sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Prévia do cap 19 de Sweet Slave


Trechos do capítulo 18 de Sweet Slave. Não deixem de comentar e divulgar!


Prévia do capítulo 19


Os olhos castanhos do médico a avaliaram da cabeça aos pés, procurando alguma coisa, talvez possíveis ferimentos. Suspirou aliviado quando percebeu que a Swan estava perfeitamente bem. Lembrando-se da forma como Edward foi agressivo para com ela, temeu que o rapaz houvesse se excedido e machucado ela.
-Bella, fico feliz em... –Murmurou, fazendo menção de tocá-la, mas uma voz gutural o interrompeu.
-Desculpe-me pela indelicadeza, Jasper, mas o assunto que o levou a vir até a minha casa certamente não envolve Isabella. –Pegou a menina pelo braço com delicadeza e disse, num tom de voz imperativo: Espere-me no quarto.  

...

Venha cá. –Chamou o jovem Cullen e Isabella, sentindo-se hipnotizada pelo timbre poderoso da voz masculina, caminhou até ele sem hesitar. Edward afastou a poltrona de couro em que estava sentado da mesa de mogno e sorriu enquanto a Swan vinha em sua direção, parecendo atordoada a cada centímetro que avançava. Arfou quando teve a cintura entrelaçada pelos braços másculos.
-Há outras atribuições destinadas a você no seu novo emprego. Destinações que Alexandrina não pode realizar. –Ele tinha um meio sorriso nos lábios e os olhos, mais verdes do que o normal, percorriam cada centímetro do corpo da menor, deixando-a ruborizada.
-Que atribuições seriam essas? –Bella perguntou, ofegante. O sorriso do rapaz se ampliou enquanto ele puxava a menina para o seu colo, mantendo-a firme naquela posição.
-Mais do que dizer, eu posso mostrar... E mostrar muito bem. –Sussurrou, diminuindo o espaço entre os lábios até que, por fim, colou a boca dele na boca dela.

...

-Ora ora se não é a boneca de porcelana do Cullen.
Bella, com horror, reconheceu a voz de imediato. O corpo foi tomado por espasmos enquanto ela, atordoada e arfante, virava-se, encarando um loiro de olhar avermelhado.
Caius...

...

Ele a encontrou em um cômodo qualquer, encolhida feito uma bola. Choramingava baixinho, tremia, estava visivelmente assustada. Felizmente não parecia machucada, concluiu ao examina-la mais de perto, pondo-se de joelhos em frente à Isabella.
Ela continuou parada mesmo quando Edward chamou o seu nome, alheia a tudo a sua volta. O rapaz suspirou, levantando-se do chão. Pegou com cuidado a menina nos braços, que o agarrou pelo pescoço, escondendo o rosto na curvatura daquele pescoço.
-Vamos para casa. –Murmurou no ouvido da menina, seguindo para a saida mais proxima, uma saida em que nenhum deles se encontrasse com a corja de lobos de mais um pomposo evento promovido por Aro Volturi.


CONTINUA...

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Prévia do capítulo 16 de Sweet Slave




Prévia do Capítulo 16

Eram três e vinte da madrugada quando Isabella despertou. Tateou involuntariamente o lado oposto da cama em que estava deitada, só para constatar, sem surpresa, que Edward não estava lá. Provavelmente foi dormir no quarto dele, concluiu.
Afastando o edredom que cobria o seu corpo nu, ligou o abajur ao lado da cama e, frustrada, bagunçou os próprios cabelos. O que havia dado nela para se entregar tão completamente ao rapaz que a abandonara sem piedade para ficar com outra mulher? Deveria ter lutado contra os seus sentimentos, ser fria. Não conseguiu.
“Estou fodida! Tem como a situação piorar?” –Pensou.

...

-CACETE! –Saiu apressado do próprio quarto, pronto para adentrar o quarto da Swan quando ela, de banho tomado e roupas trocadas, estava saindo do quarto. Edward não perdeu tempo, empurrando-a suavemente para dentro. Isabella o encarou com espanto.
-Você ainda estava tomando os remédios receitados por Jasper, não é?
-Eu ainda ESTOU tomando, se quer saber. Qual é o problema? –Esbravejou a Swan, mantendo certa distancia do rapaz, tentando não olhar para ele mais do que a cortesia permitia.
-Você está tomando antibióticos. Eles cortam o efeito dos anticoncepcionais. E ontem nós...  

...


-Não. Não brincaria. Por que está fazendo isso por mim? –Ela encarou Edward, tremendamente curiosa. Ele, todavia, não revelava nada.
-Eu apenas quero... –Pensou em dizer que apenas a queria disciplinada, mas a verdade saiu antes de qualquer coisa. –Eu quero vê-la mais feliz. –Um sorriso raro apareceu nos lábios do rapaz e Bella espelhou esse sorriso.
-Obrigada. –Agradeceu a menina com sinceridade. E toda aquela comoção que a envolvia enterneceu o coração normalmente frio do rapaz.

...

