Como forma de presentear meus leitores po r tudo o que eles fazem por mim, neste dia 15, meu aniversário, lhes darei de presente o primeiro capítulo da minha nova fanfic, Sweet Slave. Comentem, por favor. Ah e para quem não leu o prólogo basta clicar aqui. Capitulo 1
Se os seus amigos da escola pudessem vê-la, pensou, certamente não a reconheceriam. Isabella Marie estava diante de um grupo de desconhecidos, de joelhos, implorando pela vida do pai, que se encontrava desacordado no chão. Chorava copiosamente, temendo que o homem diante de si, armado, disparasse contra o único familiar que restara.
-Eu imploro! Não o matem! –Pediu aos gritos, postando-se entre o pai e o homem desconhecido, ainda de joelhos. Os homens, um total de quatro, contando com o que estava armado, olharam-se, parecendo não saber o que fazer diante daquela cena que despertava compaixão até da mais vil das criaturas. Um deles sacou o celular do bolso da calça jeans, fazendo uma ligação. Por alguns instantes Bella acreditou que iriam ouvi-la e deixar o pai em paz, ou talvez fossem ligar para a pessoa que pediu pela execução de Charlie Swan e interceder por ela. Para seu total espanto e horror, as palavras proferidas pelo homem com o celular no ouvido não foram nada animadoras.
-Chefe, a filha do tal Swan está fazendo um baita escândalo. O que fazemos? Acabamos com a putinha também? –O rapaz, que aparentava ser tão novo quanto Bella, falou numa frieza espantosa. A jovem emudeceu por alguns instantes, temendo pela vida do pai e, agora, pela sua. Recompôs-se após alguns segundos, disposta a fazer de tudo pelo pai, inclusive oferecer a sua vida em pagamento a divida.
-Faço qualquer coisa! Diga ao seu chefe que faço qualquer coisa! Deve haver uma forma de pagar! Não temos dinheiro suficiente para cobrar a divida, mas eu posso... –A idéia mais absurda tomou sua mente, deixando-a nauseada. Como pagaria os duzentos e trinta mil que o pai devia a máfia em jogatinas? Nem se vendessem os poucos bens que ainda possuíam, Bella seria capaz de pagar alguma coisa. Havia, porém, uma forma de pagar, mas o pensamento era atormentador demais.
-A filha dele está dizendo que fará qualquer coisa para quitar a divida. O que faremos? O que o senhor decide? –O rapaz com o celular perguntou àquele do outro lado da linha e um silêncio perdurou por mais tempo do que Bella poderia suportar. Olhou para a figura lastimável do pai, completamente embriagado e com um corte na testa que adquiriu ao ser empurrado pelo homem que minutos atrás empunhava uma arma.
Pouco depois viu o celular ser desligado e guardado no bolso da calça do rapaz que até então conversava com alguém. Ele olhou para Bella e tinha um sorriso sacana dos lábios, fazendo a menina estremecer dos pés a cabeça.
-Você vem conosco. O chefe está bondoso hoje e quer negociar o pagamento da divida do seu pai com você. –Após Demetri, o homem do celular, falar isso, o outro homem chamado Felix guardou a arma, pegando Bella pelo braço e erguendo-a com certa brusquidão. A moça ficou desnorteada, sem saber se deveria aceitar e tentar salvr o pai ou acudi-lo, já que Charlie encontrava-se ferido.
-Não posso deixá-lo assim! –Gritou, afastando-se de Felix e voltando a se aproximar do pai. –Ele está ferido e precisa...
-Felix, carregue esse imprestável. Vamos deixá-lo em um hospital antes de irmos ao encontro do nosso chefe. –Demetri ordenou e Feliz assim o fez, contrariado por ser sempre ele a fazer o serviço pesado. Bella não ficou mais aliviada com a resolução do loiro, mas encontrava-se sem saída. Pegando o casaco e sua bolsa, até então jogada num canto da pequena sala, ela foi embora de sua casa com o pai desacordado e quatro homens desconhecidos em uma Van com os vidros peliculados.
Como sempre fazia em momentos ruins, Bella pediu aos céus por ajuda, prometendo em troca uma vida de devoção e, por que não, de celibato se Deus ajudasse a ela e ao pai. E como já acontecia há alguns meses, desde a morte trágica da mãe, ninguém parecia ouvi-la.
