança a placidez com que ela aceitou sua condição.
Ouviam-se burburinhos na cozinha, indicando que
os empregados muito provavelmente estavam limpando a cozinha após o jantar.
Queria ir até lá e perguntara Angela se a Swan se comportara, mas preferiu
seguir diretamente até o seu aposento. O corpo protestava por descanso e, caso
Isabella não o estivesse aguardando lá, provavelmente não importunaria a
menina. O que encontrou no quarto, porém, dissuadiu Edward com os planos feitos
até então.
Isabella estava lá, para a surpresa do Cullen,
de pé em frente a uma janela aberta. Vestia um hobby de seda preto, cobrindo
assim a camisola de seda rendada preta que fazia conjunto com o hobby. Não
olhou em momento algum para a porta, mesmo quando ouviu o barulho desta se
abrindo. Preferiria continuar a contemplar a bela noite que fazia pela
persiana, mesmo que a beleza de um céu ricamente estrelado não alcançasse seu
espírito.
Como se estivesse diante de um animal acuado
que correria ao menor movimento brusco do predador, Edward retirou lentamente o
casaco, depositando-o em uma poltrona próxima, fechando a porta em seguida.
Ousou retirar o colete e a gravata, sempre com os olhos esmeraldinos fixos em
Isabella que ainda não se dignava a olhá-lo.
-Achei que teria de arrastá-la para cá. –Comentou,
desabotoando os botões da camisa branca no pulso.
-O que eu prometo, eu cumpro. –A voz feminina
parecia morta, sem nenhum traço de sentimento, ainda que negativo. Bom... Ao
menos Isabella não estava sendo indelicada, o que era um progresso e tanto.
Por mais calma que quisesse aparentar, Bella
sentia-se pestes a ter um colapso. O coração batia acelerado, as mãos suavam
frio e tentava a todo custo não hiperventilar. Evitou a todo custo olhar para
seu algoz, temendo sua reação caso visse a aproximação do Cullen.
Sobressaltou-se quando sentiu uma mão fria envolver o seu pescoço por trás, com
uma gentileza atípica de quem proporcionava a caricia. Deslizou a mão do pequeno
queixo até a clavícula, fazendo a Swan estacar a respiração. Logo Isabella
sentiu a respiração quente tocar sua nuca e um beijo sendo depositado naquele
local. Instintivamente quis se afastar, mas a promessa feita pela manhã fez com
que tivesse forças para ficar quieta, embora as mãos estivessem comprimidas com
violência.
Edward sabia o quão difícil estava sendo para a
menina, embora ela mantivesse uma atitude serena. Ele era, afinal, o homem que
a estuprara. Não era o tipo que dizia palavras gentis ou de incentivo, mas
também não poderia simplesmente tomá-la sem tentar acalmar os nervos em
frangalhos da pequena. Contudo não conseguia pensar em algo para dizer que
pudesse melhorar aquela situação, por isso achou melhor pensar em algo enquanto
banhava-se.
-Tomarei um banho. Espere-me aqui. –Segredou no
ouvido de Isabella, largando-a em seguida e indo em direção ao banheiro.
Enquanto Edward tomava um banho despreocupado,
sentindo o cansaço do dia sumir pouco a pouco, como se levado pela água do chuveiro,
Bella continuava estática, fazendo preces silenciosas. Não poderia escapar da
situação, mas pediu mesmo assim algum alivio para a sua dor. Um alívio que não
viria.
Perdida em devaneios como estava, os minutos
pareceram correr e logo ouviu o barulho da porta do toalete sendo aberta. Não
se afastou da janela, ainda evitando encarar Edward. O Cullen estranhou vê-la
ainda no quarto, certo de que a menina correria assim que ele desaparecesse
pelo banheiro. Ela estava de fato resoluta em obedecê-lo e isso encheu Edward
de contentamento.
Edward se aproximou, ainda com o corpo úmido pelo
banho recém tomado e vestindo unicamente um roupão azul marinho. Bella quando o
calor do corpo de Edward chocou-se ao seu corpo, parecendo que ele não estivera
tomando uma ducha minutos atrás. As mãos masculinas acariciaram levemente a
nuca de Bella, causando arrepios em todo o corpo feminino. Os pequenos espasmos
foram notados pelo Cullen, que encontrou as palavras perfeitas a fim de
aquietar a agitação da Swan.
-Já esteve com alguém de quem gostou muito,
Isabella? –Perguntou com brandura. Sua mão roçou o ombro, descobrindo-o. Beijou
aquele local e sentiu o corpo de Isabella ficar duro como uma tábua.
-Sim. –Respondeu a Swan, sem saber o porquê
daquela pergunta, ou o motivo de tê-la respondido.