-Louca para se desfazer de mim, não é? Não se preocupe. O martírio da minha companhia só durará até o almoço. Avisei a minha secretária para transferir minhas reuniões para mais tarde. –Ligou o carro, dando atenção a sua frente. Não se surpreendeu por Isabella, apesar da gentileza com que a estava tratando, querer distancia dele. Mas também, admitiu para si mesmo, aquilo tudo o aborrecia profundamente. Procurou, porém, não demonstrar.
-Você não é uma companhia ruim quando não está sendo grosseiro. –A menina murmurou, ganhando um olhar surpreso na sua direção. O resto do trajeto foi feito no mais absoluto silencio.

...

-Provavelmente... –Murmurou a loira, adentrando ainda mais o quarto. Assoviou quando viu as novas roupas de Isabella, compradas por Edward. –Ele está sendo bem bonzinho com você, mesmo você não merecendo.
-Edward tem um histórico de ser bonzinho. Por exemplo: manter uma empregada que não faz absolutamente nada. –Encarou a loira crispar os lábios diante da resposta acida. Sorriu internamente por conta da pequena vitória.
-Como está espertinha! Mas aí vai um conselho...
-Sempre há um conselho e quer saber Lauren? Não estou nem ai!
-Então vai acabar como ela. Sendo morta por...

...

Que homem complicado, Isabella pensou. Alguém fechado, que não se permitia a aproximação de ninguém. Como um animal silvestre que nunca tivera o contato com outro humano... Ou como se tivesse sido ferido o suficiente por humanos que não confiava em mais ninguém.  

 ...

-Você é uma garota estranha. Imprevisível. –Sussurrou o rapaz para a menor. Pôde ouvir um riso.
-Você também. –Afastou-se um pouco e viu a coisa mais linda que a sua mente podia conjurar, caso não passasse de uma ilusão: Edward sorria. Era um sorriso tão genuíno que sentiu a respiração pausar, incapaz de desviar o olhar. E ela soube que, por debaixo daquela carapaça, havia um homem com um coração.
Ela queria ser beijada.
Ele queria beija-la.
Olhos que se olhavam.
Bocas que queriam se tocar.
Edward ergueu as mãos e colocou o rosto de Isabella entre as suas mãos. Ela adorou ser aprisionada daquele jeito.  

...

Ela estava linda, apagando a imagem da garota opaca de dias atrás. E Edward não ficou exatamente feliz em saber que todo aquele esplendor que a envolvia seria dirigido a outro homem.

domingo, 28 de outubro de 2012

Prévia estendida do capítulo 15 de Sweet Slave

Olá pessoas do meu coração! Venho justificar, como sempre faço, minha ausência. Estou cheia de trabalhos acadêmicos para fazer e, para completar, minha saúde não está muito boa. Por esse motivo peço desculpas pela demora. Quando dá eu escrevo, mas para o que eu tenho planejado para esse capítulo eu terei que escrever bem mais do que o prometido. Como não quero deixá-los sem nada aí vai uma prévia estendida, mas antes disso venho pedir mais votos para a fic O contrato que está concorrendo a um concurso. Você pode votar quantas vezes quiser. Segue o link da votação: http://tudoteen12.blogspot.com.br/2012_10_07_archive.html
Clique na fic de Jack Sampaio, O contrato, e aperte no botão submit. Desde já agradeço.

Agora leiam, divulguem e comentem a prévia, por favor!