Sentada no banco de trás o mais afastada possível de todos aqueles brutamontes, Bella tentava estancar o sangue da testa do pai, pressionando um pedaço do seu casaco, recentemente rasgado por ela mesma, no local do ferimento. Continuou com suas suplicas aos céus, querendo despertar daquele pesadelo, e de tão absorva que estava não notou quando o carro estacionou em frente ao hospital.
-Felix, pegue o Swan e jogue-o ai. Rápido! –Demetri, que até então dirigia o carro, anunciou. Com relutância, Bella entregou o pai ao homenzarrão. Após alguns minutos, Felix voltou, sem o pai. E quando o carro pôs-se em movimento, ela sentiu um medo absurdo tomá-la. O que fariam com ela? Bella voltaria a ver o seu pai? Ela voltaria a ter a vida simples e cheia de obstáculos que até então vivia? Todo o tipo de medo a atacou enquanto seguia de carro, saindo do Bronx em direção a Manhattan. Temia que, em troca da vida do pai, a sua fosse subjugada. Porém, ao refletir um pouco mais sobre sua condição, julgou esse um fim melhor, uma vez não se via capaz de suportar uma nova perda. Procurou ocupar a mente com qualquer coisa e, sem querer, momentos felizes foram lembrados: os finais de semana na casa da falecida avó, os jantares com os pais, o sorriso gentil da mãe,... Lembranças de uma época onde tudo era mais simples, quando Bella era apenas uma adolescente com preocupações tolas. Desde a morte da mãe, vitima de um assalto nas ruas soturnas do Bronx, sua vida mudara completamente. O sonho de ir para algum lugar e estudar em uma boa universidade minaram, pois precisou deixar tudo em segundo plano para cuidar do pai. Charlie ficou inconsolável após a morte da esposa, entregando-se a bebida e aos jogos de azar. Suas atitudes imprudentes resultaram em seu afastamento de seu trabalho como policial, comprometendo a situação financeira da família Swan. Sem alternativa, Bella arranjara um emprego em uma loja de departamentos, contando com a paciência de seu chefe para liberá-la toda vez que recebia uma ligação de algum vizinho, avisando que Charlie estava bêbado, quebrando objetos na casa.
Apesar dos problemas que rodeavam sua vida, a menina tentava se reerguer, trabalhando duro e cuidando da casa e do pai. As coisas, no entanto, deram uma guinada radical... Para pior. Charlie conseguira uma divida enorme com um rupo de criminosos e Bella soubera apenas quando eles vieram cobrar a divida e para paga-la, exigiram tão somente a vida de Charlie.
Agora Bella seguia naquele carro, com quatro homens desconhecidos, sem destino certo. Apavorou-se ao ver que a Van entrava na garagem de um prédio, indo para a parte mais afastada, onde não haviam carros estacionados e tampouco pessoas. A mente de Bella trabalhava rápida graças à adrenalina, pensando em meios de escapar. Notou, tardiamente, que havia outro carro estacionado. Era uma luxuosa Limusine preta e, encostado na lateral do carro, estava uma menina de aparência jovem, muito bem vestida.
-Vamos. –A porta ao seu lado abriu e Felix puxou-a pelo braço bruscamente. –Ela é toda sua Jane. –O homenzarrão disse, praticamente jogando Bella para o lado da garota. Jane a olhou dos pés a cabeça com um olhar de frieza indescritível. A tal Jane abriu a porta da Limusine e Bella recebeu um pequeno empurrão de Felix para entrar. Ela assim o fez, sentindo um frio na espinha.
O que encontrou lá foi um homem maduro, com os seus quarenta e cinco anos mais ou menos, vestido com pompa. Só havia aquele homem no interior do carro, mas isso não tranquilizou Bella.
-Olá Isabella. –Disse o homem, estendendo a mão para um cumprimento, mas Bella não fez menção de se mexer e ele recolheu a mão, sem parecer se abalar com a postura da garota.
-O que eu posso fazer para pagar a divida do meu pai? –Perguntou com a voz num tom rude, olhando agora para frente. Aro ajeitou-se melhor do estofado de couro do carro, com os olhos fixos em Bella. Um silêncio incômodo perdurou, o que Bella estranhou, fazendo-a virar e encará-lo novamente. O homem a olhava dos pés a cabeça e ela não gostou nada daquele olhar sobre si.
-Meu nome é Aro Volturi, minha cara, e é comigo que o seu pai adquiriu uma divida considerável. Ele se recusou a pagar e por isso eu havia decidido pela sua morte. No entanto, a filhinha interviu e, bem, repensei minha decisão. –Os olhos de um castanho estranho, quase rubros, não paravam de olhar para cada centímetro do corpo da menina, deixando-a atemorizada.
