domingo, 27 de março de 2011

Prévia do Bella pov's do cap 32 de O contrato

ATUALIZADO!



Capitulo 32

Bella pov’s

Eu estava no meu quarto, mais precisamente deitada em minha cama. As lembranças da noite anterior eram vagas e, por não encontrá-lo por perto, pensei seriamente se tudo fora um sonho. Espreguicei-me como uma gata; ao olhar o despertador em cima do criado mudo eu sorri. Ainda estava cedo, eu tinha todo o tempo do mundo para me arrumar. Mesmo assim eu procurei ser rápida e eficiente, vestindo roupas casuais e bonitas, usando uma maquiagem bem leve.
Enquanto caminhava para a sala, eu senti o cheiro de café, algo que estranhei. Não precisei entrar na cozinha para vê-lo. Ele bebericava uma xícara de café, sentado no sofá da sala. Confesso que fiquei surpresa por vê-lo lá.
–Edward! O que está fazendo aqui? –Perguntei sobressaltada. Seu rosto que antes transmitia cautela agora parecia aborrecido. Deixou a xícara que bebericava em cima da mesinha de centro e voltou a me olhar.
-Não faça isso, por favor. Você bebeu ontem, mas não o suficiente para esquecer tudo o que aconteceu. Jantamos ontem e você me deixou ficar aqui noite passada. –Ele estava com raiva e nervoso, com toda a razão. Eu me perguntei se alguma vez fiz isso com ele, fingir que nada havia acontecido... Sim, eu havia feito muitas vezes.
Procurei me lembrar da noite anterior. Eu estava desnorteada pela bebida, mas sabia o que havia acontecido: o jantar, a conversa, as confissões que ele fez para mim... Não me lembro de tê-lo convidado, no entanto, pelo menos não de forma direta como ele sugeria, mas também não o mandei embora.
-Não me lembro de ter dito algo como ‘Edward, fique aqui comigo.’. –Por algum motivo minha voz soou rude, talvez pela tensão daquele momento. Depois do que aconteceu na noite anterior, embora não tenhamos passado dos limites, eu me sentia estranhamente vulnerável. Edward continuou a me encarar, mais e mais aborrecido com a minha postura defensiva.
-Quando eu perguntei a você se poderia ficar aqui, você disse algo como ‘eu só tenho essa cama para dividir’. Para mim isso foi um sim. –Notei certo sarcasmo em suas palavras, algo típico do Edward de outrora, quando estávamos a pouco tempo casados. Movida por aquele comportamento, eu o espelhei sendo sarcástica também.
-Aposto que se eu falasse não, você ouviria um sim. Estou certa? –E minhas palavras arrancaram um meio sorriso de seus lábios (meus olhos ficaram naquele local por mais tempo do que eu deveria) e relembrei que vi aquele mesmo sorriso algumas vezes antes, quando namorávamos.
-... Absolutamente certa. –Ainda sentado, ele ergueu uma mão em minha direção, oferecendo-a para mim. Estava desnorteada demais para entender o seu gesto. Edward notou o quanto eu estava confusa, manifestando-se em seguida.
-Venha, sente-se. –Deu espaço para que eu sentasse ao seu lado, dando tapinhas no lado vazio do sofá. Eu temia qualquer aproximação com ele, temia as sensações que me assaltavam quando estávamos juntos. Eu não me sentia mais dona de mim para impedir que eu agisse de forma imprudente, como permitir seu assédio.
-Edward, eu não tenho tempo para conversar. Vou acabar chegando atrasada do trabalho e... –Eu dizia nervosamente, olhando para a porta. Tinha outra desculpa engatilhada para falar, mas as palavras me escaparam quando senti minha mão ser capturada pela sua.
-Sente-se Bella. Eu sei que você tem tempo, acordou cedo e se arrumou rápido. Além disso, eu não vou demorar com o que falarei.
Eu não pude afastar sua mão, que ainda segurava a minha, ou negar o seu pedido. Relutantemente eu me sentei ao seu lado, ainda mantendo certa distância. Ele não soltou minha mão, pelo contrário, ele as segurou entre as suas. Notei então, tardiamente, que minha antiga aliança estava no meu dedo anelar esquerdo. Eu poderia apostar que Edward o colocara ali enquanto eu estava dormindo. Suspirei. Ele precisava entender que as coisas, apesar de confusas no momento, não mudaram minha resolução de me separar.
-Edward, não é por que nós jantamos ontem e você dormiu aqui em casa que...
-Eu sei. –Murmurou com pesar. Seus olhos fitaram nossas mãos para depois me olharem com uma intensidade desconcertante.
-Escute tudo o que tenho para dizer, por favor. Sei que já tivemos essa conversa, mas você nunca me ouviu. Você fingia ouvir. Me escutará agora? –Eu assenti e Edward continuou. –Eu quero contar tudo, coisa que eu deveria ter feito anteriormente.
-Eu não quero ouvir por que eu já sei o que vai dizer. Estou tão cansada disso! –Soltei minhas mãos, colocando-as em minha testa. Edward apressou-se em capturar minhas mãos novamente, fazendo-me olhar para ele.
-Você não ouviu antes, fingiu ouvir. –Eu voltei a olhá-lo, calada. Ele entendeu isso como um consentimento para conversarmos. Respirou fundo, preparando-se para falar. Quando começou, as palavras saíram numa torrente.
-Não vou começar pela minha infância, disso você já sabe. Mas devo lembrá-la que muito do meu comportamento tenebroso é reflexo do que vivi quando pequeno. Eu deveria ter me tornado o oposto do meu pai, mas não foi o que aconteceu. Eu consegui a proeza de ser o pior, um narcisista ambicioso, ávido por prazer, poder e uma vida de luxúrias. –A forma como falava de seus pecados era emocionada. Imperceptivelmente ele comprimiu as minhas mãos com um pouco mais de força do que o necessário. Ficou em silêncio, perdido em pensamentos nada agradáveis até conseguir retomar o que falava.
-Eu não tive as melhores experiências com mulheres, à maioria que se aproximava era por interesse. Passei a tratá-las como objeto, tal qual me tratavam.
-E eu fui uma delas, certamente. –Falei com amargura. Ele não ousou me olhar.
-Sim, no começo. Meu pai estipulou aquela cláusula idiota e eu queria cumpri-la a fim de conseguir minha herança. Eu não medi esforços para conseguir o que era meu por direito. Eu estava disposto a pisar em qualquer um. –Suas palavras foram como adagas em meu peito. Eu não queria ouvir mais nada, porém ele continuou a falar.
-Além de me casar por um ano, eu precisava de alguém que Alice aprovasse. Vi vocês certa vez e eu a escolhi pelo bom relacionamento demonstrado por vocês duas. Eu agi como um patife, iludindo-a a fim de apressar as coisas. Já tinha tudo planejado: após o casamento eu faria você me pedir o divorcio, já que eu não poderia fazer isso por um ano. –Eu me recordei do dia em que tive acesso ao testamento, lendo-o e sabendo que apenas eu poderia gerar o divórcio antes do período de um ano sem prejudicá-lo.
-Você me prejudicou tanto só para ter o seu dinheiro... –Minha voz soou embargada. Uma lágrima escapou de meus olhos e como minhas mãos estavam sendo seguradas pelas de Edward eu não a enxuguei. Edward fez o favor de enxuga-la por mim com a costa de uma mão. Sua mão ficou um pouquinho ali, acariciando meu rosto.
-Eu era diferente naquela época, ainda sim não senti prazer eu machucá-la tanto. Foi muito difícil, mas acreditei que seria melhor agir daquela forma. Quanto mais rápido você pedisse o divorcio, mais rapidamente sairia daquele pesadelo. Pensei estar agindo com bom senso, sem tocá-la e destratando-a. –Sorriu tristemente.
Embora a verdade machucasse, eu estava curiosa. Eu queria entender tudo o que havia acontecido sob a perspectiva dele. Por isso procurei me acalmar e sufocar a tristeza que eu estava sentindo.
-Por que as coisas mudaram? O que fez as coisas mudarem? –Perguntei. Ele sorriu minimamente, tocando meu rosto mais e mais, acariciando-o da têmpora esquerda ao queixo. A outra mão segurava minhas duas mãos e o vi inclinar a cabeça, deitando-a nas costas do sofá. Seus olhos cor de ocre continuavam a me olhar intensamente.