Capitulo 15
O corpo estava estranhamente leve.
Bella sonhou com uma casa num subúrbio pobre. A casa era simples, com varias fotografias bem emolduradas em cima de um mezanino de madeira na sala. Poltronas gastas onde repousava uma manta verde feita pela sua avó paterna que não chegou a conhecer. Armários de madeira onde adesivos alegres com temais florais e pássaros foram colados aleatoriamente. Uma geladeira repleta de comidas congeladas. Ela estava sentada em uma das cadeiras da pequena mesa de madeira no centro da cozinha, mexendo nas frutas de plástico dentro de uma cesta. Esperava alguma coisa que não vinha e, intuitivamente, soube o que era.
A casa estava vazia. Nada do barulho vindo da televisão velha onde o pai acompanhava os jogos de beisebol. Nada dos passos apressados da mãe pela cozinha enquanto tentava salvar um jantar arruinado, a julgar pelo cheiro de queimado. Nada do entrar e sair das amigas barulhentas da mãe, que vinham lhe empurrar cosméticos de baixa qualidade por preços exorbitantes.
O vento soprava fuligem da cidade para dentro daquele local graças às persianas abertas e Bella nunca se sentiu tão sozinha em toda a sua vida.
Ela despertou.
Estava em um quarto branco, tão branco que fechou os olhos diante da claridade. Algo estava sobre a sua face, borrifando um ar tão puro como nunca sentiu naquela cidade com mais alguma coisa, provavelmente um medicamento. Um bipe soava próximo, monitorando seus batimentos cardíacos. Sentia-se suada, com uma camisola hospitalar colada ao corpo. A fome e a sede a atacaram instantes depois, mas nada que a fizesse implorar a alguém um prato de comida como alguém oriundo da Etiópia.
Sentia o corpo pesado, cansaço, castigado. Lembrou-se do que passara nos últimos tempos e compreendeu a situação rapidamente. A doença que a acometera foi tão grave a ponto de ela parar num hospital? E quem poderia ter levado ela até ali?
O coração palpitou audivelmente com a possibilidade de Edward tê-la trazido para lá. Olhou envolta, vendo um pequenino buque de flores do campo dentro de um copo com água. Sorriu diante daquele pequeno, porem encantador, presente. Seria uma forma do rapaz se desculpar pelo modo como a havia tratado?
Esticou o braço que não estava preso com a agulha do soro e pegou o punhado de flores amarrados por um arame. Olhou aquela beleza efêmera, enternecida. Ele estava de volta, o estoico senhor Cullen, e havia concedido a ela pequenas gentilezas que rapidamente aqueceram o seu coração. Queria vê-lo, precisando demais do calor daquele corpo masculino, sentir o cheiro de colônia cara e a frieza dos dedos compridos e magros...
A porta se abriu.
Isabella estacou, esperando ver Edward vestido num terno bem cortado, com os cabelos acobreados em perfeito desalinho, mas não foi isso o que encontrou.
Um jovem de cabelos ondulados loiros, olhos castanhos, alto, entrou no seu quarto. De jaleco banco por cima da camisa de botões azul clara, ela logo reconheceu um médico, mas não qualquer médico. Era o médico de Edward Cullen. Ela o vira certa vez, muito brevemente.
-Acordou! –Exclamou eufórico. –Fiquei preocupado. Enfim, bem vinda novamente. –O rapaz se aproximou lentamente da cama da menina, ficando a poucos passos de distancia. –Lembra-se de mim, Isabella? –Perguntou com um bonito sorriso tranquilo estampado nos lábios cheios. Ela tentou devolver aquele gesto com um sorriso, mas parecia sem forças para tal.
-Sim. –Murmurou, sentindo a garganta ferida. Não soube ao certo se o rapaz conseguiu ouvir já que a boca e nariz estavam cobertos por um respirador, mas ele concordou com a cabeça, satisfeito com a resposta. –Edward... Ele está aqui?
Diante da pergunta, Isabella viu o rosto de Jasper ficar sério demais. Ela teve a sua resposta no ato.
Uma dor a atingiu como um raio, sufocando-a. Os olhos castanhos se encheram de lágrimas que, silenciosas, escorreram pelo rosto alvo demais. Jasper viu a menina entrar em uma tristeza profunda em pouco tempo, até a voz sair em soluços incontroláveis. Não entendeu exatamente o que se passava ali, mas prontamente sentou na cama, acariciando os cabelos cor de mogno com meiguice, um pequeno atrevimento que nunca ousou praticar com nenhum paciente.
Mal ele sabia que a sua patética tentativa de consolo apenas aumentava a sensação de dor no peito da pequena. Como colocar algum remédio de composição propensa ao ardor em um corte.
 Ele não sabia, mas Bella estava se sentindo o ser humano mais sozinho da face da Terra.
...
Os pés calçados batucaram, impacientes, o carpete de borracha do taxi. Olhou para o horário no relógio de pulso por mais vezes do que o normal, o que poderia fazer os outros pensarem que se tratava de TOC. Não ligava. Edward Cullen estava apreensivo demais para notar o caos ao qual voltara a se inserir horas antes quando desembargou de um avião que o trouxera das Ilhas Fiji.
Isabella. Saber da situação o deixou estranhamento tenso. As mãos, suadas, atritavam-se freneticamente a calça jeans preta enquanto ele olhava para a paisagem metropolitana do lado de fora da janela. Isabella estava em algum lugar, muito doente, sozinha. Repreendeu-se por não ter sido sensível o suficiente para adiar os planos e cuidar melhor dela uma vez que Angela o alertara da saúde da Swan antes de sua partida. A mente trabalhava a mil, rememorando as palavras ditas pela empregada horas antes quando, após dias com o celular desligado, notou as mensagens do telefone de sua residência, algumas até de Jasper Withlock, e, por fim, decidiu retornar a mais insistente delas.
-Residência de Edward Cullen. –Foi Lauren quem atendeu em sua voz desagradavelmente anasalada.
-Edward falando. Recebi ligações daí enquanto estava viajando. Está tudo bem? –Perguntou afoito. Alguma coisa dentro dele o alertava para as sete ligações feitas. Não era do feitio dos empregados ligar e se isso aconteceu eles tiveram um bom motivo.
-Isso depende, senhor Cullen. Se o senhor está perguntando se está tudo bem com o seu imóvel, sim ele está bem. Se o senhor está perguntando sobre os empregados, sim, todos estão bem.
Algo na fala da empregada chamou a atenção do Cullen.
