domingo, 28 de agosto de 2011

Finalista do concurso de one-shots do Foforks \o/

Olá pessoas do meu coração, venho pedir que me ajudem a ganhar o concurso de one-shots do site Foforks. Para votar na minha one-shot basta clicar no sinal de "+". Deixem comentários se quiserem e, se possível, divulguem para outras pessoas votarem. Desde já agradeço a ajuda! 

O link para votação: http://foforks.com.br/2011/08/3%C2%B0-cfl-finalista-01-existem-momentos-em-que-e-dificil-ser-pai/

AVISO: Estou escrevendo na fanfic O contrato num ritmo lento. Sei que estou em débito com vocês, mas estou tendo problemas em escrever nesta fanfic. Não é nem pela falta de tempo e sim por que quando sento para escrever as idéias se esvaem. Apesar disso eu estou escrevendo e espero que o resultado final Agrade. Por mais que muitos não queiram e até estejam chateados comigo, estou escrevendo na fanfic Sweet Slave. A inspiração veio para essa fanfic e não pude ignorar. Peço perdão por estar sendo relapsa, mas acreditem em mim quando digo que não posto mais rapidamente por que quero. Beijos a todos e a todas e obrigada pelo apoio incondicional. Após postar o Edward pov's do capítulo 35, postarei o segundo capítulo de Sweet Slave aqui. 

sábado, 20 de agosto de 2011

Ode em homenagem a Belial

 Pierre Bergaigne A Carnival Ball (sec XVII-XVIII)
Ah, bons ventos o trazem! Falo da inspiração, ricamente enfeitada com uma produção de Itzhak Perlman intitulada Preludium and allegro (clicar aqui para ouví-la). Agora temos um Belial em ambiente palaciano, cheio de vida e ávido pelo prazer! Sua condição, admito, me parece anterior aos desfechos do livro A lenda de Fausto de Samila Lages e a fanfic O trilo do diabo da mesma autora. Sim, quando crio algo com a temática Belial, eu o faço por ter livro as maravilhosas produções de Samila, que deram a Belial uma roupagem única e fenomenal. Agora leiam o poema produzido por mim e deixem comentários, óh lordes e laidies! Isso muito me alegraria, como a desgraça da humanidade alegra Belial. 

Espírito palaciano
Ah, as aventuras palacianas!
Sorrisos de gesso em rostos esculpidos
Corpos adornados dos mais belos enfeites
Conheço tua nudez
As atitudes pudicas diante da sociedade se desfazem
Animal racional
Baila e baila, enquanto a música ressoa
Os vinhos passam por entre os convidados
A comida está posta
Assim como a luxuria
Olhos de promessas
Corpos quentes que esquentaram o meu inverno pessoal
Esfriarão meu inferno pessoal
Almas perdidas que suplicam silenciosas
Querem o terreno e ignoram a alma
Onde foi parar a inocência destas crianças?
Toco e corrompo assim
Sim, é fenomenal!
Eu arrastarei todos para as profundezas
E sei que irão com um sorriso nos lábios febris
Por que o que importa é a música, a comida, a bebida e o prazer
A riqueza que outros podem vislumbrar
Opulência do corpo
Ah, que doce canção ouço enquanto eles gemem abaixo de mim!
Pobres criaturas, tão devassadas!
Tão humanas...
Livre arbítrio é uma dádiva
Dada aos menos merecedores
Aproveitam da paciência dele
Pecam e pecam
Arrependem-se depois e ganham o perdão
Suplicando uma única vez
Com a voz, com os olhos
Eu não os deixarei seguir até o paraíso
Conhecerão o que há de mais podre pelas minhas mãos
E sintam-se gratos
Sim, gratos
Eu, príncipe infernal e consorte de Satá
Belial é o meu nome
Não dou esse privilégio a muitos
Também bailarei convosco

Para conhecerem as escritas de Samila, assim como adquirir o livro A lenda de Fausto, cliquem aqui.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Prévia do Edward pov's do cap 34 de OC




Edward pov’s

Só.
Eu bem sabia que seria assim pela manhã, mas uma parte de mim queria encontrá-la ao meu lado. Ah se ela soubesse o quanto eu precisava dela naquele momento! As imagens do pesadelo que tivera minutos atrás eram vividas, e, por isso mesmo, apavorante.
Eu diante de um buraco no chão onde repousava minha irmã, meu cunhado, meu pai e minha mãe. Todos mortos, naquela velha posição em que um cadáver é colocado dentro de um caixão. Se não bastasse estar aterrorizado com a visão dos corpos ali, escancarados, ver Alice abrir os olhos não me ajudou.
-Vem... Tem lugar para mais um aqui... –Murmurou. Alguém, eu não consegui ver, me empurrou e eu caí na cova profunda. Foi nesse momento que eu acordei, desesperado. Tateei a cama, mas não a encontrei. E agora, passados alguns minutos, eu estava lá, jogado de qualquer jeito na cama, perdido.
O que eu faria agora?
A pergunta gritava na minha cabeça, embaralhando meus pensamentos. Eu tinha que trabalhar e receber tudo o que foi de Alice e Jasper e dar um destino a essa herança. Eu tinha que escolher alguém para ocupar o cargo de Alice deixara e seguir com a empresa sem a ajuda de minha irmã. Tanto a se fazer! E mesmo sabendo que precisava agir, eu não conseguia. Eu não tinha forças para sequer erguer um dedo e isso era frustrante! Tão frustrante quanto acordar de um sonho, onde Bella estava ao meu lado, direto para o pesadelo de não ter ninguém ao meu redor. Queria aplacar de alguma forma à dor que eu estava sentindo, o desespero, a depressão. Senti minha boca seca e então a solução veio rápida como um foguete. Beber... Não água. Beber e esquecer. Não seria uma solução para o problema, mas ajudaria com o torpor provocado.
Levantei cambaleante, sentindo-me fraco pelas poucas horas dormidas e pouca comida digerida. Fui trôpego a pequena adega que tinha em casa, algo que dificilmente eu requisitava. Não precisei passar pela cozinha por haver outro acesso ao local, mas fiquei próximo o suficiente para ouvir algum barulho. Esperançoso, eu me afastei da adega e entrei na cozinha por outra entrada, mas o que vi não foi nada animador. Pensei que Bella poderia estar lá, mas eram apenas Magdalena e Eli, trabalhando. Elas não me notaram, sequer tinham conhecimento dessa outra entrada pela cozinha, imaginei. Com um suspiro resignado, voltei à adega, pegando pelos menos três garrafas de bebida alcoólica. Segui para o meu quarto, sem me preocupar em trancar a porta. Abri a primeira garrafa e tomei rapidamente. Não liguei para o que eu sorvia, ou se a quantidade bebida era assombrosa.
Eu não ligava para mais nada, essa era a verdade. Por que eu deveria me importar com algo, até comigo mesmo, se ninguém mais se importava? Acho até que eu estaria fazendo um favor se simplesmente desaparecesse. A empresa ficaria melhor nas mãos capazes de Aro e ninguém se forçaria a mostrar preocupação comigo. E Bella... Qualquer um poderia cuidar dela e deixa-la feliz, até mesmo ela. Seria bem melhor se eu simplesmente não existisse...
E continuei a beber, adorando o torpor me tomar e envolver a minha mente de tal forma que eu não conseguia pensar nos últimos acontecimentos, mesmo que eu quisesse.
...

CONTINUA...