-Eu descobri o meu amor por você. Deveria ter confessado o que eu sentia, mas não o fiz. Eu demorei a admitir o que sentia. Você foi a primeira mulher por quem eu me apaixonei e eu estava tão desnorteado com isso! Bella... Eu errei muito com você, movido pelo amor, pelo ciúme, pelo desespero. Deus sabe o quão confuso eu estive nos meses que se seguiram. Nosso relacionamento se transformou num caos completo principalmente por que você me destratava e eu espelhava o seu comportamento. Não conseguia ficar calmo e trata-la com amor como você merecia. Foi só quando eu a vi com o tal Jacob que eu percebi o quanto fui burro em não agir. Mais uma vez agi precipitadamente, temeroso em perdê-la. Não sei se foi um erro ou acerto o que eu fiz naquela noite, mas graças a isso ficamos juntos. Eu pude quebrar as barreiras que me envolviam e confessar meus sentimentos. Deveria ter esclarecido tudo, mas temi perde-la.
Enquanto Edward falava, eu me lembrava do que vivemos do momento em que ele passou a me notar na empresa até agora. Foi um caminho árduo, cheio de altos e baixos (principalmente baixos) em que ora nos amávamos, ora nos odiávamos. Nunca existiu, até agora, um meio termo para nós dois. Com pesar conclui que talvez nunca existisse.
-Você deveria ter me contado. –Murmurei, encarando o chão. –Se tivesse me esclarecido tudo, as coisas teriam se resolvido. Mas agora... –Deixei o restante do discurso em suspenso. Ele entenderia, claro, onde eu queria chegar. Apertou minhas mãos e por pouco não as machucou. Com uma mão ele ergueu meu queixo, forçando-me a olhar para ele.
-Não diga nada definitivo, não ainda. –Implorou. –Me deixei tentar, eu ainda tenho forças para isso. –O calor de suas mãos e seu discurso apaixonado me envolveu como um mar, sufocando-me.
Eu estava à beira de um precipício de emoções e a cada instante Edward me puxava para cair, perder para o lado mais favorável a ele. Eu estava com medo, temendo reviver os momentos terríveis que vivi ao seu lado.
-O que você quer que eu faça afinal? Desistir do divorcio e voltarmos a viver como marido e mulher? Fingir que nada aconteceu? Edward, eu não sou assim tão nobre. E eu descobri um amor próprio muito grande em mim.
-Não estou pedindo para ficar comigo aqui e agora e desistir da separação. –Tratou de desfazer minhas palavras. –Eu só quero que pense um pouco mais sobre isso e perceba que o melhor seria ficarmos juntos. Prometa-me Bella, por favor.
 Eu deveria dizer não a ele e certamente Edward entenderia que precisava ir. Ou poderia simplesmente manda-lo ir embora. Tantas coisas a se fazer...
Depois de errar tanto, eu deveria ser mais racional e me afastar dele. Mas depois de tantos erros cometidos que muitos prejuízos me trouxeram, errar uma vez mais não me pareceu um pecado muito grande.
-Tudo bem Edward. Eu prometo pensar um pouco mais sobre isso. –Disse. Minha resolução modificou completamente o ambiente pesado que antes imperava. Edward abriu o sorriso mais lindo que eu já vi em um homem, deixando-me sem palavras. Seus braços logo me envolveram em um forte abraço, deixando-me embasbacada. Meu primeiro pensamento foi de afasta-lo, mas fui relaxando naquele contato, lembrando-me de épocas mais felizes e sentindo-me contente com isso.
Cedo demais ele se afastou, roçando seu rosto com o meu enquanto sua respiração quente tocava aqui e ali em meu corpo.
-Era só isso o que eu precisava. Eu sei que eu não mereço, mas agradeço mesmo assim essa oportunidade. –Afastou-se como se me desse tempo para respirar. Flexionei as mãos assim que ele as soltou e me apressei em retirar a aliança colocada por ele.
-É melhor ficar com isso por enquanto. Eu não quero ter de dar explicações. –Devolvi o aro dourado a ele, que aceitou com relutância. Tão rápido que não pude impedi-lo, Edward colocou a aliança no dedo médio da mão esquerda.
-Como estou em estado probatório, o anel ficará aqui. Ninguém fará perguntas. Só retire o anel se decidir pelo não e eu espero sinceramente que isso não ocorra. –Seu riso baixo encheu a pequena sala de meu apartamento de um sentimento bom, caloroso. Esperança... Era isso o que havia agora naquele local.
Constrangida, eu me levantei.
-Eu preciso ir agora. –Olhei o relógio de pulso só para não ter de olhar para ele.
-Quer uma carona? –Perguntou. Neguei veementemente. Eu sentia que se permanecesse ao seu lado eu faria uma besteira maior.
-Não. Vou com a minha moto. –Ousei olha-lo. Foi um erro.
Edward estava perto demais, fazendo-me sentir sua respiração quente em meus lábios. Seus olhos me despiam, transmitindo uma sensação de nudez sem igual, quase como se ele pudesse ver minha alma com aqueles orbes, dourados e hipnóticos. Deus, Edward era lindo! Nada modificou minha percepção de sua beleza, nem mesmo o ódio cego que sentira tantas vezes.
Suas mãos grandes e quentes seguraram meu rosto enquanto ele diminuía mais e mais a distancia entre nossas bocas.
-Eu posso? –Pediu. Quase ri daquele seu pedido. Se eu dissesse não a ele, Edward agiria de qualquer forma. Enquanto se aproximava, interpretando meu silêncio como um consentimento, eu sussurrei.
-Permitir que me beije não é um sim à reconciliação. –Nossas respirações se mesclavam; eu já sentia o seu gosto maravilhoso e familiar na minha boca antes do beijo. Quando nossos lábios se encontraram foi só contentamento. Aquele era o nosso primeiro beijo em que eu consenti e tinha um gosto todo especial, um gosto de reconciliação pela frente. Ele sabia disso, posso apostar. Eu sabia, mas não estava pronta para admitir. Puxou-me para o circulo dos seus braços com uma força tremenda, mas não reclamei. Não o envolvi em meus braços como gostaria, descansando minhas mãos em seu peito coberto pelo terno e nada mais.
A princípio eu realmente me entreguei aquele momento, acreditando que não passaria de um inocente beijo. Então as mãos de Edward foram ficando impacientes, tocando-me com mais força enquanto seus lábios me beijavam com mais e mais ânsia. Temi o seu descontrole, eu não sabia se o recusaria caso ele sugerisse com o corpo nós fazermos amor, mas parou, para o meu espanto.  
-Vou acabar perdendo o controle assim. É melhor eu parar enquanto ainda conservo um pouco de racionalidade. –Beijou minha testa, afastando-se. –Eu estarei esperando por você. –Disse com um meio sorriso nos lábios, os olhos de alguma forma também sorriam. Saiu calmamente e ouvi seus assovios pelos corredores antes, suponho, de entrar no elevador.
Precisei me sentar depois disso, sabendo que, após tudo o que houve entre nós nesse curso espaço de tempo, ficaria difícil dizer um não definitivo a ele.
 ...
Antes de entrar em minha sala, recebi uma ligação do meu advogado. Ele queria saber se eu já tinha em mãos o vídeo que comprovava a traição de Edward. Lembrei-me do DVD que Jessica deixou em mina bolsa, item que não voltei a pegar depois que ela me dera. Inventei a desculpa de que minha amiga ainda não encontrara o material. O senhor Smith compreendeu, dizendo que a documentação já estava pronta e que mais tarde anexaríamos a prova. Eu agradeci seu empenho e me despedi.
Eu estava me sentindo mergulhada no caos. Há apenas algumas semanas eu o estava odiando e agora eu não mais sabia o que sentir. Fui compelida pelas palavras de Edward a olhar todos os acontecimentos sob a perspectiva dele, refletindo sobre meus atos e os dele. Ele havia falhado, é verdade, mas quem nunca errou nessa vida? Eu mesma cometi os meus erros em nosso relacionamento. Ele parecia arrependido e parecia me amar, isso deveria bastar para deixar tudo de lado e viver novamente esse amor.
Não bastava.