-E Isabella? –Esperou a resposta, sentindo certa apreensão. Imaginou que Lauren só estava prolongando o silencio para atormentá-lo, algo que ela fazia muito bem.
-A princesinha não está na casa. –A resposta de Lauren foi como um soco na boca do seu estomago. Prendeu a respiração por alguns instantes, para logo mais a surpresa dar lugar a cólera. Isabella havia fugido? Como ela não poderia estar lá? Teria Caius, durante a sua ausência...
-COMO ASSIM NÃO ESTÁ NA CASA? ONDE ELA ESTÁ? –Exaltou-se o rapaz, chamando a atenção dos transeuntes que estavam ao seu redor no saguão do aeroporto. A mente ainda pensava em todas as possibilidades acerca da ausência da Swan. Fuga? Rapto? Caius? Uma vertigem atingiu Edward imediatamente, imaginando a garota nas mãos do psicopata Volturi. Como ele pôde se descuidar tanto, confiando a menina nas mãos de incapazes? –FALE LOGO ALGUMA COISA! –Grunhiu, exigindo que Lauren se manifestasse. Sua explosão, longe de assusta-la, parecia diverti-la.  
-Pergunte a Angela. Foi ela quem, afinal, autorizou a saída da garota.
-ENTÃO PASSE A MERDA DO TELEFONE PARA ELA! –Esbravejou o rapaz, controlando a força das mãos para não esmagar o aparelho celular. Não ouviu ruído algum do outro lado da linha e concluiu que Lauren finalmente fizera algo que prestasse. Andou de um lado para o outro, impaciente, desejando saber o que havia acontecido durante os sete dias em que estivera longe de casa na companhia da Denali.
Após minutos que pareceram horas, ouviu uma voz hesitante do outro lado da linha.
-Senhor Cullen. –Cumprimentou Angela e Edward pôde sentir do outro lado da linha o quão na defensiva ela estava, esperando pela torrente de xingamentos, imaginou.
-Você tem cinco minutos para explicar o que diabos está acontecendo e, talvez, eu não a demita no ato. –Apesar de falar mais baixo, a ameaça era premente e o rapaz ouviu o arfar da empregada. Ignorava o fato de sua atitude estar sendo hostil demais. Estava furioso por Isabella não estar em casa, esperando por ele, como deveria.
-O que Lauren disse ao senhor? –Ela perguntou após, aparentemente, se recompor. Sem paciência, ele não quis dar explicação alguma e adiar a informação de que tanto necessitava.
-Onde está Isabella? –Perguntou. A resposta veio num átimo.
-Não tive escolha! Nenhum de nós teve! A senhorita Swan estava muito mal e eu temia que a enfermidade piorasse!
-Enfermidade? Do que está falando?
-A senhorita Swan estava gravemente doente e, se eu não tivesse ligado para o doutor Withlock e ele não tivesse levado ela ao hospital, sequer saberia responder-lhe se ela estaria viva. -As palavras apressadamente ditas deixavam evidente o desespero da jovem empregada.
Sem saber como devia proceder, demitindo no ato Angela ou simplesmente desculpando-a, uma vez que a situação que ela descrevera só tinha como saída o que se sucedeu, Edward achou melhor deixar o assunto para outro momento.
Estou indo ao encontro de Isabella. Cullen desligando.
Então ela estava com Jasper, seu leal médico? Parou e refletiu, deixando a razão penetrar a consciência e apaziguar os nervos em frangalhos. A situação não estava tão ruim, afinal. Isabella estava nas mãos de alguém razoavelmente confiável que provavelmente estava cuidando dela como ninguém cuidaria. Ainda sim a ansiedade fazia os batimentos cardíacos de o jovem Cullen ficarem erráticos, ameaçando mantê-lo instável durante um bom tempo.
Caminhou para frente do aeroporto e, ao avistar um taxi esperando por algum passageiro, entrou sem pestanejar.
Agora lá estava Edward, a alguns metros do hospital onde o medico clinicava e fazia plantão. Tinha a certeza de que Isabella estava internada ali. Agora compreendeu parcialmente por que havia uma mensagem de voz do seu médico e, enquanto caminhava para a recepção do hospital, levando a bagagem à tira colo, ligou para Jasper.
-Edward. –O nome fora pronunciado do outro lado da linha como uma saudação, mas o Cullen, perceptivo como era às vezes, notou um leve aborrecimento.
-Soube do que aconteceu a minha... A minha prima. Eu estou no hospital aonde você clinica. Imagino que Isabella está internada aqui. Eu gostaria de saber se ela...
-Venha até o apartamento 503. Aguardarei você aqui. Explico tudo pessoalmente. –Desligou.
Sem saber como proceder após a impulsividade de seguir até o hospital sem ao menos passar em casa, pagou uma boa gorjeta a uma senhora responsável pela limpeza que ali passava pedindo que ela olhasse a sua bagagem e prometendo dar mais algum dinheiro assim que retornasse. Usou o elevador, rapidamente chegando ao quinto andar. E quando abriu a porta do apartamento 503...
Uma risada ecoou pelo ambiente, preenchendo a antessala em que ele estava. Embora o barulho fosse estranho aos seus ouvidos, identificou como sendo de Isabella. A mente rememorou os meses que se seguiram com ela sob sua custodia e constatou, petrificado, que nunca a ouvira rir daquele jeito. Estupidamente se perguntou se a televisão estava ligada em algum canal onde passava naquele momento algum programa de comédia. De que outra forma ela riria tão gostosamente assim? Ouviu então uma voz masculina que reconheceu como sendo de Jasper Withlock, seu médico há alguns anos.
O que diabos estava acontecendo no quarto onde Isabella estava?
Precipitou-se, dando passos largos até a entrada no outro cômodo. A conversa que acontecia parecia ter acabado, mas Isabella, mais linda e saudável do que nunca, ainda sorria e olhava com genuína adoração para o jovem medico sentado ao seu lado na cama. Edward sentiu que naquele momento era um intruso, perturbando um momento de felicidade e tranquilidade de ambos, que pareciam tão íntimos! Tão rápido quanto a sua entrada teatral e a percepção da cena, ele foi percebendo mais e mais do que acontecia; seus olhos como os olhos de uma harpia.
 Encarou a cena, estupefato. O modo como Isabella se comportava era mais amistoso do que jamais testemunhara e não ajudava em nada o fato da menina sorrir para o jovem médico, que retribuía com igual doçura aquele sorriso. Apertou os dedos no interior das mãos e constatou, horrorizado, que sentia ciúmes. Sim, ciúmes. Ele, a essa altura, era maduro o suficiente para compreender o que se passava em seu espírito e rapidamente nomear o que sentia, fosse amor, ódio, inveja, indiferença ou... ciúme.