One-shot "Marcas - Parte I" de Samila Lages




Na segunda, dia 15 de agosto, foi o meu aniversário. Fiquei tão feliz com o carinho que recebi de amigos, conhecidos, leitores, familiares, etc. E Samila Lages, grande escritora brasileira, escreveu uma one-shot de No. 6 e dedicou a mim. Leiam a one-shot e não deixem de ir lá no blog dela deixar uma comentário. O link para o blog está no final dessa postagem. Obrigada pela homenagem Samila, você é um amor!
Marcas
Os olhos cinzentos brilhavam repletos de ira, numa demonstração tão forte e clara de emoções que Shion se perguntou se aquele era o mesmo Nezumi de sempre – e a resposta para sua própria indagação o assustou quando ouviu a voz naturalmente grave do maior sair quase como um rosnado baixo por entre os dentes, que ameaçavam trincar, tamanha a força exercida para não gritar.
-Você tem certeza disso, Shion? Tem certeza de que quer ser meu inimigo?
O menor engoliu em seco enquanto tentava conter o nervosismo – algo praticamente impossível devido à presença da mão raivosa de Nezumi em seu pescoço, pronta para apertá-lo caso se confirmasse aquilo que não queria ouvir.
O que Shion menos queria era magoar o moreno, e menos ainda gostaria de se separar dele. Já havia compreendido em seu coração a forte atração que os unia, mas mesmo assim não via outra saída, ao menos não enquanto mantivesse suas parvas e infantis convicções sobre igualdade e humanidade – as quais não passavam de tolices segundo Nezumi, que já lhe advertira tantas vezes – mas que mesmo assim não conseguia deixar de lado.
Apenas desviou os olhos e baixou a cabeça, como se afundasse em vergonha e auto-piedade por sua decisão de abraçar o papel de mártir.
E aquilo era algo que o outro não perdoaria.
-RESPONDE, SHION! –Nezumi gritou enfim, já não aguentando todo o ódio que ameaçava fazer seu peito estourar. Seus braços fortes erguiam o corpo do menor pelo colarinho da camisa. –VOCÊ VAI MESMO FICAR DO LADO DA NO.6? MESMO DEPOIS DE TEREM TE JOGADO FORA COMO LIXO? MESMO DEPOIS DE TEREM TENTADO TE MATAR? –Prensou ainda mais o corpo frágil contra a grande estante de livros, derrubando alguns deles.
O maior estava ciente da dor que causava em Shion, mas mais ciente ainda estava da própria dor. E daquela forma os dois permaneceram em um silêncio sofrido por alguns longos e insuportáveis instantes: Nezumi com chamas descontroladas em seus orbes cinzentos; Shion com uma vergonha que não permitia sequer que seus olhos vermelhos se erguessem.
-Você é um idiota mesmo... Você não aprendeu nada durante todo esse tempo. –O maior praticamente cuspiu suas palavras com desprezo, soltando-o enfim. A voz estava novamente baixa e controlada, mas tão cheia de mágoa que Shion jurou que poderia morrer de tristeza apenas em ouvi-la. -Tomara que te matem lá na No.6, senão eu que te matarei. –Falou dando as costas, indo em direção à porta. –Quando eu voltar, espero que você não esteja mais aqui.
O passo dado por Nezumi foi pesado e sofrido, como se em seus pés estivessem localizados todos os sentimentos que o atavam ao jovem de cabelos brancos. Por mais de quatro anos fora a lembrança do calor e da gentileza daquele garoto que o mantivera vivo, por isso ir embora parecia ser tão difícil. Não estava disposto a deixar para trás tantos momentos e milagres, mas dessa vez a escolha não era sua. Tudo que poderia fazer era sair antes para não ter que ver o outro partindo.
E talvez por isso seu coração tivesse ameaçado parar de bater quando sentiu um leve toque da mão de Shion em sua jaqueta, bem no seu braço. Mesmo que não o puxasse, que não o segurasse, aquele toque o conteve da mesma maneira que conteve por um instante o ódio que se agarrava e ameaçava romper seu coração.
Virou-se, talvez permitindo que um pouco de esperança brilhasse enfim nos olhos, que pareciam só conhecer a amargura. Viu Shion erguendo sua face, exibindo os orbes rubros trêmulos e envoltos em lágrimas enquanto abria a boca. Sua voz quase sempre suave saiu fraca e vacilante, repleta de dor e receio:
-“...um anseio desmedido por uma hipotética manhã em que os nossos olhos acordem para um mundo renovado nas trevas para nosso prazer, um mundo em que as coisas tomem novas formas e novas cores, e que tenha mudado, ou tenha outros segredo”.
Os olhos de Nezumi, até então esperançosos e adornados por alguma luz, pareceram desta vez perder qualquer brilho, até mesmo a da fúria que há pouco os dominava.
-O Retrato de Dorian Grey, hum? Quer dizer que isso foi tudo o que você aprendeu nesse tempo todo? –Riu em seguida, seu riso baixo e mentiroso, pois não achava graça nenhuma.
Riu de raiva e mágoa e, mergulhado nesses dois sentimentos, sem dó golpeou com seu punho a delicada face do menor, o qual não gritou nem se surpreendeu. Como se esperasse por aquele soco, Shion apenas aguentou e passou a mão pela marca avermelhada no rosto. O fato era que queria aquele soco em sua face, sentia que precisava dele, que o merecia.
Mas infelizmente aquele soco não servira como punição, e nem se fosse espancado conseguiria se perdoar pelo que estava fazendo. Mas ainda assim permitiu que suas lágrimas enfim rolassem enquanto encarava novamente a face zangada do amigo juntamente à sua mão erguida, prestes a socar-lhe novamente.
Não fechou os olhos, apenas continuou olhando para Nezumi, triste e sincero, enquanto o punho erguido que tremia abaixava-se na direção de sua face, tão suave e lentamente. Fechou seus olhos apenas quando sentiu o doce carinho dos dedos frios do moreno em sua bochecha.
Para continuar lendo, visitem o blog da Samila Lages clicando aqui.ir da pele amada.
Mas novamente Shion o deteve:
-Então me ensine. –Pediu seriamente, seu tom de voz tão firme quanto o maior jamais havia escutado antes.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Primeiro capítulo de Sweet Slave



Como forma de presentear meus leitores po r tudo o que eles fazem por mim, neste dia 15, meu aniversário, lhes darei de presente o primeiro capítulo da minha nova fanfic, Sweet Slave. Comentem, por favor. Ah e para quem não leu o prólogo basta clicar aqui.
Capitulo 1