As lembranças ruins dos meses de sofrimento que passei, e os motivos por detrás de meu sofrimento imposto por ele, martelavam minha cabeça. Eu nunca conseguiria me desvincular da raiva, da tristeza, da mágoa. Eu não sabia se conseguira tocar um relacionamento, sendo constantemente atormentada pelos erros dele.
“Você precisa seguir em frente Bella.” –Pensei enquanto entrava em minha sala, sendo recepcionada pela minha amiga Jess. Mesmo ouvindo sua conversa animada sobre o que esperar do evento que participaríamos naquela noite, eu não consegui me desligar dos pensamentos a respeito de Edward.
Enquanto trabalhava, cometi um ou outro erro devido a minha desatenção, mas Jess salvou meu dia, corrigindo minhas falhas. Só sosseguei quando chegou a hora do almoço. Ben não almoçou conosco como de costume, imerso em trabalho como estava. Mike ficou ao lado da namorada, do outro lado do refeitório. Ficamos apenas Jessica e eu numa conversa monossilábica (ela falava e eu dizia uma ou outra coisa para incentiva-la a falar). Mas em um determinado momento, Jessica me surpreendeu sendo observadora.
-Aconteceu alguma coisa com você. Edward deve estar envolvido. –Falou num tom de voz rude enquanto seus olhos fitavam o aro dourado que Edward colocara em meu dedo antes de eu vir à empresa.
-Não pense coisas sem sentido. –Disse, tentando esconder minha tensão. Eu sabia o quanto eu seria criticada pelos meus recentes atos e não estava a fim de ser repreendida.
-Você está muito dispersa, alguma coisa grave deve ter acontecido. Além do mais isso no seu dedo é uma aliança. –Apontou para o meu dedo e tratei de esconder minhas mãos, colocando-as debaixo da mesa.
-Seria uma aliança se estivesse no dedo anelar, o que não é o caso.
-E o seu advogado? Já entrou com o pedido de divorcio via litigiosa? –Jess me avaliava, louca para que eu cometesse um deslize e assim pudesse me criticar. Dei de ombros, tentando aparentar tranquilidade.
-Tudo encaminhado. Agora vamos falar do evento de hoje à noite. Quero saber como iremos para lá, quem vai nos acompanhar, etc. –Minhas palavras a distraíram e Jess esqueceu do assunto.  
Eu não estava preparada para dizer alguma cosia a alguém. Primeiramente tomaria a decisão e depois comunicaria a todos. Era a única coisa sensata que eu faria.
...
Eu estava cansada, física e emocionalmente, mas iria ao tal evento promovido pela Summit publicidade. Jessica dissera que iriamos de taxi para lá e decidiu ir para o meu apartamento se arrumar junto comigo, assim iriamos juntas para lá. Aceitei, precisando mesmo de ajuda para me arrumar.
-Que tal esse vestido? –Perguntei a ela. Jess negou com a cabeça, olhando o vestido simples preto que escolhera com nojo.
-Vamos ser um pouco mais ousadas. –Foi até o meu closet, remexendo em algumas caixas e sacolas onde eu guardava os itens mais caros do meu guarda-roupa, escolhidos e comprados por mim certa vez. Retirou um vestido preto com um decote ousado na frente e que ia até os joelhos.
-Jess, eu acho esse vestido ousado demais para o evento. –Comentei enquanto ela o deixava em cima da minha cama.
-É perfeito! Não haverá outras oportunidades de se vestir assim e mostrar o quanto você é bonita aos nossos superiores. –Voltou ao meu armário retirando um par de sapatos preto com detalhes dourados. Lembrei que os sapatos haviam sido dados por Alice e me repreendi por não tê-los devolvido. Pensei que havia devolvido tudo dado por ela e seu irmão.
-Com esse look você pode usar uns brincos dourados, compridos, e só. Vou procurar uma bolsa para você. –Encontrou uma bolsa dourada, comprada por mim, mas que nunca usei. As roupas escolhidas estavam ótimas, era verdade, e Jess me ajudou com a maquiagem um pouco mais pesada e um coque frouxo nos cabelos. Contemplei o trabalho no espalho enquanto ela vestia a roupa comprada. Eu estava bonita, e senti uma necessidade insana de ser vista daquela forma por alguém que eu amasse. O nome de Edward me veio à cabeça, mas procurei sufocar isso.
Esperei por Jessica na sala, assistindo ao noticiário local só para matar o tempo. Ela demorou muito mais do que uma mulher normal demoraria, mas não me importei. Lá pelas tantas, quando descíamos para o térreo do meu prédio, lembrei que não havíamos ligado para pedir um táxi. Eu pretendia lembrar Jess desse detalhe quando eu vi um carro estacionado em frente ao meu prédio.
-Jess, eu vou matar você. –Murmurei. Ela deu uma risada travessa e caminhou saltitante até o carro onde Jacob nos esperava. Ela havia pedido para ele nos buscar, eu posso apostar.
-Boa noite meninas. –Ele nos cumprimentou enquanto abria a porta do carro para nós. Jess deu um pequeno murro em seu ombro.
-Obrigada por vir Jake. Quero entrar clamorosa e o seu carro pode proporcionar isso mais do que um taxi. –Entrou rapidamente, acomodando-se. Eu fiquei atarantada, sem graça como nunca fiquei antes.
-Oi Jacob. –Disse baixinho enquanto entrava logo atrás. Ele respondeu ao meu cumprimento com um olá e um sorriso antes de voltar ao seu lugar e ligar o carro.
Eu queria socar Jessica no interior do carro, mas resolvi esperar por um momento mais oportuno. Ela começou uma conversa animada com Jacob, incluindo-me vez ou outra. Falava o essencial, olhando a noite pela janela. Com o passar dos minutos fui ficando um pouco mais a vontade e fiquei aliviada por isso.
O evento estava ocorrendo no salão de eventos de um grande hotel conhecido como Plaza Athenee. Jacob estacionou em frente ao hotel e logo um homem apressou-se em pegar as chaves do carro e estaciona-lo. Inteligentemente Jess nos deixou para trás, murmurando algo sobre encontrar com uma pessoa. E então Jacob e eu estávamos sozinhos.
 -Então, vamos? –Ele perguntou após alguns minutos. Assenti, aceitando o braço que ele me oferecia. Não estava me sentindo bem com aquela proximidade, mas não queria ser mal educada recusando-o.
Quando eu me deparei com o requinte do lugar eu tive que dizer algo.
-Esse lugar é lindo! –Olhei maravilhada para o interior: vasos com flores, piso de mármore branco, lustres de cristal e tantas outras coisas bonitas. O tipo de lugar que eu temia pisar, não querendo riscar o piso.
-É mesmo. Vim aqui algumas vezes. Eles têm um jardim incrível que contorna boa parte do hotel. Pena que não dará para ver por já ter anoitecido. E a proposito você está linda. –Sorriu. Claro que seu comentário e o modo como me olhava fez com que eu ficasse corada até a alma. Acabei por olha-lo e perceber finalmente o quanto ele estava bonito. Usava calça e sapatos sociais pretos, uma camisa de gola V e um paletó preto por cima da camisa. Estava lindo, apesar de eu achar que aquele estilo formal demais não combinava com ele. E, ao contrário de mim, parecia à vontade.
-Obrigada. Você está ótimo também. –Disse depois de um tempo, mas ele pareceu não se importar com a demora em responder.
Um funcionário nos encaminhou até o local onde ocorria o evento. Conversamos sobre a empresa antes de entrarmos no salão, mas quando pisamos no espaço – ricamente decorado devo acrescentar – um grupo de rapazes que trabalham na Summit pegou Jacob para conversar. Procurei Jessica com os olhos, mas não a encontrei. Pretendia sair de fininho do lado de Jacob e me sentar, mas para a minha surpresa ele segurou minha mão quando me afastei.
-Espera. Eu vou com você. –Afastou sua mão da minha, mas manteve-se perto de mim. Fomos até uma mesa e sentamos. Um garçom veio em nossa direção, oferecendo todo o tipo de bebidas. Jacob pegou champanhe e eu o acompanhei, escolhendo o mesmo.
-Onde está a Jessica? –Ele perguntou.
-Não sei. Ela sumiu. –Beberiquei o champanhe enquanto olhava para todos os lados, percebendo que naquele evento não estavam apenas funcionários da Summit, mas empresários do mesmo ramo.