-Eu faço qualquer coisa por ele. Apenas diga o que eu preciso fazer. –Sua voz não tinha firmeza alguma. Ela, de alguma forma, sabia o que Aro diria antes do mesmo se pronunciar.
-A divida do seu pai é grande, cerca de trezentos mil. Não acho que vá conseguir pagar se você se desfizer de todos os seus bens. No entanto, há uma forma mais fácil de conseguir o dinheiro. –Aro fez menção de pegar uma mecha dos cabelos de Bella, mas ela repeliu sua mão com violência.
-Diga! –Inquiriu raivosa com aquela tortura psicológica imposta pelo sujeito diante de si. Aro soltou uma gostosa gargalhada, divertido com o comportamento agressivo da menina diante de uma situação em que claramente deveria ficar quieta.
-Benzinho, mulheres tem algo que certamente lhes garantem uma boa renda. Eu tenho um negocio extremamente lucrativo, além dos jogos de azar... –Aproximou-se lentamente, como um ofídio a rastejar até sua presa, deixando Bella congelada. – Eu trafico mulheres.
Bella segurou a respiração e o pânico incitava seu corpo a cair na inconsciência. Procurou se manter firme, temendo desmaiar e acordar em um lugar estranho num situação horrível.
-O que exatamente quer de mim? –Perguntou, numa voz falha, afastando-se minimamente do Volturi. Aro recostou-se novamente no banco.
-Irei leiloa-la em meu próximo “evento beneficente”. Só assim eu conseguirei o dinheiro necessário para quitar a divida do seu pai. Não se preocupe, pois apenas pessoas da mais estirpe frequentam meus leiloes. Você poderá ter uma vida de princesa, se souber levar a situação.
-Me leiloar? Tipo... Eu serei comprada e passarei a ser objeto do comprador? –Em sua cabeça passava todo o tipo de imagens, a maioria de noticiários a respeito do que acontecia com mulheres vendidas por familiares ou aliciadores a homens. Definitivamente Bella estava em maus lençóis, mas se pudesse salvar a vida do pai, ela não hesitaria.
-Sim, minha querida. Mas não se preocupe. Como prova do quão benevolente eu sou, farei o possível para arranjar um bom comprador para você e posso até colocar o seu pai em uma clinica de reabilitação. Sei que ele é alcoólatra.
Bella emudeceu. O que ela mais ansiava desde o aparecimento do problema com a bebida do pai, poderia se realizar. Quis muito que o seu pai se tratasse, mas não tinha dinheiro para pagar por uma clinica. Agora aquele homem oferecia isso e ela, mais uma vez, não pode dar as costas para a oferta. Ainda sim precisava saber o que aconteceria se ela se negasse.
-E se eu recusar sua proposta? –Perguntou, olhando de esguelha para Aro. O sorriso que o homem lhe lançou era gentil, mas Bella já sabia que aquilo tudo era fachada.
-Então terei que dar fim ao seu pai, pela dívida, e a você, por saber demais. –Falou num tom desinteressado, como se estivesse falando sobre um assunto qualquer e não a vida ou a morte de duas pessoas.
-Eu não tenho escolha... –Murmurou, sentindo o desespero tomá-la de forma nauseante. Ainda que tivesse experiência quando se tratava de sexo, o que não era o caso, Bella não se via entregando-se a outro homem, um mero desconhecido.
Aro parecia se deliciar com a situação da moça e isso era perceptível através do brilho maligno que os seus olhos escuros emitiam.
-Infelizmente não tem minha querida. Olhe, eu estou oferecendo uma segunda chance, algo que não fiz a ninguém. Aceite ou arque com as conseqüências. Sou um homem muito ocupado para perder o meu tempo com coisas tolas. –Parecendo subitamente enfadado, Aro bateu os pés no chão e olhou para o relógio de pulso caro. Era a hora, Bella pensou. Ela teria que dar uma resposta que certamente mudaria todo o curso de sua vida.
-Eu aceito. –Murmurou. Não queria encarar o algoz a sua frente, por isso olhou para fora do vidro peliculado da limusine.
-Muito bom. Seu pai irá para uma clinica de reabilitação como eu prometi e você virá comigo. –As palavras que indicavam imediatismo alarmaram Bella.