Se os seus amigos da escola pudessem vê-la, pensou, certamente não a reconheceriam. Isabella Marie estava diante de um grupo de desconhecidos, de joelhos, implorando pela vida do pai, que se encontrava desacordado no chão. Chorava copiosamente, temendo que o homem diante de si, armado, disparasse contra o único familiar que restara.
-Eu imploro! Não o matem! –Pediu aos gritos, postando-se entre o pai e o homem desconhecido, ainda de joelhos. Os homens, um total de quatro, contando com o que estava armado, olharam-se, parecendo não saber o que fazer diante daquela cena que despertava compaixão até da mais vil das criaturas. Um deles sacou o celular do bolso da calça jeans, fazendo uma ligação. Por alguns instantes Bella acreditou que iriam ouvi-la e deixar o pai em paz, ou talvez fossem ligar para a pessoa que pediu pela execução de Charlie Swan e interceder por ela. Para seu total espanto e horror, as palavras proferidas pelo homem com o celular no ouvido não foram nada animadoras.
-Chefe, a filha do tal Swan está fazendo um baita escândalo. O que fazemos? Acabamos com a putinha também? –O rapaz, que aparentava ser tão novo quanto Bella, falou numa frieza espantosa. A jovem emudeceu por alguns instantes, temendo pela vida do pai e, agora, pela sua. Recompôs-se após alguns segundos, disposta a fazer de tudo pelo pai, inclusive oferecer a sua vida em pagamento a divida.
-Faço qualquer coisa! Diga ao seu chefe que faço qualquer coisa! Deve haver uma forma de pagar! Não temos dinheiro suficiente para cobrar a divida, mas eu posso... –A idéia mais absurda tomou sua mente, deixando-a nauseada. Como pagaria os duzentos e trinta mil que o pai devia a máfia em jogatinas? Nem se vendessem os poucos bens que ainda possuíam, Bella seria capaz de pagar alguma coisa. Havia, porém, uma forma de pagar, mas o pensamento era atormentador demais.
-A filha dele está dizendo que fará qualquer coisa para quitar a divida. O que faremos? O que o senhor decide? –O rapaz com o celular perguntou àquele do outro lado da linha e um silêncio perdurou por mais tempo do que Bella poderia suportar. Olhou para a figura lastimável do pai, completamente embriagado e com um corte na testa que adquiriu ao ser empurrado pelo homem que minutos atrás empunhava uma arma.
Pouco depois viu o celular ser desligado e guardado no bolso da calça do rapaz que até então conversava com alguém. Ele olhou para Bella e tinha um sorriso sacana dos lábios, fazendo a menina estremecer dos pés a cabeça.
-Você vem conosco. O chefe está bondoso hoje e quer negociar o pagamento da divida do seu pai com você. –Após Demetri, o homem do celular, falar isso, o outro homem chamado Felix guardou a arma, pegando Bella pelo braço e erguendo-a com certa brusquidão. A moça ficou desnorteada, sem saber se deveria aceitar e tentar salvr o pai ou acudi-lo, já que Charlie encontrava-se ferido.
-Não posso deixá-lo assim! –Gritou, afastando-se de Felix e voltando a se aproximar do pai. –Ele está ferido e precisa...
-Felix, carregue esse imprestável. Vamos deixá-lo em um hospital antes de irmos ao encontro do nosso chefe. –Demetri ordenou e Feliz assim o fez, contrariado por ser sempre ele a fazer o serviço pesado. Bella não ficou mais aliviada com a resolução do loiro, mas encontrava-se sem saída. Pegando o casaco e sua bolsa, até então jogada num canto da pequena sala, ela foi embora de sua casa com o pai desacordado e quatro homens desconhecidos em uma Van com os vidros peliculados.
Como sempre fazia em momentos ruins, Bella pediu aos céus por ajuda, prometendo em troca uma vida de devoção e, por que não, de celibato se Deus ajudasse a ela e ao pai. E como já acontecia há alguns meses, desde a morte trágica da mãe, ninguém parecia ouvi-la.
Sentada no banco de trás o mais afastada possível de todos aqueles brutamontes, Bella tentava estancar o sangue da testa do pai, pressionando um pedaço do seu casaco, recentemente rasgado por ela mesma, no local do ferimento. Continuou com suas suplicas aos céus, querendo despertar daquele pesadelo, e de tão absorva que estava não notou quando o carro estacionou em frente ao hospital.
-Felix, pegue o Swan e jogue-o ai. Rápido! –Demetri, que até então dirigia o carro, anunciou. Com relutância, Bella entregou o pai ao homenzarrão. Após alguns minutos, Felix voltou, sem o pai. E quando o carro pôs-se em movimento, ela sentiu um medo absurdo tomá-la. O que fariam com ela? Bella voltaria a ver o seu pai? Ela voltaria a ter a vida simples e cheia de obstáculos que até então vivia? Todo o tipo de medo a atacou enquanto seguia de carro, saindo do Bronx em direção a Manhattan. Temia que, em troca da vida do pai, a sua fosse subjugada. Porém, ao refletir um pouco mais sobre sua condição, julgou esse um fim melhor, uma vez não se via capaz de suportar uma nova perda.
Procurou ocupar a mente com qualquer coisa e, sem querer, momentos felizes foram lembrados: os finais de semana na casa da falecida avó, os jantares com os pais, o sorriso gentil da mãe,... Lembranças de uma época onde tudo era mais simples, quando Bella era apenas uma adolescente com preocupações tolas. Desde a morte da mãe, vitima de um assalto nas ruas soturnas do Bronx, sua vida mudara completamente. O sonho de ir para algum lugar e estudar em uma boa universidade minaram, pois precisou deixar tudo em segundo plano para cuidar do pai. Charlie ficou inconsolável após a morte da esposa, entregando-se a bebida e aos jogos de azar. Suas atitudes imprudentes resultaram em seu afastamento de seu trabalho como policial, comprometendo a situação financeira da família Swan. Sem alternativa, Bella arranjara um emprego em uma loja de departamentos, contando com a paciência de seu chefe para liberá-la toda vez que recebia uma ligação de algum vizinho, avisando que Charlie estava bêbado, quebrando objetos na casa.
Apesar dos problemas que rodeavam sua vida, a menina tentava se reerguer, trabalhando duro e cuidando da casa e do pai. As coisas, no entanto, deram uma guinada radical... Para pior. Charlie conseguira uma divida enorme com um rupo de criminosos e Bella soubera apenas quando eles vieram cobrar a divida e para paga-la, exigiram tão somente a vida de Charlie.
Agora Bella seguia naquele carro, com quatro homens desconhecidos, sem destino certo. Apavorou-se ao ver que a Van entrava na garagem de um prédio, indo para a parte mais afastada, onde não haviam carros estacionados e tampouco pessoas. A mente de Bella trabalhava rápida graças à adrenalina, pensando em meios de escapar. Notou, tardiamente, que havia outro carro estacionado. Era uma luxuosa Limusine preta e, encostado na lateral do carro, estava uma menina de aparência jovem, muito bem vestida.  