-Como você está? Faz algum tempo que não conversamos. –Os olhos de Jacob estavam em mim enquanto um bonito sorriso estava nos seus lábios.
-Eu estou... Bem. –Menti. Não havia como eu dizer a ele o quanto eu estava confusa com os últimos acontecimentos na minha vida. Apressei-me em esconder a mão esquerda onde repousava a aliança no dedo médio.
-Não sei, sinto que está mentindo para mim. –Suas palavras e o modo como me olhava eram desconcertantes demais! Felizmente alguém o chamou e Jacob, após pedir licença, foi falar com a pessoa.
-E aí? Já marcaram um motelzinho após o evento? –Jess surgiu do nada, sentando em uma cadeira ao meu lado.


CONTINUA...

Capítulos 7 e 8 de O lobo domado



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Capitulo sete
Jasper ficou olhando para as árvores enquanto ouvia distraidamente o que James dizia. Eles havia percorrido uma boa distância naquele dia e parado ainda com dia claro, ainda a tempo de caçar o que seria servido no jantar. Tudo indicava que o tempo permaneceria firme, o que significava que a missão logo chegaria ao fim. Por que, então, ele não se sentia bem ao pensar nisso?
Abaixando os olhos para o fogo, massageou os músculos da nuca, que estavam tensos. Os homens pareciam de bom humor e até mesmo o idoso Benedict fazia brincadeiras com a velhota esquisita que servia Alice. Alice... Desde aquela manhã que Jasper procurava não pensar nela, mas agora, como se tivessem vontade própria, os olhos dele se voltavam para a barraca onde ela estava.
Como não a visse imediatamente ele franziu a testa. E o escudeiro também não estava perto da barraca, o que aumentou a preocupação de Jasper. Quando viu Cedric sentado no meio de um grupo no outro lado do acampamento, calmamente mastigando pedaços de carne assada, ele sentiu um frio na espinha.
- Cedric! - O rapaz se levantou prontamente, atraindo a atenção de todos. Em poucas passadas Jasper venceu a distância que o separava do escudeiro. - Por que não está com lady Mason?
- Ela já se recolheu para dormir - respondeu o rapaz, corando fortemente ao se ver alvo do olhar duro do amo.
- E quem lhe deu permissão para deixar o seu posto?
- Bem... ninguém, meu senhor. Eu só achei que, como ela estava dormindo...
Jasper procurou controlar a impaciência e a raiva que começavam a tomar conta dele.
- Benedict está tomando conta dela? - ele perguntou, com os dentes trincados.
- Não, meu lorde.
Cedric olhava para ele com os olhos muito abertos, aparentemente sem entender o motivo daquela explosão. Preferindo não dizer mais nada, Jasper girou o corpo e marchou para a barraca da mulher, seguido de perto pelo escudeiro.
- Mas... ela disse que estava cansada, meu senhor - protestou o rapaz.
Jasper não retardou o passo, esperando que os instintos dele estivessem enganados e que a mulher não houvesse cometido mais uma maluquice. Quando alcançou a barraca ele afastou com um gesto brusco o pano pendurado na entrada. Cedric soltou um suspiro de alívio quando viu uma forma comprida estendida no chão, coberta pelo lençol branco, mas Jasper não era tão ingênuo.
Logo depois Cedric soltou uma exclamação de espanto e permaneceu com a boca aberta. Jasper acabava de afastar o lençol com a ponta da bota, expondo os cobertores e travesseiros cuidadosamente arrumados.
- Ela sumiu! - ginchou Cedric. - Mas... eu não pensei que...
- Sim, ela sumiu! - fez eco Jasper. - E a culpa é sua! Quando eu lhe der uma ordem, quero ser obedecido sem nenhum questionamento. Você não precisa pensar!
- Perdoe-me, meu senhor! - suplicou Cedric, caindo de joelhos.
- Levante-se, seu idiota! - trovejou Jasper. - Só não sei como vou perdoá-lo se a encontrarmos morta.
Agora muito pálido, Cedric voltou os olhos para as árvores. Jasper seguiu aquele olhar, contemplando a vegetação e os campos que ladeavam a estrada. O sol já estava se escondendo por trás das colinas e a penumbra anunciava a escuridão da noite. Logo só haveria a luz da lua e das estrelas para guiar uma busca que eles resolvessem empreender.
Jasper sentiu um enorme abatimento ao constatar o quanto a situação era terrível. Alice podia estar em qualquer lugar... encarapitada no alto de uma árvore, escondida em alguma caverna ou caída no sopé de um barranco. E seria praticamente impossível encontrá-la. Agora era tarde. Dividir os homens para procurá-la seria uma imprudência comparável à que ela já havia cometido.
- A mulher fugiu novamente? - perguntou James, aproximando-se, um tanto ansioso mas sem demonstrar muita surpresa.
- Fugiu.
Jasper olhou com interesse para o vassalo, que estava com os olhos brilhando. Como ele não dissesse nada, James retomou a palavra.
- Não acha melhor nos separarmos para começar a busca?
- Não - discordou Jasper, com cansaço na voz. - Seria muito perigoso. Não posso correr o risco de separar os homens e ordenar que eles se embrenhem na floresta durante a noite para procurar uma agulha num palheiro.
James achou que devia insistir.
- A estrada está quieta e ela é apenas uma mulher sozinha - ele disse, depois de alguns instantes. - Se começarmos logo...
Jasper balançou a cabeça, cortando as palavras do vassalo.
- Você tem me acompanhado há tempo suficiente para saber que está dizendo uma bobagem. Sim, tudo leva a crer que não há perigo sério nessas colinas, mas se estou vivo até hoje é porque não costumo acreditar nas aparências.
James trincou os dentes, sem dúvida percebendo que havia merecido o que acabava de ouvir, mas Jasper não prestou muita atenção naquilo. Apenas olhou novamente para a floresta, tentando abandonar aquela idiota à própria sorte, mas o simples pensamento de que ela estava sozinha no meio da floresta, talvez morta de medo, o deixava com o coração apertado.
- Mas... não podemos deixar que ela fuja desse jeito! - persistiu James. - O que o seu pai não vai dizer?
Alguma coisa na voz de James fez com que Jasper erguesse a cabeça e olhasse atentamente para o vassalo. Seria aquilo zombaria? Um desrespeito? Á luz fraca do sol poente, o rosto de James só mostrava as rugas provocadas pelos músculos contraídos.
Jasper coçou a cabeça. Devia estar imaginando coisas. Talvez por causa da própria frustração e desesperança, estivesse percebendo o escárnio onde na verdade não havia nada. Mas o que devia fazer?
- Irei sozinho - ele decidiu, finalmente. - E vou encontra-la.
Ou o que havia restado dela.
Na verdade Jasper ainda não havia pensado em qual seria a reação do pai no caso de um fracasso da missão ou, pior ainda, se a mulher amada pela família dele desaparecesse durante aquela jornada. A desaprovação de Calisle ou as censuras de Emmett seriam as conseqüências menos importantes. No momento, tudo o que Jasper queria era encontrá-la viva.
Depois se encarregaria pessoalmente de matá-la.
Minutos mais tarde ele caminhava para a floresta. Cedric suplicou para ir junto mas Jasper ordenou que ele ficasse. Sabia que a companhia do rapaz só serviria para retardá-lo.
Seria impossível adivinhar a direção tomada por lady Alice, já que só uma pessoa maluca resolveria se embrenhar numa floresta desconhecida quando a noite já estava caindo. Assim sendo, Jasper simplesmente resolveu seguir o caminho mais lógico por entre as árvores. Alice devia estar pensando que ninguém daria pela falta dela até que o dia amanhecesse e sem dúvida queria ganhar a maior dianteira possível. Isso não era bom para Jasper. Por mais depressa que conseguisse se deslocar, dificilmente ele a encontraria naquela escuridão.
A floresta parecia um breu e só muito raramente a luz da lua se filtrava por entre os galhos das árvores. Jasper passou a caminhar com mais cuidado, temeroso de não ver alguma pista que Alice houvesse deixado. Na trilha que ele agora seguia havia valetas e troncos de árvore caídos, o que talvez até fizesse com que ela quebrasse o pescoço num tombo.