Tarde demais, os dois jovens que ali se encontravam perceberam a presença do Cullen. Jasper levantou-se da cama, tentando distraidamente desamassar o jaleco branco com as mãos. Sorriu de uma forma profissional, um sorriso que não alcançava os seus olhos.
-É bom vê-lo, senhor Cullen. –Cumprimentou cordialmente. Não parecia agora o Jasper que arrancou uma gostosa risada de Isabella, e a encarou com tanta intimidade que qualquer um se sentiria constrangido.
-Vim assim que soube por intermédio de meus empregados. –Olhou para o ambiente, captando o quarto branco asséptico de boa aparência, com moveis brancos de boa qualidade. A janela fechada, uma vez que o ar da cidade não era mais puro como antigamente. Por fim pousou os olhos em Isabella, recostada na cama e olhando distraidamente para um pequeno buque de flores do campo recém-cortadas. Ela vestia uma camisa azul claro e, apesar de estar coberta pelo lençol de linho do hospital, ele pôde ver uma pequena fresta da calça moletom cinza que ela vestia. Estava com uma aparência melhor, as bochechas coradas, os olhos castanhos brilhantes, o cabelo, preso num rabo de cavalo, com um viço encantador. Tinha saúde, enfim.
-Tentei contatá-lo também, avisar o que se passava, mas você estava incomunicável. Bem, ao menos está aqui agora. –Jasper, apesar das palavras delicadas, deixou certa repreensão no ar, captada apenas por Edward.
-O que aconteceu? Ela está bem? –Ainda mantinha os olhos em Isabella, que parecia ignora-lo enquanto distraia-se acariciando um pequeno girassol do buque que ganhara. A postura dela, mais indiferente que o normal, afetou o jovem Cullen de um jeito que ele jamais admitiria ser possível.
-Ela estava com sérios problemas desde que deu entrada nesse hospital, mas agora está bem. Amanha receberá alta. –Jasper voltou o seu olhar para Isabella e sorriu. Ela imediatamente deixou de lado a indiferença que a envolvia e correspondeu aquele gesto. Edward, inconscientemente, apertou ainda mais as unhas bem feitas na palma de cada mão.
“O que é isso? Por que estou tão aborrecido com uma ninharia dessas?!” –Repreendeu-se Edward, já conhecedor da resposta. Ele nunca testemunhou aquelas reações tão doces da pequena Isabella. Também pudera, ele nunca fez jus aquele comportamento.
-Bom... Fico feliz que esteja praticamente sarada Isabella. –Queria que ela o olhasse, quem sabe com o mesmo calor com que olhava o médico. Mas ela apenas assentiu, perscrutando o ambiente com os olhos cor de chocolate, distraída ou fingindo estar. Ela claramente o ignorava.
-Gostaria de conversar com você Edward na minha sala. –Jasper virou e encarou Isabella com afeição. Edward estudou cautelosamente aquela aparente intimidade entre eles. –Eu vou chamar a enfermeira para trazer o seu almoço e remédios.
-Não pode contrabandear alguma cosia calórica para vir junto com a sopa como ontem? –Isabella perguntou, implorativa. Jasper riu de sua suplica.
-Milk shake, hambúrguer e fritas como ontem?
-Sim! –Isabella parecia extasiada.
-Ok.
Jasper foi o primeiro a sair, abordando uma enfermeira que circulava no corredor. Caminhou para o sexto andar onde ficava a sua sala. Edward o acompanhou em silencio.
Após pedir a secretaria que fizesse um pedido especial na Bobs, os dois entraram no consultório do médico.
-Não estou interado do que aconteceu. Não tive a oportunidade de falar com os meus empregados. Diga-me o que aconteceu.
-Isabella esteve com principio de pneumonia, um quadro leve de desnutrição e desidratação.
-Desnutrição? Desidratação? –O jovem mostrou surpresa, pois Isabella devia ser uma das jovens americanas que mais tinham condições de se empanturrar com o bom e o melhor da gastronomia. Jasper parecia estar falando de outra pessoa. –Ela teve tudo do bom e do melhor desde que ficou sob minha guarda! –Defendeu-se o rapaz.
-Eu não duvido disso. Mas você é um homem ocupado e provavelmente não notou que ela pouco se alimentava. Os seus empregados, todavia, notaram. Conversei com Angela após a internação de Isabella quando esta veio até aqui trazer alguns pertences da menina e souber como ela estava. Angela confirmou minhas suspeitas. Isabella pouco se alimentou ou ingeriu líquidos. Conversei com Isabella sobre isso. Ela me falou que tem sido difícil desde que deixou a sua cidade e veio tentar a vida na cidade grande.
Ouvindo atentamente o que Jasper dizia, Edward logo percebeu que a Swan sustentou a farsa de que ela era a sua prima, vindo de uma cidade interiorana para tentar a vida na cidade. Sentiu alivio pela menina não ter aberto o jogo com Jasper, pois o que cometia, Edward estava ciente, era crime. Apesar da confiança que sentia, ele conhecia bem o medico para saber que Jasper Withlock jamais deixaria a situação como está caso soubesse que Isabella vive em cárcere privado em sua casa.
-Eu não imaginava que estava sendo tão difícil para ela essa transição. –Falou com verdadeiro pesar. Rememorando os últimos acontecimentos, ele tinha uma noção do que poderia ter motivado a Swan a ser tão descuidada com a sua saúde. Para piorar Angela o havia alertado antes da viagem de sua condição, mas Edward ignorou o aviso e viajou por sete dias com uma loira oxigenada de coração vazio.
-Bem, Isabella não parece ser o tipo de pessoa que conversa abertamente sobre os seus problemas. Desde que ela acordou eu tenho tentando me aproximar, fazer com que ela diga alguma coisa, mas ela é bem reticente.
-Ela é bem fechada. Eu tenho certa... Dificuldade de comunicação com ela. –Mexia-se desconfortável. Edward não queria prolongar a conversa. Queria voltar para casa, comer algo e descansar. E queria que Isabella fosse com ele, evitando preocupações desnecessárias.
-Ela me parece ser uma boa pessoa, precisando de um pouco de atenção. Tenho conversado com ela. –Jasper sorria tranquilamente, como se lembrando de algo bem agradável. A sua postura terna de algum modo incomodou Edward.
-Então ela está melhor... Poderei busca-la amanha? –Encarou o Rolex no pulso, fingindo pressa. Jasper analisou o rapaz diante de si e se apiedou da Swan. Ela estava realmente sozinha, tendo ao lado um primo tão relapso.