-Espere, você fala de eu ir com você agora? Eu preciso me despedir do meu pai de alguma forma e separar algumas coisas e... –Falava rapidamente, incoerente.
-Será melhor não entrar em contato novamente com o seu pai. Uma despedida que não deixará marcas. Quanto aos seus pertences... Bem... Com a vida de princesa que a espera, seu dono não permitirá que seu corpo seja coberto com pedaços de pano inferior a sua condição. –Aro sorria, como se suas palavras sobre o conforto que supostamente Bella encontraria nessa barganha fossem deixá-la feliz. No entanto, a menina não se impressionou com tais promessas. Bella sempre fora desapegada de coisas materiais e não seria agora que se apegaria a elas.
-Mas como eu terei a certeza de que cumprirá sua parte? Falo da internação do meu pai em uma clinica e de que nada fará a ele? –Perguntou, desconfiada com a “gentileza” daquele homem.
-Minha cara, deixe tudo comigo. No momento certo você saberá como o seu pai está e em que clinica ele estará internado. Como forma de agradecer sua colaboração sem que eu precise sujar as minhas mãos, eu cuidarei de tudo. –Aro virou-se para frente, encarando o motorista pela pequena janela por onde poderia se ver a cabine do carro. –Vamos ir em frente. –Ordenou, sendo prontamente atendido.
Ver as ruas movimentadas novamente foi um alivio passageiro. Sem querer, a mente de Bella trabalhou na hipótese de fugir, embrenhando-se na multidão. Poderia salvar a sua vida assim, mas e quanto à vida de seu pai? Ela sabia que não seria capaz de virar as costas para o único familiar vivo que tinha.
-Ah, senhorita Swan, eu tenho uma pergunta importante a fazer. –Aro rompeu o silêncio. Bella permaneceu calada e com os olhos em qualquer outra direção.
-Diga.
-Por que acaso a senhorita seria virgem? –Quis saber o homem, olhando novamente para o corpo da jovem. Isabella corou violentamente e os tremores do seu corpo por pouco não se transformaram em violentos espasmos.
-Sim... –Murmurou.
-Importa-se se eu comprovar o que você alega? –E com estas palavras Bell retraiu-se para o mais longe possível de Aro do que o espaço interno da limusine permitia. Estava atemorizada com a ideia de um homem tocá-la. Se a ideia de Aro encostar nela já era repugnante, como Bella poderia ficar tranquila ante a ideia de outro
-Acalme-se! Uma médica fará a verificação e não eu! Eu preciso e um atestado comprovando sua virgindade. Assim o seu preço ficará bem maior. –Dizia Aro satisfeito, com um sorriso de orelha a orelha. Sentindo-se acuada, Bella acabou por concordar, feliz ao comprovar que de fato uma médica faria a verificação. No entanto, após receber o atestado de sua pureza, sentiu que aquilo e não garantiria nada de benéfico a ela e sim ao criminoso, que lucraria mais as suas custas.
O coração palpitava descompassado no peito, a respiração estava pesada e todo o seu corpo parecia tremer. O caos reinava em sua vida e não se via capaz de fugir do triste destino que Aro pintava a sua frente. Resignou-se, rezando aos céus por um milagre.
...
Quando Aro disse que a levaria a um lugar onde poderia procurar um possível comprador e assim fazer com que sua divida fosse quitada, Bella não imaginou que entrariam em um luxuoso hotel. Imaginou algo mais bizarro, como um bordel mau cheiroso, cheio de prostitutas decadentes. E mesmo que o local fosse deslumbrante, o tipo de ambiente que Bella nunca freqüentaria normalmente, sua aflição não diminuiu.
Após sua decisão, fora levada ao tal hotel, entrando no local junto a Aro por uma entrada oculta de tudo e de todos. Após pegarem o elevador, foram para o quarto ou quinto andar (Bella não decorara) e ela foi levada a uma pequena sala. E agora estava na pequena sala, de decoração simples, mas requintada, sendo vigiada por um segurança uniformizado. Tranqüilizou-se por, ao menos, não ser um dos homens de Aro que a abordou em casa junto ao pai. Nervosa como estava, acabou por beber a água que estava em um jarro de vidro, próximo a ela em uma mesinha de madeira trabalhada. Como um copo não foi o suficiente para acabar com a sede, tomou outro, e mais outro, e outro.