Na verdade isso era apenas um das coisas ruins que podiam acontecer. Havia tantos outros perigos, tantas ameaças para uma mulher sozinha que se aventurasse numa floresta desconhecida e escura... O melhor era não pensar nas possibilidades e se concentrar na busca, procurar um sinal da passagem de alguém, um pedaço de tecido rasgado, um galho quebrado, qualquer coisa. Mas era dificil. Pela primeira vez em muitos anos Jasper se sentia sem forças.
Embora não fosse um homem supersticioso, o que o mantinha caminhando era a crença em que ela estava na dianteira. Sem outra conclusão para guiá-lo e não querendo pensar na hipótese de que ela podia ter tombado em algum lugar do caminho, Jasper simplesmente prosseguia na caminhada, com uma urgência que só aumentava com o passar do tempo.
E havia aquela sensação de que alguma coisa não estava certa. Jasper sentia isso com a certeza de um homem que caminhasse para uma batalha... ou para uma emboscada. A floresta estava calma demais e nem se ouvia o barulho dos animais de hábitos noturnos. Até mesmo o vento parecia ter resolvido parar de soprar. Jasper parou e apurou os ouvidos, espiando em todas as direções.
Então, em meio ao silêncio, ela o chamou, embora não fosse o chamamento que ele desejava ouvir. O som que atravessou a noite foi um grito que deixou Jasper com o sangue gelado. Aquele grito aterrorizado de mulher indubitavelmente havia partido da garganta de Alice. Em resposta, todo o corpo de Jasper entrou em atividade.
Em outras circunstâncias ele teria se recriminado por partir na direção do perigo com tanta impetuosidade, mas naquele momento não havia nada mais que pudesse ser feito.
No instante seguinte outro grito ecoou, agora mais perto. Poucos segundos mais tarde, já com a espada na mão, Jasper irrompeu numa clareira e fez um rápido balanço da situação. Alice estava espichada no chão entre dois homens, um dos quais a retinha pelos braços enquanto o outro se colocava entre as pernas dela. Dominado por uma fúria de que jamais se imaginara possuidor, Jasper ergueu a espada e partiu para o ataque, emitindo um grito de guerra que em outras circunstância também o deixaria assustado.
O homem que estava entre as pernas de Alice virou a cabeça na direção dele mas não deve ter tido tempo para ver nada, porque no instante seguinte teve a cabeça separada do corpo por um potente e certeiro golpe de espada. O sangue espirrou no ar, fazendo com que o outro homem soltasse um grito e sacasse da arma. Mas Jasper foi mais rápido. Passando por cima de Alice, desferiu outro golpe com a espada e simplesmente decepou o braço com que o homem tentava se armar. Segundos mais tarde a mesma espada atravessava o corpo do assaltante, que tombou para trás, sem vida.
Por um longo momento Jasper ficou parado, respirando pesadamente, o coração disparado e os olhos se movendo para os lados à cata de novos inimigos. Mas a clareira estava deserta. Nada se movia além das chamas de um fogo que já começava a se apagar.
Jasper respirou profundamente e procurou se controlar. Não foi fácil. Já havia passado por muitas batalhas e as cicatrizes espalhadas pelo corpo eram uma comprovação disso. No entanto, jamais havia sentido tamanha vontade de matar. Quando percebeu que talvez fosse até capaz de esquartejar os corpos dos dois desgraçados tombados ele expeliu o ar dos pulmões e rapidamente virou o rosto.
Toda salpicada de sangue, Alice estava deitada no chão com a saia erguida até a altura das ancas e um dos braços por cima do homem sem cabeça. Os lindos cabelos negros espalhavam-se em desarranjo em volta do rosto que parecia ter a palidez da morte. Jasper caiu de joelhos ao lado dela.
- Alice! - ele disse, mal conseguindo sussurrar. - Você está... ferida, mulher? - Não houve resposta e Jasper sentiu uma onda de frio. E se ela estivesse mortalmente ferida? - Alice? Sou eu, Jasper - ele voltou a falar, agora numa voz mais forte.
Como ainda não ouvisse resposta, Jasper afastou aqueles desalinhados cabelos e encostou a ponta dos dedos na testa dela. Então os olhos de cílios longos se abriram.
- Jasper...
A pronúncia do nome dele foi como a mais doce das carícias.
Aceitando a ajuda da mão dele, Alice sentou-se e permitiu que Jasper cobrisse as bem torneadas pernnas dela. Terminada essa tarefa ele viu que era olhado de uma forma que não saberia interpretar. Logo depois Alice o abraçou e, escondendo o rosto no peito dele, pôs-se a soluçar descontroladamente.
Jasper apertou-a contra o peito, como não fazia com nenhum outro ser humano desde que Edward era apenas um bebê. Sentia-se ridiculamente despreparado para confortar uma mulher desesperada. Mas o que podia saber sobre isso? Os muitos anos como soldado o haviam endurecido e as mulheres que costumava levar para a cama queriam apenas os prazeres do sexo. Mas aquela precisava de algo muito diferente disso.
Desajeitado, Jasper encostou a palma da mão na cabeça de Alice e começou a acariciar aqueles cabelos com os dedos.. Ah, como eles eram finos, mais do que a mais perfeita das sedas. Um homem poderia se perder naqueles cabelos...
Subitamente Jasper ergueu a mão, que deixou cair sobre o ombro trêmulo de Alice. Então lembrou-se de que ela quase havia sido estuprada. Na certa muito tempo se passaria antes que quisesse ter contato fisico com algum homem. Depois ele procurou se convencer de que só tinha motivos para desprezar aquela mulher, que estava naquela situação por culpa da própria imprudência.
Por mais que tentasse, porém, Jasper não podia ignorar o fato de que estava abraçando uma mulher incrivelmente tentadora. E as lágrimas que ela derramava no peito dele só aumentavam a tentação.
A respiração dela era quente, espalhando calor pelo corpo dele. Além disso havia os seios que se comprimiam contra o peito dele, as nádegas macias que ele sentia nas coxas... Jasper sentiu o sexo se enchendo de vida.
No instante seguinte Alice ergueu a cabeça e olhou para ele. Mas não havia acusação naqueles olhos castanhos, grandes e molhados. O que ele viu foi espanto misturado com outra coisa que não conseguiu decifrar. Seria desejo?
Desistindo de encontrar a resposta, Jasper segurou nos ombros dela. Prontamente Alice entreabriu os lábios. Jasper aproximou o rosto mas logo parou, quase soltando um palavrão.
Logo depois ele a soltou e levantou-se. Se não fizesse isso, acabaria possuindo a mulher que acabava de salvar dos dois estupradores que jaziam ali bem perto. Além disso, Alice Mason não era uma vadia.
Virando-se de costas, Jasper procurou pensar como um guerreiro. Aquele lugar parecia um acampamento e era bem provável que os dois homens mortos não estivessem sozinhos. Talvez os companheiros deles logo estivessem retomando.
- Precisamos ir embora - ele disse, sem pensar na sensibilidade de Alice.
Agora a mente de Jasper trabalhava freneticamente e ele se recriminava por ter deixado se dominar pela fúria. Se houvesse deixado vivo um daqueles homens, agora pelo menos poderia descobrir quem eles eram e o que pretendiam fazer.
Jasper coçou a cabeça. Nunca antes, desde que havia começado a aprender as regras de um combate, ainda sentado no colo do pai, havia agido de uma forma tão temerária. O desejo de matar o dominara por completo. E agora seria impossível obter alguma informação da boca daqueles dois. Mesmo assim, talvez os corpos caídos fornecessem alguma pista.
Jasper abaixou-se ao lado dos dois homens mortos, examinando-os atentamente. Um deles carregava uma espada, o que não era comum naquele tipo de gente.
Em geral os assaltantes de estrada se armavam com punhais, adagas, armas leves. E o homem também estava com uma carteira recheada de moedas.
Talvez houvesse assaltado alguém... ou recebido o pagamento por alguma tarefa. Jasper apertou os olhos.
- O que... o que está fazendo? - perguntou Alice, numa voz trêmula.
- Nada - respondeu Jasper, num tom ríspido.
- Você pode caminhar?
Alice ergueu para ele os olhos cheios de medo e Jasper quase soltou um palavrão. Não queria agredi-la com palavras, mas o perigo estava no ar, algo que ele quase podia sentir.