-Sim. Amanha pela manhã. Anotarei para você os remédios que ela precisará tomar. Recomendo que ela volte para alguns exames de rotina. Precisamos monitorar a sua saúde. –O médico Caminhou até a mesa, preparando rapidamente uma receita. Entregou a Edward.
-Obrigado. Falarei rapidamente com ela e amanha pedirei a um dos meus empregados para busca-la. –Fez menção de sair, mas a mão do medico o deteve, segurando-o pelo ombro.
-Eu soube que ela está à procura de um emprego então eu estive pensando... A minha secretária sairá de licença maternidade daqui a duas semanas. Já que ela não encontrou nada até agora, ela poderia trabalhar para mim. O que você acha?
As palavras do loiro surpreenderam Edward. Permaneceu parado, olhando para o médico, por mais tempo do que o necessário. Não sabia como responder aquelas palavras sem se complicar. Isabella havia inventado uma mentira, inspirada pela primeira vez em que ela encontrou Jasper. Agora ele precisava dar prosseguimento a mentira.
-Dependerá de Isabella. Eu falarei com ela sobre isso. Obrigado pela ajuda. –Saiu da sala indo em direção ao elevador, encaminhando-se rapidamente para o quarto 503 a fim de ver, novamente, se a menina de fato estava bem. Ele encontrou ela debruçada sobre uma bandeja branca onde a pouco devia estar o seu almoço. Mastigava as últimas batatinhas, cortesia do médico. Ela encarou ele instantes depois da sua entrada, parecendo desconcertada em tê-lo diante dela sem a companhia de Jasper.
-Eu irei para casa. Cheguei a pouco da minha viagem. Amanha Benjamin ou Erick virá busca-la. Precisa de alguma coisa? –Deu alguns passos até estar em pé diante da Swan. Examinou o rosto que parecia de fato mais saudável.
-Angela veio aqui certo dia e trouxe tudo o que eu poderia precisar. Obrigada pela oferta. –Ela voltou a olhar com interesse redobrado a bandeja no seu colo, evitando o olhar de Edward. Isabella não queria voltar a ter os pensamentos obscuros que a atormentaram antes mesmo de Edward viajar. Graças ao tratamento e companhia de Jasper, ela havia recuperado um pouco a saúde e bom humor. Mas a menina bem sabia que a estabilidade sumiria de sua mente assim que retornasse a sua prisão dourada.
-Tudo bem. –Edward permaneceu por um par de segundos encarando a Swan. Percebeu então como sentira falta dela nos últimos sete dias em que esteve fora do país. Intimamente se perguntou como teria sido a viagem, ladeado por Isabella, ao invés de Tânia? Teria sido prazerosa? Ele não duvidava. Havia algo em Isabella cheio de vida onde até o ódio que ela sentia era preferível à frieza receptiva e afável de Tânia. O ódio era, afinal, um sentimento. Então se lembrou tardiamente da conversa com Jasper e da tensão que sentira ao imaginar que o médico poderia saber da real situação de Isabella.
-Conversei com Jasper agora a pouco. Ele me disse que você... –Sua fala foi interrompida por um suspiro alto da menina.
-Antes que diga algo, saiba que eu não contei a verdade a ele. Quando o doutor Withlock fez perguntas ao meu respeito, inventei uma historia. Sou uma prima sua que veio de uma cidade interiorana para tentar a vida na cidade. Como eu não conheço ninguém por aqui e nem tenho onde morar, o meu bom primo ofereceu ajuda. –Isabella riu com desdém, lembrando-se da dificuldade em mentir, embora a historia estivesse bem costurada. Ela sempre se julgou uma péssima mentirosa, uma vez que odiava fazer tal coisa. Felizmente o jovem Withlock pareceu acreditar.
O alivio de Edward era palpável. E vê-lo parecendo menos tenso do que estava fez Isabella concluir que ele só tinha ido até lá para saber que estragos a menina poderia ter feito com a sua boca grande, nada mais.
Ele não estava remotamente preocupado com ela.
-Bom. É melhor não o envolve-lo. Sustente a historia e não dê mais detalhes caso ele peça ou poderá cair em contradição.
-Eu sei, não sou nenhuma estúpida. –Rebateu a menina com rudeza, deixando Edward contrariado. Dada a situação física dela, o rapaz preferiu não discutir.
Era hora de ir, pensou, mas antes precisava esclarecer algo com Isabella.
-Você e Jasper estão muito próximos. –Os olhos cor de esmeralda fixaram-se na Swan.
-Apenas um relacionamento entre medico e paciente. –Deu de ombros a menina, despreocupada.
-Eu sou paciente de Jasper há anos e nunca fui tratado com tanta atenção. –Rememorando os anos sob os cuidados dele, Edward não se lembrava de alguma vez Jasper questioná-lo sobre as agressões que marcavam o seu corpo quando este vinha procurá-lo. Agora com Isabella, Edward achava que uma atenção desnecessária estava sendo dada e isso o incomodava.
-Você é homem. Não espere o mesmo tratamento. –O aborrecimento da Swan era palpável agora e Edward se viu pisando em ovos. Não, não era o momento para causar mal estar a ela. Isabella já havia passado por muita coisa e, um pouco mais, ela poderia se partir. O Cullen, apesar de tudo, não queria isso. Levando em consideração tudo o que aconteceu a eles e que o Cullen tinha participação na doença da menina, ele devia a ela; precisava fazer algo para acalentar o coração machucado da jovem Swan. Foi surpreendido pelas palavras dela enquanto o devaneio seguia firme na sua mente instantes atrás.
-Você é um homem ocupado. Imagino o quanto está custando ficar aqui comigo. Pode ir. Eu não contarei nada para ele. –A dispensa o incomodou o suficiente para ele crispar os lábios em irritação.   
-Você está realmente bem para dizer coisas ásperas com uma língua tão ferina. Mesmo depois da minha gentileza em vir até aqui saber como você está... Que seja. Nos vemos amanha. –Bateu ruidosamente a porta, deixando Isabella estarrecida com a declaração de que ele havia ido até o hospital por preocupação.
Após ligar para a sua residência, Edward deixou o hospital. Antes, ele pediu a Ben, que dirigia o veiculo, para que comprasse os remédios recomendados por Jasper a Isabella. Assim feito, chegou ao seu luxuoso apartamento na zona de Tribeca, em Manhattan, sendo recebido pelos empregados. Deixou nas mãos de Angela os cuidados para com a sua bagagem enquanto tomava um demorado banho. E em todos os minutos entre a visita ao hospital e um descanso na sua cama, a mente do jovem Cullen se lembrava do rosto bonito e distante que vira no apartamento de um hospital. 
...