-Vamos. –A porta ao seu lado abriu e Felix puxou-a pelo braço bruscamente. –Ela é toda sua Jane. –O homenzarrão disse, praticamente jogando Bella para o lado da garota. Jane a olhou dos pés a cabeça com um olhar de frieza indescritível. A tal Jane abriu a porta da Limusine e Bella recebeu um pequeno empurrão de Felix para entrar. Ela assim o fez, sentindo um frio na espinha.
O que encontrou lá foi um homem maduro, com os seus quarenta e cinco anos mais ou menos, vestido com pompa. Só havia aquele homem no interior do carro, mas isso não tranquilizou Bella.
-Olá Isabella. –Disse o homem, estendendo a mão para um cumprimento, mas Bella não fez menção de se mexer e ele recolheu a mão, sem parecer se abalar com a postura da garota.
-O que eu posso fazer para pagar a divida do meu pai? –Perguntou com a voz num tom rude, olhando agora para frente. Aro ajeitou-se melhor do estofado de couro do carro, com os olhos fixos em Bella. Um silêncio incômodo perdurou, o que Bella estranhou, fazendo-a virar e encará-lo novamente. O homem a olhava dos pés a cabeça e ela não gostou nada daquele olhar sobre si.
-Meu nome é Aro Volturi, minha cara, e é comigo que o seu pai adquiriu uma divida considerável. Ele se recusou a pagar e por isso eu havia decidido pela sua morte. No entanto, a filhinha interviu e, bem, repensei minha decisão. –Os olhos de um castanho estranho, quase rubros, não paravam de olhar para cada centímetro do corpo da menina, deixando-a atemorizada.
-Eu faço qualquer coisa por ele. Apenas diga o que eu preciso fazer. –Sua voz não tinha firmeza alguma. Ela, de alguma forma, sabia o que Aro diria antes do mesmo se pronunciar.
-A divida do seu pai é grande, cerca de trezentos mil. Não acho que vá conseguir pagar se você se desfizer de todos os seus bens. No entanto, há uma forma mais fácil de conseguir o dinheiro. –Aro fez menção de pegar uma mecha dos cabelos de Bella, mas ela repeliu sua mão com violência.
-Diga! –Inquiriu raivosa com aquela tortura psicológica imposta pelo sujeito diante de si. Aro soltou uma gostosa gargalhada, divertido com o comportamento agressivo da menina diante de uma situação em que claramente deveria ficar quieta.
-Benzinho, mulheres tem algo que certamente lhes garantem uma boa renda. Eu tenho um negocio extremamente lucrativo, além dos jogos de azar... –Aproximou-se lentamente, como um ofídio a rastejar até sua presa, deixando Bella congelada. – Eu trafico mulheres.
Bella segurou a respiração e o pânico incitava seu corpo a cair na inconsciência. Procurou se manter firme, temendo desmaiar e acordar em um lugar estranho num situação horrível.
-O que exatamente quer de mim? –Perguntou, numa voz falha, afastando-se minimamente do Volturi. Aro recostou-se novamente no banco.
-Irei leiloa-la em meu próximo “evento beneficente”. Só assim eu conseguirei o dinheiro necessário para quitar a divida do seu pai. Não se preocupe, pois apenas pessoas da mais estirpe frequentam meus leiloes. Você poderá ter uma vida de princesa, se souber levar a situação. 
-Me leiloar? Tipo... Eu serei comprada e passarei a ser objeto do comprador? –Em sua cabeça passava todo o tipo de imagens, a maioria de noticiários a respeito do que acontecia com mulheres vendidas por familiares ou aliciadores a homens. Definitivamente Bella estava em maus lençóis, mas se pudesse salvar a vida do pai, ela não hesitaria.
-Sim, minha querida. Mas não se preocupe. Como prova do quão benevolente eu sou, farei o possível para arranjar um bom comprador para você e posso até colocar o seu pai em uma clinica de reabilitação. Sei que ele é alcoólatra.
Bella emudeceu. O que ela mais ansiava desde o aparecimento do problema com a bebida do pai, poderia se realizar. Quis muito que o seu pai se tratasse, mas não tinha dinheiro para pagar por uma clinica. Agora aquele homem oferecia isso e ela, mais uma vez, não pode dar as costas para a oferta. Ainda sim precisava saber o que aconteceria se ela se negasse.
-E se eu recusar sua proposta? –Perguntou, olhando de esguelha para Aro. O sorriso que o homem lhe lançou era gentil, mas Bella já sabia que aquilo tudo era fachada.
-Então terei que dar fim ao seu pai, pela dívida, e a você, por saber demais. –Falou num tom desinteressado, como se estivesse falando sobre um assunto qualquer e não a vida ou a morte de duas pessoas.
-Eu não tenho escolha... –Murmurou, sentindo o desespero tomá-la de forma nauseante. Ainda que tivesse experiência quando se tratava de sexo, o que não era o caso, Bella não se via entregando-se a outro homem, um mero desconhecido.
Aro parecia se deliciar com a situação da moça e isso era perceptível através do brilho maligno que os seus olhos escuros emitiam.
-Infelizmente não tem minha querida. Olhe, eu estou oferecendo uma segunda chance, algo que não fiz a ninguém. Aceite ou arque com as conseqüências. Sou um homem muito ocupado para perder o meu tempo com coisas tolas. –Parecendo subitamente enfadado, Aro bateu os pés no chão e olhou para o relógio de pulso caro. Era a hora, Bella pensou. Ela teria que dar uma resposta que certamente mudaria todo o curso de sua vida.
-Eu aceito. –Murmurou. Não queria encarar o algoz a sua frente, por isso olhou para fora do vidro peliculado da limusine.
-Muito bom. Seu pai irá para uma clinica de reabilitação como eu prometi e você virá comigo. –As palavras que indicavam imediatismo alarmaram Bella.
-Espere, você fala de eu ir com você agora? Eu preciso me despedir do meu pai de alguma forma e separar algumas coisas e... –Falava rapidamente, incoerente.
-Será melhor não entrar em contato novamente com o seu pai. Uma despedida que não deixará marcas. Quanto aos seus pertences... Bem... Com a vida de princesa que a espera, seu dono não permitirá que seu corpo seja coberto com pedaços de pano inferior a sua condição. –Aro sorria, como se suas palavras sobre o conforto que supostamente Bella encontraria nessa barganha fossem deixá-la feliz. No entanto, a menina não se impressionou com tais promessas. Bella sempre fora desapegada de coisas materiais e não seria agora que se apegaria a elas.
-Mas como eu terei a certeza de que cumprirá sua parte? Falo da internação do meu pai em uma clinica e de que nada fará a ele? –Perguntou, desconfiada com a “gentileza” daquele homem.
-Minha cara, deixe tudo comigo. No momento certo você saberá como o seu pai está e em que clinica ele estará internado. Como forma de agradecer sua colaboração sem que eu precise sujar as minhas mãos, eu cuidarei de tudo. –Aro virou-se para frente, encarando o motorista pela pequena janela por onde poderia se ver a cabine do carro. –Vamos ir em frente. –Ordenou, sendo prontamente atendido.
Ver as ruas movimentadas novamente foi um alivio passageiro. Sem querer, a mente de Bella trabalhou na hipótese de fugir, embrenhando-se na multidão. Poderia salvar a sua vida assim, mas e quanto à vida de seu pai? Ela sabia que não seria capaz de virar as costas para o único familiar vivo que tinha.