- Pode caminhar? - Alice assentiu com a cabeça e ele estendeu a mão, ajudando-a a se pôr de pé. - Vamos embora. Precisamos sair daqui o mais depressa possível.
Alice abaixou os olhos para os dois homens caídos.
- Mas... e eles?
Jasper sentiu uma onda de raiva. A mulher quase fora estrupada por aqueles dois desgraçados, mas agora parecia condoída.
- Os urubus cuidarão disso. - ele decretou.
Enquanto caminhava rapidamente para o meio das arvores dunstan reparou nas pegadas deixadas no chão da clareira, uma indicação clara de que haviam circulado por ali mais homens do que os dois que estavam mortos. Aquilo o fez soltar um palavrão.
Eles deviam sair logo dali e buscar um caminho seguro. Havia gente pelas redondezas e ninguém saía à noite por uma floresta escura com boas intenções.
- Jasper - chamou Alice, retendo-o pela manga da túnica.
Quando ele parou ela abaixou a mão e segurou na dele, aparentemente buscando conforto. Um tanto desajeitadamente, Jasper acariciou aqueles dedos frágeis. Logo depois arrastou-a da clareira, a mão que não segurava a de Alice empunhando a espada.
Uma vez no meio das árvores ele parou para acostumar os olhos à escuridão. Logo depois retomou a caminhada, procurando se manter a uma boa distância da trilha e de quem pudesse passar por ali. Finalmente parou diante de uma formação de altos carvalhos. Depois de examinar por alguns instantes aquelas árvores, ou pelo menos tentar ver o que era possível naquela escuridão, aproximou-se da mais frondosa delas.
- Dormiremos aqui.
A mão de Alice apertou levemente a dele, como se ela estivesse surpresa.
- Não acha melhor voltarmos para onde está a caravana?
- Não. Há outros bandidos por aí e, nessa escuridão, não poderemos saber quais são as intenções deles. Sabemos que pelo menos dois deles não tinham o menor escrúpulo em atacar uma mulher. Além disso, já que você é capaz de dormir tranqüilamente numa árvore, este lugar me parece perfeito.
- Mas... mas... - gaguejou Alice.
Com um disfarçado sorriso, Jasper segurou na cintura dela e ergueu-a para sentá-la num dos galhos mais baixos da árvore. Depois também subiu e encostou-se no grosso tronco.
- Mas o que?
Ele queria muito ouvir a resposta. Mesmo a tendo encontrado no alto de uma árvore na primeira tentativa de fuga, imaginava que ela resistiria a passar a noite encarapitada naquele galho. Afinal de contas, aquele não era um lugar confortável para se dormir.
Alice fez uma careta.
- Mas... você não está querendo mesmo que eu durma aqui, não é?
- Por que não? - inquiriu Jasper.
Embora continuasse atento aos barulhos da floresta, ele estava começando a se divertir com aquela situação. A mulher já estava recuperada e suportaria um pouco de provocação. Dificilmente reconheceria que havia mentido deslavadamente ao dizer que adormecera depois de subir na árvore. Mesmo assim, ele esperava que as circunstâncias de agora a levassem a falar apenas a verdade. Assim sendo, ficou esperando ansiosamente pela resposta, mas quando Alice falou não foi para se queixar da improvisada cama, mas sim da companhia dele.
- Bem, não seria decente eu passar a noite ao seu lado - ela protestou.
Jasper levantou a cabeça, controlando-se para não rir alto.
- Ora, não me faça rir. Precisamos ficar em silêncio. Agora procure descansar.
Então ele sorriu, divisando no escuro a silhueta dela.
Por Deus! Aquela mulher não havia pensado em nada antes de se embrenhar sozinha numa floresta, mas agora dizia achar perigoso passar a noite ao lado dele! Um raio de luar atravessou as folhagens e iluminou por breves segundos o rosto de Alice, no instante em que ela umedecia os lábios. Logo depois a escuridão voltou a encobri-la.
No mesmo instante o sorriso de Jasper desapareceu. Talvez Alice estivesse com a razão. Podia estar correndo um perigo ao passar a noite com ele.

Capitulo oito
Sem saber o que pensar, Alice ficou olhando para a enorme e escurecida silhueta encostada no tronco da árvore. Algum tempo antes, ao segurar na mão dele depois de ter sido salva de um terrível perigo, ela havia sentido uma felicidade tão grande que quase chorara de puro alívio.
Quando ele a abraçara, confortando-a com seus modos desajeitados, ela sentira por Jasper Cullen algo que não saberia explicar, um turbilhão de emoções tão forte que a deixara sem confiança nas próprias ações. Ao ser acariciada nos cabelos e ver a expressão que havia no rosto dele, sentira necessidade de prender a respiração por causa de algo que parecia ser... desejo.
Alice enrubesceu só de pensar naquilo. No entanto, e mesmo que tivesse sido só por breves instantes, fora como se só existissem no mundo eles dois. Parecia não ter a menor importância momentos antes ter acontecido ali mesmo uma terrível cena de sangue. Só importava a presença de Jasper, a forma como ele a deixava com o coração acelerado e a pele sensível.
Mas logo aquilo havia passado, com Jasper sendo outra vez um grosseirão que a arrastava como se ela fosse apenas um fardo a ser carregado. E agora ele a punha no galho de uma árvore e chegava até a rir daquela situação constrangedora. Ah, mas que homem irritante! Alice mexeu-se, inquieta, e sentiu a dureza do galho onde estava acomodada.
Como alguém poderia dormir num lugar como aquele?
A saia havia subido e Alice a sacudiu para abaixá-la. Embora a temperatura tivesse sido até alta naquele dia, agora fazia frio no meio da floresta. Então ela envolveu com os braços as pernas dobradas, apoiou o queixo nos joelhos e olhou para o homem que repousava ali perto.
No mesmo instante aconteceu novamente... aquela deliciosa onda de emoções. Seria aquilo apenas porque ele a havia salvado? Olharia ela para um outro salvador, fosse ele quem fosse, sentindo aquela dilatação nos seios? Alice continuou olhando para a figura escura. Não podia ter certeza, mas suspeitava de que aquelas sensações estavam reservadas apenas para Jasper Cullen, um homem teimoso, demoníaco e... e belo. Fechando os olhos para imaginar o semblante dele ela sorriu... porque a imagem que viu era a de um homem taciturno.
Pelo menos ele não havia ralhado com ela depois de encontrá-la. Alice não se surpreenderia se tivesse ouvido um demorado sermão de censura por causa da tolice que havia cometido. Muito a contragosto ela reconheceu que Jasper estaria com a razão se tivesse feito isso, já que a advertira sobre tudo que podia acontecer: a floresta estava cheia de malfeitores. Com incrível rapidez a imagem de Jasper foi substituída na mente de Alice por outras. Eram rostos enraivecidos, mas que a prendiam. E não se tratava dos homens que a haviam atacado naquela noite, mas sim de uma outra situação por No mesmo instante Jasper aprumou o corpo, deixando claro que estava alerta.
- O quê?
- O meu passado.
Jasper emitiu um resmungo irritado, talvez querendo dizer que já estava farto de sair em busca dela. Mas quem poderia censurá-lo por isso? O homem tinha um feudo para tomar conta, deveres a cumprir, enquanto ela não era nada.
- Estou com medo disso, Jasper - declarou Alice. - Não quero me lembrar.
- Então não se lembre ...- ele recomendou, envolvendo-a com o braço e puxando-a contra o peito. Durma.
Alice ainda não havia se esquecido do calor daquele peito musculoso e aninhou-se ali, experimentando uma enorme satisfação. Suspirou profundamente e começou a relaxar, quase esquecida dos horrores porque havia passado naquela noite. Escorregou a perna, por cima da coxa dele e voltou a suspirar.
Meio tonta, Alice demorou para perceber a mudança que se operou no abraço de Jasper. Mas reparou que os músculos do braço dele se retesavam. E as batidas do coração que ela ouvia pulsando dentro daquele peito magnífico, antes pausadas, agora estavam rápidas e descompassadas.
Alice conteve a respiração, achando que algum perigo da floresta os ameaçava, mas não demorou a perceber que não era nada disso. O motivo estava neles próprios, era algo que agora ela também sentia. O que momentos antes tinha sido uma inocente carícia agora parecia um estranho fogo queimando entre eles dois.