À medida que os minutos avançaram, preocupou-se com a demora do magnata. Aro a deixara sozinha naquela sala e disse que tinha assuntos a resolver. Bella estava aflita, não somente por estar naquele lugar cercada por desconhecidos, mas também por que não sabia como estava o seu pai. Ele estaria sendo bem tratado no hospital onde fora deixado? O ferimento feito por um dos capangas seria sido grave? Aro cumpriria sua parte no acordo? O que aconteceria a ela após ser vendida como uma mercadoria a um desconhecido?
O nervosismo pareceu deixa-la com a boca cada vez mais seca e foi sorvendo a agua que lá havia. Após saciar-se por completo, sentiu uma sonolência tomá-la de súbito. Esfregou os olhos, se ocupou da leitura e uma revista, beliscou-se, mas nada parecia tirá-la do torpor.
“O que está acontecendo?” – Sentiu um desespero toma-la, mas este sentimento foi sufocado por aquele estranho torpor que a envolvia. Os pensamentos foram ficando incoerentes e logo o corpo frágil da menina tombou para o lado.
O que aconteceu nos minutos seguintes foi caótico demais para erem registrados por uma mente tão perturbada como a de Bella estava. O que antes era uma sala com apenas um segurança, logo se transformou em uma sala com pelo menos quatro pessoas. Uma delas, Bella reconheceu precariamente, era Aro.
Após alguns minutos do que pareceu ser uma conversa, ela sentiu seu corpo ser içada, caminhando trôpega com a ajuda de dois seguranças. As imagens do local pareciam um borrão, até mesmo das pessoas que a cercavam. Queria dormir, mas uma voz lá no fundo podia para que se mantivesse o mais consciente possível.
Luzes fortes demais, vultos, vozes ou altas ou baixas demais... Tudo e tornou um turbilhão de sensações precariamente captadas pelo sentido da jovem. Estava drogada, ela sentia, e não havia nada que pudesse fazer. Agora era uma presa fácil nas mãos de seus algozes.
Em um dado momento ficou diante do que pareceu ser uma plateia, sendo obrigada a ficar de pé pelos mesmos seguranças que a arrastaram até ali. Olhou para um ponto fixo, sem ver nada, apenas por que mexer a cabeça para lá e para cá parecia exaurir suas forças. Uma náusea a atingiu, mas o cansaço sentido era o sentimento predominante. Em alguns momentos não soube se ainda estava acordada ou se vivia um sonho, se os seus olhos estavam abertos ou fechados... Se ainda estava viva ou estava morta.
Bella sentiu, por alguns instantes, como se o seu corpo estivesse flutuando; talvez tivesse adormecido como desejou. Mas em algum momento sua consciência foi voltando a pôde captar, ainda que precariamente, uma conversa próxima a ela.
-... Ela vai ficar assim por um tempo, por que bebeu muito da agua batizada que havia na sala. Talvez seja melhor que esteja dopada, assim não causará problemas. –Não reconheceu a voz que falava, identificando apenas como uma voz masculina.
-Por que ela ainda está de lingerie? Deveriam cobri-la após a exibição no palco! –A outra voz parecia irada. A preocupação daquela pessoa em cobrir a sua suposta nudez teria comovido Bella, se ela estivesse sã o suficiente para se importar.
-Os seguranças fariam isso daqui a alguns minutos, senhor Culeln. –Falou o outro, conciliatório.
Cullen? Este era o sobrenome da voz raivosa que se importou com Bella o suficiente para cobri-la com algo?
-Não, eu não quero que eles a toquem, principalmente agora que ela me pertence. Veja só estas marcas, graças à brusquidão com que a despiram! Está tudo acertado com Aro. Ela é minha agora.
Aquela ultima frase pareceu ressoar em todo o seu corpo, despertando-a um pouco da letargia. Quem era o tal Cullen que dizia com tanta propriedade que Bell pertencia a ele? O chão pareceu sumir debaixo de si e sentiu-se flutuar, como se alguém a carregasse nos braços. Aninhou-se naqueles braços que a envolviam, sentindo um peitoril duro onde recostou a cabeça. Estranhamente lembrou-se do pai, quando a carregava para o quarto após Bella dormir em um dos sofás enquanto assistia TV.
-Vai me levar pro meu quarto...? –Murmurou num fio de voz. Logo a inconsciência a levaria. O silêncio só durou poucos segundos.
-Sim, eu estou levando você para o seu quarto. Para a sua casa. Agora durma.
Um barulho de um carro sendo ligado soou bem longe e logo não ouviu mais nada.