-Ah, senhorita Swan, eu tenho uma pergunta importante a fazer. –Aro rompeu o silêncio. Bella permaneceu calada e com os olhos em qualquer outra direção.
-Diga.
-Por que acaso a senhorita seria virgem? –Quis saber o homem, olhando novamente para o corpo da jovem. Isabella corou violentamente e os tremores do seu corpo por pouco não se transformaram em violentos espasmos.
-Sim... –Murmurou.
-Importa-se se eu comprovar o que você alega? –E com estas palavras Bell retraiu-se para o mais longe possível de Aro do que o espaço interno da limusine permitia. Estava atemorizada com a ideia de um homem tocá-la. Se a ideia de Aro encostar nela já era repugnante, como Bella poderia ficar tranquila ante a ideia de outro
-Acalme-se! Uma médica fará a verificação e não eu! Eu preciso e um atestado comprovando sua virgindade. Assim o seu preço ficará bem maior. –Dizia Aro satisfeito, com um sorriso de orelha a orelha. Sentindo-se acuada, Bella acabou por concordar, feliz ao comprovar que de fato uma médica faria a verificação. No entanto, após receber o atestado de sua pureza, sentiu que aquilo e não garantiria nada de benéfico a ela e sim ao criminoso, que lucraria mais as suas custas.
O coração palpitava descompassado no peito, a respiração estava pesada e todo o seu corpo parecia tremer. O caos reinava em sua vida e não se via capaz de fugir do triste destino que Aro pintava a sua frente. Resignou-se, rezando aos céus por um milagre.
...
Quando Aro disse que a levaria a um lugar onde poderia procurar um possível comprador e assim fazer com que sua divida fosse quitada, Bella não imaginou que entrariam em um luxuoso hotel. Imaginou algo mais bizarro, como um bordel mau cheiroso, cheio de prostitutas decadentes. E mesmo que o local fosse deslumbrante, o tipo de ambiente que Bella nunca freqüentaria normalmente, sua aflição não diminuiu.
Após sua decisão, fora levada ao tal hotel, entrando no local junto a Aro por uma entrada oculta de tudo e de todos. Após pegarem o elevador, foram para o quarto ou quinto andar (Bella não decorara) e ela foi levada a uma pequena sala. E agora estava na pequena sala, de decoração simples, mas requintada, sendo vigiada por um segurança uniformizado. Tranqüilizou-se por, ao menos, não ser um dos homens de Aro que a abordou em casa junto ao pai. Nervosa como estava, acabou por beber a água que estava em um jarro de vidro, próximo a ela em uma mesinha de madeira trabalhada. Como um copo não foi o suficiente para acabar com a sede, tomou outro, e mais outro, e outro.
À medida que os minutos avançaram, preocupou-se com a demora do magnata. Aro a deixara sozinha naquela sala e disse que tinha assuntos a resolver. Bella estava aflita, não somente por estar naquele lugar cercada por desconhecidos, mas também por que não sabia como estava o seu pai. Ele estaria sendo bem tratado no hospital onde fora deixado? O ferimento feito por um dos capangas seria sido grave? Aro cumpriria sua parte no acordo? O que aconteceria a ela após ser vendida como uma mercadoria a um desconhecido?
O nervosismo pareceu deixa-la com a boca cada vez mais seca e foi sorvendo a agua que lá havia. Após saciar-se por completo, sentiu uma sonolência tomá-la de súbito. Esfregou os olhos, se ocupou da leitura e uma revista, beliscou-se, mas nada parecia tirá-la do torpor.
“O que está acontecendo?” – Sentiu um desespero toma-la, mas este sentimento foi sufocado por aquele estranho torpor que a envolvia. Os pensamentos foram ficando incoerentes e logo o corpo frágil da menina tombou para o lado.
O que aconteceu nos minutos seguintes foi caótico demais para erem registrados por uma mente tão perturbada como a de Bella estava. O que antes era uma sala com apenas um segurança, logo se transformou em uma sala com pelo menos quatro pessoas. Uma delas, Bella reconheceu precariamente, era Aro.
Após alguns minutos do que pareceu ser uma conversa, ela sentiu seu corpo ser içada, caminhando trôpega com a ajuda de dois seguranças. As imagens do local pareciam um borrão, até mesmo das pessoas que a cercavam. Queria dormir, mas uma voz lá no fundo podia para que se mantivesse o mais consciente possível.
Luzes fortes demais, vultos, vozes ou altas ou baixas demais... Tudo e tornou um turbilhão de sensações precariamente captadas pelo sentido da jovem. Estava drogada, ela sentia, e não havia nada que pudesse fazer. Agora era uma presa fácil nas mãos de seus algozes.
Em um dado momento ficou diante do que pareceu ser uma plateia, sendo obrigada a ficar de pé pelos mesmos seguranças que a arrastaram até ali. Olhou para um ponto fixo, sem ver nada, apenas por que mexer a cabeça para lá e para cá parecia exaurir suas forças. Uma náusea a atingiu, mas o cansaço sentido era o sentimento predominante. Em alguns momentos não soube se ainda estava acordada ou se vivia um sonho, se os seus olhos estavam abertos ou fechados... Se ainda estava viva ou estava morta.
Bella sentiu, por alguns instantes, como se o seu corpo estivesse flutuando; talvez tivesse adormecido como desejou. Mas em algum momento sua consciência foi voltando a pôde captar, ainda que precariamente, uma conversa próxima a ela.
-... Ela vai ficar assim por um tempo, por que bebeu muito da agua batizada que havia na sala. Talvez seja melhor que esteja dopada, assim não causará problemas. –Não reconheceu a voz que falava, identificando apenas como uma voz masculina.
-Por que ela ainda está de lingerie? Deveriam cobri-la após a exibição no palco! –A outra voz parecia irada. A preocupação daquela pessoa em cobrir a sua suposta nudez teria comovido Bella, se ela estivesse sã o suficiente para se importar.
-Os seguranças fariam isso daqui a alguns minutos, senhor Culeln. –Falou o outro, conciliatório.
Cullen? Este era o sobrenome da voz raivosa que se importou com Bella o suficiente para cobri-la com algo?
-Não, eu não quero que eles a toquem, principalmente agora que ela me pertence. Veja só estas marcas, graças à brusquidão com que a despiram! Está tudo acertado com Aro. Ela é minha agora.
Aquela ultima frase pareceu ressoar em todo o seu corpo, despertando-a um pouco da letargia. Quem era o tal Cullen que dizia com tanta propriedade que Bell pertencia a ele? O chão pareceu sumir debaixo de si e sentiu-se flutuar, como se alguém a carregasse nos braços. Aninhou-se naqueles braços que a envolviam, sentindo um peitoril duro onde recostou a cabeça. Estranhamente lembrou-se do pai, quando a carregava para o quarto após Bella dormir em um dos sofás enquanto assistia TV.
-Vai me levar pro meu quarto...? –Murmurou num fio de voz. Logo a inconsciência a levaria. O silêncio só durou poucos segundos.
-Sim, eu estou levando você para o seu quarto. Para a sua casa. Agora durma.
Um barulho de um carro sendo ligado soou bem longe e logo não ouviu mais nada. 