-Pode utilizar a sua mente com o propósito e
facilitar as coisas para nós dois. Feche os olhos, se isso ajuda, e pense estar
com essa pessoa. –Despiu Isabella do hobby suavemente, deixando-o cair no chão.
Virou a menina, a fim de vê-la melhor e ficou surpreso com a visão; Bella era
realmente bonita. A camisola de seda colava-se ao seu corpo, revelando as
curvas tentadoras dos quadris e os seios de um bom tamanho. Pelo comprimento da
peça não pôde ver as pernas, mas logo veria tudo por isso relaxou.
Bella acatou aquele conselho, não por acreditar
que as coisas seriam melhores ao imaginar outra pessoa no lugar do Cullen, mas
unicamente para evitar olhá-lo. Tentou pensar em seu namorado Jacob, que sequer
sabia do que estava ocorrendo na vida da menina. Enquanto sentia uma mão grande
e fria acariciar seu rosto, descendo para o pescoço, clavícula e omoplata,
tentou imaginar as mãos grandes e quentes do moreno com que estava dias atrás. Algo
dentro de si pareceu se acalmar enquanto a mente trabalhava a mil, na tentativa
de prender a jovem em uma ilusão.
Edward sentiu-se satisfeito por não olhar
diretamente naqueles orbes achocolatados, que fazia com que as lembranças da
mãe se evidenciassem em sua mente. Preferiria a moça daquele jeito, calada,
submissa, de olhos fechados e entregues ao toque dele. Quase poderia fingir que
Bella estava ali por querer e não por estar sendo obrigada.
Edward quase poderia fingir que alguém nesse
mundo se importava com ele.
Acariciou o rosto alvo com a ponta dos dedos da
mão esquerda, enquanto com a direita acariciava um braço de Isabella. Apreciou
a textura da pele e o perfume de morango, proveniente dos produtos de higiene
pessoal que comprara para a garota. Beijou levemente os lábios rosados e não
perdeu tempo, migrando seus beijos para o queixo e o pescoço, mordiscando-os
levemente, querendo marcar aquela fêmea como dele. Instintivamente Bella o
afastou, espalmando as mãos no peito musculoso, ainda coberto pelo roupão. Agora
a menina hiperventilava, o nervosismo estava evidente em cada um dos poros de
sua acetinada pele. Edward não se aborreceu com o gesto, pelo contrário, até
compreendeu que era impossível para a pequena simplesmente se entregar sem
reservas a alguém que a prejudicava. Pensou em dispensá-la por hoje e dormir,
mas fazer isso deixaria claro a fraqueza dele para com os outros, o que em seu
mundo estava longe de ser uma qualidade. Bella precisava se acostumar à dura
realidade e deveria ser Edward a ensiná-la que neste mundo há certos males que
vem para o bem.
Embora Edward estivesse sendo infinitamente
gentil se comparado a primeira vez deles, havia uma resistência na pequena Swan
que começava a brotar. As mãos femininas empurravam levemente Edward a cada
beijo ou caricia dada por ele. A atitude não o aborrecia, o que o Cullen
estranhou. Dado a acessos como ele era, recusas costumavam deixá-lo irado, algo
que ele mostrou aos quatro ventos. Agora ele parecia aceitar aquela relutância da
Swan, tentando convencê-la através de seu corpo a ceder.
Por alguns minutos tudo o que fez foi beijá-la
e tocá-la aqui e ali, sem ousar chegar às regiões erógenas da menina. Mas o
sangue do rapaz começara a esquentar e o corpo queria mais do que já estava
fazendo. Por isso aproximou seus lábios aos lábios de Bella, envolvendo com uma
mão os seus cabelos e compelindo-a a um beijo ardente. A princípio Bella
hesitou, não correspondendo ao beijo, mas Edward era um macho alfa eficiente e
sabia como ninguém como conduzir uma fêmea. Logo Bella foi cedendo, tentando
imaginar-se com Jacob a todo custo. Não correspondeu a Edward como o próprio
queria, pois não tinha tanta experiência com homens na vida, mas ofereceu o
suficiente, deixando o jovem Cullen satisfeito. As línguas dançavam num óculo sensual,
provando cada parte da boca que era beijada e causando em ambos, embora Bella
jamais admitisse, uma crescente excitação. Enquanto uma mão enlaçava os cabelos
cor de mogno, Edward usou a mão livre para enlaçar a cintura da Swan, colando o
macio corpo ao dele sem, contudo, deixar de beijá-la.
Por alguns instantes Bella se perdeu, não só
correspondendo ao beijo de Edward como ousando deslizar suas mãos no peito do
Cullen, deixando um ou dois dedos entrarem no roupão e tocarem a pele
masculina. Subitamente a menina despertou, afastando-se bruscamente do Cullen e
abrindo os olhos. Devia estar ficando louca ao ceder a ele! Tremendo como um
rato diante de uma serpente, Bella ergueu uma mão, tentando manter uma
distancia de Edward e sentiu os olhos se encherem de água.