Embora não pudesse vê-los, Alice sabia que os olhos negros de Jasper estavam anuviados pelo desejo. Ela própria tinha os olhos arregalados de espanto. Mesmo assim manteve-se imóvel, temerosa de que algum movimento pudesse exacerbar as sensações que percorriam o corpo dela, algo que também parecia dominar Jasper.
Ele a queimava em cada parte do corpo que tocava, no joelho casualmente deixado sobre a coxa dele, na face encostada no peito musculoso, nas costas que segurava com a mão. Alice sentia calor até no couro cabeludo, onde a ponta do queixo dele apenas tocava. E os seios dela se tornaram absurdamente sensíveis, o tecido do vestido parecendo arranhá-los. Mas era uma sensação deliciosa.
Embora não se lembrasse de nada do passado, Alice tinha certeza de que era uma mulher inocente.
Então por que aquela forte onda de desejo? E por que apenas com Jasper? Ela jamais estivera nos braços de um homem, mas em diferentes ocasiões já havia tocado em cada um dos Cullen. No entanto, apenas o mais velho dos irmãos parecia ter o poder de queimá-la.
Alice sentiu a garganta seca e o corpo começou a doer por causa do esforço para não se mover finalmente, quando não conseguiu mais suportar, mexeu-se um pouco para cima, a perna deslizando sobre a dele. Jasper produziu um som rouco e ela olhou rapidamente para ele, mas por causa do escuro não pôde ver nada das reações daquele rosto.
- Durma - ele ordenou.
Dormir? Dormir como? Todos os sentidos dela estavam aguçados por causa do contato fisico com Jasper.
Era a mais estranha das experiências, ao mesmo tempo assustadora e maravilhosa, excitante e terrível. Por acaso ele a beijaria? Se ao menos ela pudesse vê-lo!
Estaria ele com aquela expressão séria, o semblante fechado? Ou tinha os olhos negros brilhando, como um lobo que ameaçasse devorá-la?
Alice ficou esperando, tensa, mas Jasper não fez nenhum movimento, não emitiu nenhum som. Pouco a pouco ela foi percebendo a idiotice do comportamento que estava tendo. Pelos comentários irreverente que já ouvira de Emmett, sabia que não devia se deixar abraçar por Jasper.
Enrubescendo de vergonha ela moveu o corpo, mas não se soltou logo de Jasper. No movimento que fez, sentiu que corria o perigo que cair no chão, alguns metros abaixo. Jasper deve ter percebido isso, porque prontamente a envolveu por trás.
Alice conteve a respiração e sentiu que ele fazia o mesmo. A posição em que estava era quase perigosa, mas o que ela podia fazer?
Podia virar-se, sentar-se no colo dele, abraçá-lo, mergulhar naquela abrasadora fonte de calor. Não, não podia. Havia nomes para mulheres que concediam seus favores com tanta facilidade, nomes nada lisonjeiros. Estaria ela querendo se entregar ao Lobo sem nenhum compromisso, como uma vagabunda qualquer? Não! Queria mais do que isso.
Mas era impossível. Não importavam os estranhos desejos que ela pudesse sentir por ele, Jasper Cullen era o homem que, contra a vontade dela, a levava de volta para Baddersly, onde a abandonaria. Alice fechou os olhos por causa da súbita pontada que sentiu no peito. Então procurou pensar em outra coisa, o que costumava fazer quando precisava manter a compostura.
- Fale-me de Wessex - ela murmurou.
- Wessex?
Por um instante Jasper pareceu que era ele o desmemoriado, como se nem se lembrasse do feudo do qual era senhor. Até que começou a falar, a princípio vagarosamente, depois com uma ênfase que ela não havia esperado. Alice quase podia ver o que ele descrevia: os vales verdejantes, as colinas e o alto castelo no centro de tudo.
Pouco a pouco a sensualidade entre eles dois foi perdendo intensidade. Dominada pelo cansaço, Alice sentia as pálpebras pesadas. A voz grave e musical de Jasper ainda soava quando ela adormeceu.
O dia apenas clareava quando Jasper a acordou. Estava de pé no chão e olhava para cima. com aquela expressão séria. Alice sentiu que o homem que havia falado francamente a ela sobre as esperanças de retorno ao lar havia desaparecido com a escuridão. Quem estava ali era o Jasper carrancudo de sempre. Mesmo assim ela sorriu, porque já estava se acostumando com o humor daquele homem.
- E melhor voltarmos para a caravana o mais depressa que pudermos - ele disse. - Seria imprudência permanecermos aqui.
Alice assentiu e deixou que ele a tirasse da árvore. Por alguns instantes as mãos de Jasper permaneceram na cintura dela, ao mesmo tempo que ele a fitava com um intenso brilho nos olhos negros. Mas logo recuou, como se ela o queimasse. Estaria Alice imaginando coisas ou existia uma estranha atração entre eles dois? Era bem possível que, ingênua como era, fosse ela a única dos dois que sentia alguma coisa.
Quando se ocupou em alisar o vestido, Alice concluiu que a última hipótese era a mais provável, porque o Lobo de Wessex não podia mesmo se sentir atraído por ela. O vestido estava amarrotado, todo sujo e coberto da manchas de sangue. Quando passou a mãos pelos cabelos, percebeu o quanto eles estavam desgrenhados.
Jasper observava todos os gestos dela.
- Não é lá muito agradável estar em fuga, não é mesmo, Alice? - ele perguntou, num tom cortante.
Pronto... O sermão que ela havia esperado ouvir na noite anterior finalmente seria pronunciado, e o humor do homem não parecia ser dos melhores. Era bom ela se lembrar sempre que não deveria acordar Jasper Cullen muito cedo... Mas de onde vinha aquele pensamento ridículo? Evidentemente, jamais caberia a ela a tarefa de acordar o Lobo!
Alice voltou-se para se afastar, pensando em sa¬isfazer as próprias necessidades, mas a mão grande de Jasper a reteve pelo braço. A primeira reação dela foi dar um safanão para se livrar, mas em vão. Mais duas tentativas inúteis e Alice constatou que não teria escapatória.
Já havia suportado o suficiente para ficar com um humor parecido com o dele. Fora atacada por dois assaltantes que quase a haviam estuprado, estava agora com as roupas sujas e manchadas de sangue, além de ter sido obrigada a dormir equilibrando-se nos galhos de uma árvore, o que a deixara com o corpo doído.. Para completar, estava com sede, com fome e ansiosa para aliviar a bexiga. O que menos queria era ouvir censuras de Jasper Cullen.
A raiva deve ter redobrado as forças de Alice, porque com um violento safanão ela finalmente conseguiu se soltar da mão de Jasper.
- Não toque em mim, Jasper Cullen! - ela gritou. - Já estou farta dos seus modos grosseiros!
Por alguns instantes Jasper ficou olhando para ela com a boca aberta, uma expressão quase engraçada no rosto.
- Modos grosseiros? Essa agora é muito boa! Por Deus! Eu salvei a sua vida, mulher. Você é mesmo uma mal-agradecida!
Como se fosse uma daquelas frondosas árvores, Jasper olhou para ela com o corpo aprumado, as mãos na cintura e as pernas apartadas. Agora a expressão daquele rosto era da mais pura ferocidade.
Alice nem se abalou.
- Agora, se me der licença...
Quando se voltou para se afastar ela outra vez foi alcançada pela mão dele.
- Não lhe dou licença, não! - vociferou Jasper, com os olhos apertados e os lábios contraídos. - Não posso ter certeza de que você terá o bom senso de não tentar outra fuga! Por Deus, mulher! Será que não tem nada na cabeça? Não sabe o que aqueles homens pretendiam fazer com você ontem à noite? Eles a usariam e depois a abandonariam, provavelmente morta!
Enquanto falava Jasper a sacudia, como se quisesse a todo custo ter a atenção dela. Alice achou que devia sentir medo daquele enorme e ameaçador cavaleiro. Talvez fosse melhor não demonstrar nenhuma reação, esperar que ele se cansasse daquilo antes que de fato a machucasse. A única coisa que ela poderia fazer seria cair de joelhos suplicando perdão.
Em vez disso, Alice ergueu a perna direita e abaixou-a com toda força, plantando o calcanhar no pé dele, de uma forma que chegou a sentir dor.
Jasper fez uma careta e soltou um palavrão.