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

One-shot de No. 6: A terrible dream


One-shot com personagens do anime/mangá/novel No. 6
Música: Sleeping awake - P.O.D.
Título: A terrible dream


Deitado naquela relva enquanto era engolido pela mãe-natureza. Sim, Nezumi já havia sonhado estar naquele lugar. Esperou pela voz sussurrante, fazendo-lhe promessas, como ocorrera naquela vez, mas nada ouviu. Levantou-se e olhou para mais além.
Nada.
Poderia estar sozinho? Alguém apareceria para ele? Da ultima vez em que sonhara estar ali, havia um enxame de abelhas e a voz de uma mulher. Decidiu, por fim, caminhar a esmo. Talvez encontrasse algo que pudesse explicar o porquê daqueles sonhos perturbadores. Que melhor fonte de conhecimento senão dentro do próprio sonho? Pôs-se a vagar sem direção, olhando ao redor, guiado pelo astro maior, o Sol, acima dele.
O mato estava deveras alto, mas não se incomodou. As suas roupas cobriam boa parte do corpo, afinal, e, mesmo que estivesse nu em pêlo, sendo um sonho ele nada sentiria. Será? Em meio às incertezas do que deveria fazer enquanto sua mente estava desligada do corpo, ouviu ao longe algo...
Nezumi
Aquela voz... Ah, Nezumi reconheceria em qualquer lugar! Olhou envolta, louco para encontrá-lo, mas não viu ninguém. Talvez fosse uma peça pregada pela sua mente, a fim de deixá-lo confuso.  Poderia ter ignorado o chamado e seguido adiante, mas novamente a voz soou, num eco perturbador.
Nezumi
E Nezumi se viu incapaz de negar aquele chamado, ainda que tudo não passasse de um sonho.
-SHION! –Gritou, correndo como um louco, sem direção alguma. Seu nome continuou a ser convocado por Shion e, em meio aquele lugar gigantesco, era difícil definir de onde vinha a voz. O chão sob os seus pés subitamente desapareceu e Nezumi rolou pelo que lhe pareceu horas até o fim do barranco. Não se machucou, porém. Ainda sim permaneceu deitado, de olhos fechados, enquanto o vento brincava com os seus cabelos. Sentiu um toque em seu rosto e despertou, encontrando com um Shion de apenas doze anos de idade.
Lembrava-se nitidamente daquele garoto, mesmo com os quatro anos passados desde o primeiro encontro. Shion, o menino com o nome de uma flor silvestre, o ajudara em um momento desesperador. Pela primeira vez desde que nascera, Nezumi, naquela noite chuvosa, conheceu o calor de alguém. E tamanho foi o seu encantamento pelo estranho garoto que durante quatro anos o monitorou, até tomá-lo para si. E mais lembranças tomaram a sua mente enquanto, lentamente, sentava-se, ainda encarando aquele menino.
Shion lhe sorria docemente e pegou sua mão, ajudando-o a se levantar. Nezumi, naquele momento, deixara o corpo de um rapaz de dezessete anos e regressou a idade em que o seu caminho cruzou com o de Shion: treze anos. 
-Vem! Quero mostrar o lugar para você! –Bradou Shion, guiando Nezumi para mais além, em direção a uma bonita floresta. O lugar era realmente deslumbrante, cercado de verde e cores das mais lindas flores silvestres. Os meninos inclusive encontraram a flor Shion entre algumas madressilvas.
Riram, caminharam, brincaram... O “Rato” experimentou a infância naqueles poucos instantes ao lado de Shion. Nezumi sentia-se muito mais do que um bicho desdenhado pelos demais; Nezumi sentia-se vivo e humano. Somente Shion era capaz de proporcionar tamanha paz. Ninguém mais.
O passar dos minutos pareciam pesar anos para os dois. Shion foi crescendo entre uma brincadeira e outra, até transformar-se em um rapaz de dezesseis anos. Nezumi foi crescendo, criando corpo, e retornando a sua condição inicial de um jovem de dezessete anos. Aquela mudança abrupta era mais uma certeza de que aquilo tudo era um sonho, Nezumi pensou.
Em um dado momento, Nezumi distraiu-se o suficiente para perder Shion de vista. Pôs-se a procurá-lo, caminhando por entre as árvores despreocupadamente.
-Shion? –Chamou, mas não obteve resposta.
À medida que o tempo passava, Nezumi foi ficando apreensivo. Chamou pelo rapaz mais algumas vezes, sem, porém, ouvi-lo dizendo alguma resposta. E então as árvores abriram-se em uma campina e Nezumi pôde ver Shion novamente... Mas o que viu o deixou atemorizado.
Shion estava de costas para ele, olhando um enxame acima da cabeça alva do rapaz. Nezumi quis correr, avisá-lo do perigo que aquelas abelhas representavam, mas não encontrou voz para falar e nem seu corpo a fim de impedir que alguma coisa ruim acontecesse. E viu, com pavor, o enxame se aproximar de Shion, ao ponto de engoli-lo. Ouviu os gritos e os chamados de Shion pelo seu nome. Tentou ajudar, mas nada pôde fazer. E a tristeza por perdê-lo, a impotência, tudo isso foi demais.
-SHION! –Gritou, levantando-se de súbito. Estava em seu quarto, deitado em sua cama estreita. Shion dormia ao seu lado, a cabeça encostada no peito alvo do rato. Tudo estava como deveria estar. Ainda sim, mesmo que tudo fosse um pesadelo, algo em Nezumi parecia alertá-lo que aquilo era um aviso. O futuro dos dois era incerto, Nezumi sabia, e a fixação de Shion pela No. 6 não ajudava a mantê-los a salvo. Da última vez, Shion fugira para entrar as escondidas na No. 6. Se não fosse pela habilidade sem igual de Nezumi, não teria encontrado e arrastado o rapaz de volta. Estava cada vez mais difícil monitorar Shion e impedi-lo de fazer alguma bobagem, refletiu. E temia, como temia, que o seu sonho se concretizasse.
Ainda envolto nos resquícios do pesadelo, levantou-se, cobrindo o tórax desnudo com a jaqueta de couro preta que usava. Saiu descalço do quarto, para fora do lugar onde morava.
A noite estava como todas as outras noites: fria e com um céu absurdamente estrelado. Ao longe se via as luzes da No. 6, enquanto o local onde ele estava era tragado pela escuridão. Sentou-se no chão, encostando suas costas no que sobrara de um muro. Encontrou seu maço de cigarros dentro de um dos bolsos, assim como um velho isqueiro, e acendeu o cigarro, pondo-o na boca. Se Shion o visse agora certamente brigaria, o novo hábito de Nezumi em nada agradava o rapaz. Deu uma profunda tragada enquanto a mente estava longe, tentando pensar em uma forma de se preocupar apenas com os problemas cotidianos da cidade onde ele vivia que já não eram poucos.
-Deveria estar na cama. –O moreno falou, sentindo a presença do outro antes mesmo de olhá-lo. Shion caminhou até ele, vestido com uma cueca boxer preta e uma camisa emprestada de Nezumi. No ombro repousava uma grossa manta que caia até os joelhos.
-Você também. –Shion respondeu, sentando-se ao lado do moreno e cobrindo-os com a manta que antes envolvia apenas a ele. Disfarçadamente Nezumi apagou o cigarro, sem querer levar bronca.
Um silêncio confortável se instalou e os dois fitaram a No. 6 a sua frente. Subitamente Shion descansou a cabeça no ombro de Nezumi, aproximando ainda mais os corpos.
-Teve um pesadelo? –Shion perguntou com brandura, sem olhar o rapaz diante de si.
-Não. –Respondeu o moreno, direto. Ouviu um pequeno riso de Shion.