CONTINUA...

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Prévia do capítulo 15 de Sweet Slave




Presentinho para as crianças crescidas que acompanham os meus escritos. Comentem, divulguem, e ajudem-me lá embaixo a ganhar um concurso. Beijos e logo teremos capítulos, assim que a faculdade me der uma folga. 

Capítulo 15

-A princesinha não está na casa. –A resposta de Lauren foi como um soco na boca do seu estomago. Prendeu a respiração por alguns instantes, para logo mais a surpresa dar lugar a cólera. Isabella havia fugido? Como ela não poderia estar lá? Teria Cais, durante a sua ausência...
-COMO ASSIM NÃO ESTÁ NA CASA? ONDE ELA ESTÁ? –Exaltou-se o rapaz, chamando a atenção dos transeuntes que estavam ao seu redor no saguão do aeroporto. A mente trabalhava a toda, pensando em todas as possibilidades acerca da ausência da Swan. Poderia ter fugido? Ou alguém a levou? E se Caius fosse o raptor? Uma vertigem atingiu Edward imediatamente, imaginando a garota nas mãos de um psicopata como o mais novo Volturi. Como ele pôde se descuidar tanto, confiando a menina nas mãos de incapazes? –FALE LOGO ALGUMA COISA! –Grunhiu, exigindo que Lauren se se manifestasse. Sua explosão, longe de assusta-la, parecia diverti-la.  
-Pergunte a Angela. Foi ela que, afinal, autorizou a saída da garota.
-ENTÃO PASSE A MERDA DO TELEFONE PARA ELA!

...

Encarou a cena, estupefato. O modo como Isabella se comportava era mais amistoso do que jamais testemunhada e não ajudava em nada o fato da menina sorrir para o jovem médico, que retribuía com igual doçura aquele sorriso. Apertou os dedos no interior das mãos e constatou, horrorizado, que sentia ciúmes.