- Por Deus, escute o que estou dizendo, Alice! Só quero protegê-la! Mesmo que você seja idiota a ponto de não dar importância ao que aconteceu ontem à noite, eu penso de outra forma! Sabe o que senti quando a vi entre aqueles dois homens?
Embora ele estivesse gritando e continuasse a sacudi-la, aquelas palavras fizeram com que Alice, tomada de surpresa, o olhasse nos olhos. Haveria alguma coisa além da raiva influenciando a atitude daquele homem? Havia uma certa confusão nos olhos negros de Jasper e Alice sentiu a própria raiva se dissipar.
- Não, eu não sei - ela disse, falando com brandura. - O que você sentiu, Jasper?
Soltando-a de uma forma tão súbita que quase a fez perder o equilíbrio, Jasper girou o corpo e afastou-se alguns passos.
- Imagino que agora você saiba o perigo que representa andar sozinha num lugar como este.
Embora ele falasse numa voz baixa e contida, as palavras foram pronunciadas com facilidade, como se Jasper escondesse a verdadeira resposta não só dela, mas também de si próprio.
Ou talvez ela estivesse imaginando coisas. Esfregando o braço no local onde ele a agarrara, Alice olhou para o belo homem que caminhava entre as árvores, evitando olhar para ela, evitando qualquer coisa que pudesse domá-lo. Seria impossível dizer o que ele de fato estava sentindo.
- Quero que você pare com essas tolices e concorde em voltar para casa - ele resmungou.
- Para quê? - rebateu Alice, num tom brando. - Que diferença existir se eu morrer aqui ou em Baddersly?
Desta vez Jasper voltou-se para encará-la, de uma forma que deixou Alice amedrontada.
- Seja razoável, mulher! A diferença é que aqui você morrerá mesmo, e de uma forma brutal, mas não pode ter certeza de que a morte a espera em Baddersly.
- Eu tenho certeza, Jasper – respondeu Alice, com toda calma. Olhando para longe ela tentou inutilmente se lembrar de como era Baddersly. Depois, erguendo vagarosamente o braço, encostou a mão no peito.
- Sei disso não com a mente ou com a lembrança, mas com o coração. Sinto isso aqui dentro.
Jasper soltou mais um palavrão, desta vez bem alto, como se não pensasse na possibilidade de ferir a sensibilidade dela.
- Se não quer acreditar em mim, então não sei o que dizer para convence-lo – declarou Alice, com calma.
Ela não gostava de bate-bocas e sabia que aquela discussão não mudaria nada, porque Jasper não queria ser receptivo. Tão sujo quanto ela, sem dúvida estava com o corpo igualmente moído depois de passar a noite sem um mínimo de conforto.
Então ele fez uma careta.
- Você esgota a minha paciência, Alice. Devia pelo menos acreditar no meu pai. Ele me recomendou que tomasse todos os cuidados para que nenhum mal lhe acontecesse.
- Foi mesmo? - caçoou Alice. - Mas me expulsou da segurança do castelo dele, despachando-me para um lugar que eu nem conheço, onde ficarei à mercê de um homem de quem não me lembro! - O ar de espanto de Jasper fez retomar a raiva de Alice, que apontou o dedo para ele, quase tocando no peito formidável. - Você não faz idéia de como eu me sinto, Jasper, porque sempre esteve cercado pelos seus irmãos. Sempre teve o carinho da sua família, a lealdade de soldados que até sacrificariam a vida por você. Em Baddersly nada disso espera por mim, nada além de ameaças e sofrimentos.
Jasper olhou para o alto e outra vez abriu os braços. - Você enlouqueceu. Ou então é mesmo uma pessoa estúpida.
- Está certo - disse Alice, resignada. - Acredite no que quiser. Aliás, acho que sempre foi assim. No entanto, no momento eu preciso acreditar nos meus instintos.
Dito isso ela começou a andar mas não conseguiu dar mais de dois passos, porqueJasper bloqueou a passagem. Alice perguntou-se como um homem tão grande podia ser tão ágil.
- Não - disse Jasper, com as mãos na cintura, outra vez com aquela postura de guerreiro enquanto olhava fixamente para ela.
- Não o quê? - perguntou Alice, confusa.
- Não - ele repetiu, com ênfase.
- Reconheço que você me enganou mais de uma vez, mulher, mas seria um tolo se deixasse isso se repetir. Você pode não dar importância a esse seu corpo tentador, mas eu dou. Meu pai me encarregou de levá-la de volta a Baddersly, viva e razoavelmente bem, e não vou permitir que fique um só instante longe dos meus olhos enquanto não for entregue nas mãos do seu tio. Assim sendo, sugiro que erga a saia e faça aqui mesmo o que tem que fazer. Já perdemos tempo demais.
Alice ficou boquiaberta. Naturalmente ele não podia estar falando sério.
- Mas... mas... - ela gaguejou, corando fortemente.
- Você não pode estar querendo que...
Alice interrompeu o que ia dizendo ao ver que os lábios dele se moviam maliciosamente no que era quase um sorriso.
- Pois eu quero - respondeu Jasper, simplesmente.
O rubor de Alice aumentou ao extremo.
- Como pode ter essa coragem? - ela protestou. - Eu sou uma dama!
Em vez de concordar, Jasper teve a audácia de soltar uma gargalhada.
- Ainda precisa me convencer disso - ele rebateu.
Pela primeira vez na vida Alice sentiu vontade de esbofetear alguém. Em vez de fazer isso, porém, alisou a roupa com as mãos, procurando demonstrar compostura. Obviamente não podia enfrentar o Lobo de Wessex usando os punhos. Teria que vencê-lo pela razão.
- Não seja ridículo. Eu não conseguirei ir a lugar nessa floresta e você já deu mostras de que é capaz de me encontrar - ela disse, com certa amargura.
- Isso é verdade - concordou Jasper. - mesmo assim não estou disposto a perder mais tempo. Agora ande logo. Faça o que precisa fazer para que possamos ir embora.
Alice abriu a boca para insistir no protesto, mas percebeu que seria em vão. Já havia constatado que era inútil discutir com Jasper Cullen. Mas o pior era ver que ele parecia estar se divertindo com o apuro por qual ela passava.
 Não querendo prolongar ainda mais aquela situação aflitiva, Alice abaixou a cabeça.
- Vire-se de costas, pelo menos - ela reivindicou.
- Não vou me virar, não.
Alice dirigiu a ele um olhar fulminante.
- Jasper!
- Ficarei olhando para o lado - ele concedeu. - Não tenho interesse em olhá-la, mulher, mas quero perceber seus movimentos se você correr para subir em alguma árvore ou tentar algum truque novo. E preste bem atenção, Alice: não voltará a fugir de mim.
Alice virou as costas para ele, num gesto ostensivo, mas as necessidades do corpo eram muito fortes.
Então ela se agachou para resolver aquele problema, ajeitando a saia da melhor forma possível. Sabia que na verdade ele não podia ver nada, mas mesmo assim a situação era terrivelmente constrangedora.
- Por acaso existe por aqui algum riacho onde eu possa me lavar? - ela perguntou, outra vez de pé e olhando para ele.
- Acho que não, Alice. Essa é outras das desvantagens de fugir para um lugar selvagem.
Dito isso ele fez um gesto para que ela o precedesse na caminhada. Alice acatou a ordem, apertando o manto em volta do corpo. Quando passou por ele, tinha os ombros aprumados e o queixo apontado para a frente.
- Jamais o perdoarei por isso, Jasper Cullen - ela declarou.
Por mais belo, forte e cheio de vida que ele pudesse ser, aquele comportamento não merecia mesmo perdão. Por outro lado, era preciso reconhecer que parte daquilo se devia à ousadia que ela tivera para desafiá-lo. E outra parte podia se dever à declarada preocupação do Lobo com a segurança dela... o que Alice ainda achava dificil de acreditar. Mas a maior parte era fruto da grosseria pura e simples. Aquele homem realmente precisava aprender uma boa lição....
Apesar da postura de dignidade, Alice ainda estava dominada pela revolta. Enquanto caminhava, pensava na discussão que eles tinham tido e lembrava-se de coisas que poderia ter dito. A certa altura parou olhou para trás, quase provocando um esbarrão com o homem que vinha logo atrás.
Teria ele realmente dito que o corpo dela era tentador?