-Por favor, faço o que você quiser amanhã, mas
hoje não. Não estou bem. Foi muita coisa para um dia só. Por favor. –Pediu a
meia voz, fazendo de tudo para não abrir o berreiro. Viu o rosto do Cullen se
transformar em uma carranca apavorante e temeu sua ira. Para a sua surpresa,
Edward replicou o gesto de recusa com aparente serenidade, falando tão calmo
quanto conseguia.
-Não. –Foi tudo o que ele disse, pegando
delicadamente a mão erguida da moça e aproximando de seus lábios, beijando dedo
por dedo. Os olhos esmeraldinos estavam fixos em Bella enquanto os beijos na
pequena mão tornavam-se mais ousados. Capturou o polegar na boca,
introduzindo-o naquela cavidade e chupando lentamente. A atitude era ousada e
erótica, deixando a Swan sem fala.
-Dessa vez você vai gostar. Amará e odiará cada
minuto comigo. –Disse, enlaçando os cabelos da Swan com uma mão e voltando a beijá-la.
Bella fechou os olhos e novamente tentou
imaginar Jacob ali com ela. Correspondeu o beijo com energia, enquanto as mãos,
hesitantes, repousavam novamente no peito alvo de Edward. Impaciente e desejoso
de afundar-se naquela mulher, tratou de apressar as coisas, pegando as mãos de
Bella e guiando-as até o roupão, desfazendo o nó e retirando. Logo Bella tocava
o peito agora despido, sentindo algumas gotículas de água devido ao banho recém
tomado. Continuou a guiar as pequeninas mãos, fazendo com que uma segurasse a
nuca masculina e a outra tocasse o membro ereto. Ao sentir aquela parte tão
intima e quente, tentou afastar-se, mas Edward manteve Isabella próxima ao
segurá-la pela nuca sem, porém, machucá-la.
Com um misto de horror e uma leve pontada de
excitação, Bella sentiu sua mão sendo guiada de forma tal que logo masturbava
Edward vagarosamente, sendo compelida a continuar a beijá-lo enquanto o ato
ocorria. E Edward não pôde se conter, acabando por soltar pequenos gemidos nos
lábios que beijava diante do prazer sentido. Em retribuição a caricia ousada,
retribuiu o gesto com um beijo de tirar o fôlego, acariciando cada parte do
interior da boca da Swan com sua língua na tentativa de lhe dar prazer. Ele
sabia, contudo, que poderia estar enganado; na situação de Isabella,
dificilmente alguma coisa daria a ela prazer. Por isso tomou uma medida atípica,
que poucas parceiras com quem estivera receberam. Afastou-se de Bella, deitando-a
lentamente na cama, e contemplando a moça ofegante, com os cabelos um pouco
embaraçados e linda, deitada em sua cama.
Quase bateu com a cabeça na parede ao lembrar
que não havia colocado proteção. Edward não poderia se esquecer de um detalhe
como esse, ou acabaria sendo pai. Procurou por um preservativo no criado mudo,
encontrando um perfeito e colocando-o com rapidez. Bella ficou parada, com os
olhos fortemente fechados, imaginando que logo seria penetrada e teria de
suportar a dor da penetração. Tentou não afastá-lo de si quando sentiu a
camisola ser afastada e a calcinha de renda ser retirada e aguardou pelo o que
viria a seguir.
Bella arfou ao sentir beijos sendo depositados
na virilha e na parte interna das coxas, agora abertas, deixando à mostra sua
feminilidade para quem quisesse ver. Sentiu os dedos grossos acariciarem os grandes
lábios, entreabrindo-os e antes que pudesse esboçar alguma reação, algo molhado
penetrou sua cavidade, roçando-o da entrada da vagina ao clitóris.
Instintivamente abriu os olhos, vendo a cabeça de Edward afundada entre as suas
coxas e tendo a certeza que era a língua do rapaz quem a acariciava. Voltou a
fechar os olhos, tentando evitar, sem muito sucesso, gemidos saírem de sua
garganta.
Estimulados pelos poucos murmúrios de Isabella,
Edward continuou a acariciar a feminilidade da moça com a língua mais e mais.
Bem como imaginou, a Swan não pôde se livrar de um orgasmo iminente, que só foi
notado devido às contrações de seu corpo. Enquanto Bella espantava-se com a
sensação que havia assaltado todo o seu corpo, com aquele prazer delicioso que
nunca sentira até então, Edward estava mais do que satisfeito por ter
conseguido dar algo para a menina. Tocando a pequena entrada, constatou que
estava úmida o suficiente, deixando a exploração com a língua em segundo plano.
Edward desejava satisfação ao seu corpo e a
obteria com ou sem o consentimento de Isabella.
CONTINUA...