-Está mentindo. Isso não combina com você, mentir. Eu ouvi você gritando o meu nome. Acordei nesse momento. Você sabe que pode me contar qualquer coisa. –E aqueles olhos castanho avermelhados fixaram-se na figura de Nezumi. Diante daquele momento de cumplicidade, foi impossível para o Rato negar-se a falar.
-Tive aquele mesmo sonho. Contei a você. –Olhou para o rapaz ao seu lado.
-O sonho na campina onde havia abelhas parasitas? –Perguntou Shion, tendo como resposta um leve assentir de cabeça.
-Era o mesmo lugar, mas estava diferente. Não encontrei aquela voz ou as abelhas. Encontrei você e... –A voz travou e tentou se recompor imediatamente. –Você foi engolido pelas abelhas. Não consegui fazer nada além de assistir. –Os olhos prateados pareciam olhar sem ver. A mente de Nezumi relembrava o pesadelo como se estivesse vivendo novamente aquele tormento. E nem mesmo ter Shion ao seu lado, sentir o calor daquele corpo que tanto provou, aplacava as suas incertezas.   
Um toque gentil no seu rosto fez com que se concentrasse no aqui e agora. Shion acariciava a face do moreno e Nezumi pensou em como as coisas estavam diferentes. Antes repugnava qualquer toque, pondo-se em modo de defesa e atacando aquele que cometia tamanha ousadia. Ainda agia dessa forma tão precipitada, afinal de contas fazia parte da sua natureza. No entanto, apenas o toque gentil de Shion aplacava seus instintos, permitindo-se relaxar, apreciar e tantas coisas mais.
-Foi só um pesadelo. Isso não vai acontecer. E ainda que aconteça, acho que sou imune a elas. Eu sobrevivi afinal. –Shion e sua eterna confiança! O que dizia poderia ser até verdade, mas ainda havia muitos perigos que cercavam a No. 6. As abelhas parasitas eram apenas a ponta do iceberg.  
-Sobreviver uma vez a um ataque da No. 6 não significa que escapará da próxima. Apesar do tempo aqui, sob os meus ensinamentos, você continua o mesmo garotinho ingênuo sem nenhuma defesa! –A voz rouca de Nezumi com aquela velha raiva contida calou Shion. E mesmo temeroso da reação explosiva de Nezumi, decidiu confrontá-lo, querendo restituir o orgulho ferido.
-Não sou indefeso. –Murmurou, evitando os olhos prateados de Nezumi. Ante aquela afirmação, Nezumi teve de sorrir. O sorriso, porém, não foi gentil. Não havia gentilezas naquele sujeito afinal. Seu sorriso era sarcástico, zombeteiro, excitante.
-Não é? Hmmm... Acho que terei de provar a você.
-O que você... NEZUMI! SOLTE-ME! –Gritou Shion enquanto era carregado nos braços por Nezumi. Caminhou apressadamente de volta ao quarto e, ao chegar lá, jogou Shion na estreita cama. Shion nada pôde fazer enquanto Nezumi o imobilizava na cama com o seu corpo, segurando os pulsos do rapaz e mantendo suas mãos acima da cabeça.
-Eu vou provar a você o quão indefeso é. –Sussurrou Nezumi, arrebatando os lábios de Shion com força. A princípio Shion resistiu atordoado demais com o ataque. Pouco a pouco, enquanto Nezumi compelia-o a entregar-se aquele beijo insano, o rapaz foi relaxando, deixando o moreno fazer o que quisesse. E as mãos alvas que antes prendiam os pulsos de Shion, escorregaram para cima, entrelaçando os dedos.
A língua intrépida de Nezumi penetrou sem aviso a cavidade bucal de Shion, acariciando o céu da boca e tantos outros lugares, convidando a língua do companheiro a dançar. Shion, mesmo já acostumado aquele contato, sempre se sentia perdido. E não eram apenas os beijos do rato que provocavam tamanho atordoamento e histeria, até mesmo um olhar poderia fazê-lo sem dificuldades.
Mais beijos foram sendo distribuídos pelo rosto, pescoço, ombro e omoplata. As mãos de Nezumi, com a mesma precisão com que manipulava um punhal, foram rápidas e eficientes na hora de despir Shion uma vez mais. E Shion continuou naquela posição passiva. Não que ele não quisesse agir, queria, mas Nezumi o impediu, na tola proposta de mostrar o seu poder e o quão fraco Shion era.
Acariciou com demasiada força o corpo andrógino do rapaz, marcando-o aqui e ali enquanto o tocava. A língua percorreu os pontos mais sensíveis de Shion, desde o mamilo até a parte interna da coxa. Shion gemia, intercalando tais sons com o nome de Nezumi. Beijou cada poção do corpo magro, evitando propositalmente o membro, deixando Shion louco.
Após alguns instantes perdido naquelas caricias, uma parte da racionalidade de Shion despertou, fazendo com que o jovem quisesse demonstrar que poderia sim defender-se, inclusive do poder de sedução do rato. Conseguiu afastá-lo e o obrigou a deitar-se na cama. Shion ousadamente sentou em cima do quadril de Nezumi, pressionando suas mãos no peito rijo, coberto apenas pela jaqueta de couro.
-Você andou fumando! –Acusou Shion, retirando o maço de cigarros e um isqueiro de um dos bolsos e jogando-o longe.
-Precisei de um trago. Qual é o problema? –Desafiou Nezumi, pegando Shion de surpresa e fazendo o menino deitar novamente, de costas para Nezumi. Deitou-se sobre Shion, pressionando seu quadril nas nádegas do rapaz. Shion soltou uma exclamação alta.
-Você está me desafiando, querendo medir forças comigo sem possuir tal coisa. Vou ensiná-lo a ficar no seu lugar. –Dizendo isso, Nezumi colocou Shion de joelhos, ainda com o tronco deitado sobre a cama. O rato abaixou as calças e não tardou a penetrar o corpo de Shion com demasiada força.
-IDIOTA! ESTÁ MACHUCANDO! –Esbravejou Shion, segurando fortemente os lençóis.
-Ora... –Disse Nezumi enquanto investia lentamente contra o corpo miúdo e Shion. -... Você falou um palavrão! Algo inédito para alguém daquela cidade cheia de ignorantes. Minha influencia está sendo benéfica afinal.  –Outra investida e mais um gemido.
Tão rápido como um felino, Nezumi novamente agiu, forçando Shion a deitar-se de costas. Shion estava prestes a protestar pela rudeza com que estava sendo tratado, mas calou qualquer imprecariação que poderia ter dito ao olhar a face do moreno. Nezumi o olhava sério, ou talvez não olhasse para Shion e sim para algo que não estava ali. Estava avoado, Shion constatou.
-Esqueça essa idéia estúpida de ir a No. 6 avisar as autoridades o que está acontecendo. Se você for, será morte na certa, ou pior: você se debandará para o lado deles. Não há futuro para você lá, nunca houve.
-Mas eu não... –Shion calou-se ao sentir a jugular ser envolvida por uma das mãos de Nezumi, apertando o local.
-Shion, maldito, eu o mato se ousar ir para lá! Eu o amo demais para deixar você ser subjugado por aqueles cretinos! E não suportaria uma traição. Se é para morrer, que morra pelas minhas mãos. Ao menos eu prometo ser gentil. –Inclinou-se, deitando-se sobre Shion.
O beijo de agora fora um pouco mais calmo e as mãos que antes mais machucavam do que acariciavam, passearam lentas pelo quadril de Shion. Shion decidiu dar fim a discussão, sabendo que Nezumi não gostaria nada de saber que a idéia de ajudar a população da No. 6 não havia abandonado seus planos. Sem se importar quem era a presa ou o predador naquela noite, entregou-se mais uma vez ao apaixonado amante.  

Estou postando minhas one-shots no nyah. Gostaria que comentassem lá também. 

terça-feira, 9 de agosto de 2011

One-shot de No. 6: Não vá!


One-shot com personagens do anime/mangá/novel No. 6
Música: Sweet Talk Radio - Dotted Lines
Título: Não vá!

Aquele, possivelmente, era o momento mais difícil da vida de Shion. Permanecer na inércia ao lado da pessoa que amava ou salvar a vida das pessoas, conhecidas ou não, que ainda residiam na No. 6? Não chegou a titubear, a decisão já havia sido tomada. Erguendo-se do sofá gasto onde estivera sentado, ele olhou para a porta.
-Eu preciso ir. Não posso deixar que as pessoas sofram com as abelhas parasitas. –Disse, olhando de esguelha para o moreno. Nezumi, em pé diante de uma estante cheia de livros, não se dignou a olhar para o seu companheiro. Embora o medo e raiva grasnassem em sua mente, procurou manter-se tão impassível como sempre.
-Não preciso reforçar o que eu penso sobre a sua decisão. Você vai morrer antes mesmo de avisar a um único ignorante daquela cidade! –Cuspiu as ultimas palavras, alterando a voz. Nezumi nunca explicara o porquê de seu ressentimento para com a cidade e Shion, vendo o quando o assunto atormentava o rapaz, desistiu de perguntar. Fosse à razão mais tenebrosa ou amena, nada impediria o garoto de cabelos alvos a seguir com o intrépido plano de adentrar a cidade e conversar com as autoridades competentes. Algo precisava ser feito e ele parecia o único disposto a tomar uma atitude.  
-Ainda sim eu preciso tentar. Se eu nada fizer não somente a minha mãe e Safu, como também todos os habitantes morrerão. Talvez você não me entenda agora, mas um dia... –E quaisquer palavras que poderiam ser ditas por Shion silenciaram. Nezumi o empurrou contra a estante de livros, derrubando alguns exemplares. Segurava Shion pela gola do casaco, quase o erguendo do chão.
-SEU GRANDE IDIOTA! VOCE NÃO ENTENDE? VAI MORRER ANTES DE AVISAR A ALGUEM! OU TALVEZ ELES FAÇAM ALGO PIOR A VOCE DO QUE SIMPLESMENTE MATÁ-LO! –Trovejou, ignorando os protestos do rapaz diante de si. A idéia de perder Shion era o seu maior tormento. Nunca pensou que o dia em que a vida de Shion correria perigo iria chegar. Agora era diferente. Nezumi, com toda a sua experiência, por pouco não definhou. Uma criatura bondosa e sem nenhum senso de sobrevivência como Shion não duraria nada.
-Isso é problema meu! SOLTE-ME! –Shion exigiu, conseguindo empurrar Nezumi. Caminhou apressadamente até a porta, mas não chegou a sequer tocar a maçaneta. Nezumi o agarrou pelo capuz do casaco, jogando-o violentamente na cama. Deitou-se sobre o rapaz, imobilizando-o com o seu peso. As mãos de Shion foram agarradas por apenas uma mão de Nezumi, colocando-as acima da cabeça alva do rapaz.
-Não vou permitir... Não depois de tudo! –Apesar do tom mais baixo, aquelas palavras foram sussurradas com um jorro de emoções. Shion se permitiu olhar para Nezumi e o que encontrou naqueles olhos cor de meia noite... Deus! Aqueles orbes prateados já refletiram muitas coisas e Shion fora testemunha. Ódio, indiferença, aborrecimento, seriedade... Mas nunca aquilo. Aqueles olhos transmitiam um desespero sem igual, a insanidade claramente tocando os pensamentos de Nezumi. Não, não era apenas o descontrole... Havia algo mais, muito mais.
-Nezumi... –Shion murmurou, sem saber o que mais dizer ao rapaz. Com a mão livre, Nezumi acariciou freneticamente o rosto do rapaz, de novo e de novo.
-Não posso perder você. Eu tenho apenas você. Não me abandone. –A voz estava estranhamente embargada. Shion chocou-se com aquele comportamento, tão atípico de Nezumi. Sim, ele voltara a ser aquela criança de quatro anos atrás, necessitada de calor humano. Ou talvez sua condição fosse mais patética, e imensamente adorável, do que aquela época.
Nenhuma palavra foi trocada. Não era necessário. Shion relaxou e esperou. Não tardou até Nezumi tomar a iniciativa, como sempre. Inclinou-se sobre o menino (sim, Shion ainda era apenas um menino com os seus sonhos) e beijou com sofreguidão os lábios rosados e macios. As mãos fortes e capazes de Nezumi, sempre prontas para manobrar um ataque, detinham-se unicamente em explorar o corpo andrógino de Shion, em toda a sua extensão. Shion correspondeu timidamente o beijo, ainda envolto em sua inexperiência, mas não tardou a ser participante ativo do beijo tal qual Nezumi era. Nezumi era um mestre na arte de ensinar e Shion, como o próprio “Rato” dissera algumas vezes, era um aprendiz dedicado.
Iguais, eram assim que os dois amantes estavam, após alguns minutos de entrega. Shion não mais se reconhecia e, com toda a sinceridade, isso não importava. O que importava eram os beijos de Nezumi, seu toque, sua respiração quente contra o pescoço de Shion e tantos outros lugares e aquele olhar capaz de aquecer o Ártico. Ignorando sua condição intocada, entregou-se sem reservas ao moreno, querendo saborear aqueles instantes gloriosos antes do fim. Sim, o fim. Talvez Nezumi não percebesse, mas nada poderia demover Shion de seu plano, nem mesmo a promessa tentadora de ter sempre Nezumi sendo seu. Por isso mergulhou naquele momento, sabendo que quando emergisse, seria o fim de tudo.
Após acabarem, Shion ouviu Nezumi murmurar um “eu te amo”. Teria ouvido isso de fato? Não sabia, pois o cansaço do corpo era grande. Não importava, porém, os sentimentos do rato, Shion sempre o amaria, com todo o seu coração.
...
Acariciou uma vez mais os cabelos do amante. Como lembrança, depositou um cálido beijo nos lábios tentadores, ainda inchados pelos muitos beijos que deram. Shion levantou-se com cuidado da cama, pegando suas vestimentas no chão e vestindo-as rápida e silenciosamente. Nezumi não suspeitava, entregue demais ao cansaço, do que Shion faria. Amaldiçoou-se por ser leviano para com o rapaz, mas nada poderia fazer. Ele entraria as escondidas na No. 6 e tentaria, ao menos, salvar aquelas pessoas queridas a ele. Caminhou lentamente em direção a porta, sem tirar os olhos de um Nezumi adormecido na estreita cama de solteiro.
 Um murmúrio fraco, uma confissão. Eu te amo, Shion disse, antes de desaparecer do pequeno quarto de Nezumi, e sua vida.
Provavelmente os amantes nunca mais se veriam, pensou o rapaz de cabelos alvos.

Fim

Escrevi agora a pouco, influenciada por Samila Lages. Samila, uma me inspirei um pouco em Belial e Fausto, sabia? Não coloquei Lemon, mas na próxima colocarei. Para quem não conhece o anime e mangá No. 6, olhem minhas postagens antigas. Espero que gostem, mesmo não conhecendo a obra ou gostando de yaoi. Dedicado aos amantes desse lindo anime/mangá/novel. Leiam a one-shot que a Samila traduziu e colocou no seu blog. 

http://samilalages.blogspot.com/2011/08/traducao-analise-por-triste.html


Shion

pureza que encanta e dói
pobre criatura ignorante
que com sua ignorância mostra
a bondade que poucos possuem
devastadoramente ele quer ser um herói
e findará da pior forma
por seus ideais utópicos

Nezumi

olhos de meia noite
matam a presa e ao predador
músculos talhados para a guerra
lingua ferina para intimidar
um animal acuado que não se entrega
fragilidade apenas no nome
o rato caça o gato
e destrói tudo o mais com filosofia e força
e uma arma na mão
intimidador
poderoso
na arte és soberbo
doçura fingida no palco
teus lábios carregam os segredos do mundo
ilusório mundo...
temes a humanidade
por que a humanidade é para os fracos
e por que sabes que é ela quem o arrastará para o precipício
ou talvez seja o amor a alguma criatura
que soube olhar além de tua rudeza
e que vêm ao teu socorro quando um grito escapa da tua boca
não te preocupas rato
ele ainda aguarda em teu aposento
com um livro na mão

Poemas by Jack Sampaio