...

O mundo da pequena parecia ter mudado radicalmente. Não parecia mais a jovem deprimida e excessivamente magra de outrora. Tinha o viço de uma menina na flor da idade, gozando de momentos felizes que somente ao lado de quem gostava ela poderia ter. O grande problema era que Isabella não estava experimentando isso ao lado de Edward, o homem por quem ainda era apaixonada, mas por outra figura de cabelos loiros que, em pouco tempo, invadiu e dominou o seu mundo.

...


-Eu preciso de você esta noite. E em todas as noites que virão. –Murmurou contra o ouvido da Swan, sentindo que as palavras causaram reação imediata na menina. Logo os braços finos enlaçavam a cintura do rapaz, empregando uma força maior do que a esperada de uma garota daquele porte tão frágil. 

CONTINUA...

Votem na fanfic O contrato no concurso em que ela está participando. Ajudem-me a abocanhar os prêmios! Divulguem! http://tudoteen12.blogspot.com.br/2012/10/abaixo-as-melhores-estao-aqui-votem-e.html

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Prévia estendida do cap 14 de Sweet Slave



Ontem a fanfic Sweet Slave fez um ano. Parece que foi a poucos dias que tive a idéia para aquela que seria a substituta de O contrato. Não achei que a ideia fosse vingar, uma vez que trata de um assunto forte como a escravidão sexual. Como forma de presentear meus leitores pela paciência e tudo o mais, deixo essa prévia estendida do próximo capítulo. Ainda estou escrevendo nele. Deixem comentários, divulguem, etc.

Capítulo 14

Remexeu distraidamente o iogurte de mitigo com a colher, sem vê-lo, embora os olhos castanhos estivessem fixos nele. Isabella estava distraída. A mente da menor vagava para os últimos acontecimentos daquela semana e sentia o peito se encher de um sentimento desagradável.
Há exatos sete dias Edward praticamente não lhe dirigia a palavra.
Não sabia explicar o que havia desencadeado tamanho comportamento, uma vez que ela tentava a todo custo ser agradável. Talvez ele estivesse com problemas sérios no trabalho e isso causou uma onda de estresse, mas algo dentro dela a advertia que a situação poderia ser mais complicada do que imaginava.
“O que foi que eu fiz? Semana passada tudo estava indo bem. Ele estava tão vulnerável e receptivo! Achei que nos entenderíamos, mas no outro dia ele simplesmente...” –Um toque no braço a despertou dos pensamentos. Encarou Angela ao seu lado, que aparentava preocupação.
-Senhorita Swan, está tudo bem? Quase não tocou na comida. –E, de fato, Isabella passou mais tempo remexendo nos itens da mesa de café da manhã posta pelos empregados do que comendo algo. –Por um acaso os pratos escolhidos não a estão agradando?
-Claro que não Angela! Eles são deliciosos! Eu apenas... Apenas estou sem fome. –Tentou sorrir, mas tudo o que conseguiu reproduzir foi uma careta. –E a propósito acho que acordei cedo demais, talvez por isso o meu apetite praticamente desapareceu. Voltarei para a cama. –Deixou de lado a comida e uma Angela preocupada e, sem demora, foi para o seu quarto. Pelo menos essa foi a ideia inicial.
Chegou a segurar a maçaneta, mas desistiu. Antes de se refugiar em seu pequeno palácio dourado, decidiu entrar no quarto de Edward Cullen, aproveitando-se do fato de que ele já se encontrava no escritório.
O quarto de decoração fria e moderna estava silencioso e iluminado pelo brilho do Sol que penetrava as persianas de vidro abertas. Tão impessoal, Isabella pensou. Nada de fotografias ou alguma evidencia de humanidade do seu dono. Aquele aposento poderia ser mais uma suíte requintada de um excelente hotel, nada mais.  
Caminhou em direção a cama king-size, tocando o edredom macio cor de chumbo antes de simplesmente se jogar na superfície macia. Aspirou sofregamente o perfume de amaciante de lavanda e uma colônia masculina cara que impregnava o local, reconhecendo o cheiro característico de Edward.
Ele não a tocava e sequer lhe dirigia a palavra como deveria há uma semana, algo que a estava atormentando. No inicio sentiu a surpresa pelo comportamento estranho...
-Bom dia. –Ele disse naquela manhã seguinte ao brutal espancamento sofrido pelos homens de Aro Volturi. Sentou-se na cadeira de sempre, olhando sem ver os empregados que o cercavam e uma Isabella sorridente. Ah, ela estava apaixonada e queria, naquela manhã, demonstrar!
-Como está se sentindo? –Perguntou ansiosamente ao rapaz, vendo que os machucados estavam um pouco camuflados por base na mesma tonalidade branca da cor da pele dele. Tocou o braço do rapaz que se afastou do seu toque como se ela o tivesse queimado. Edward encarava a xícara de café fumegante nas mãos quando respondeu.
-Bem. –E foi tudo o que disse durante vários minutos, retirando-se para o trabalho ao final do desjejum.
Naquela noite, lembrou-se com amargura a menina, Edward chegou cedo, jantou e se trancou no próprio quarto.
A sua surpresa durou dois dias.
Após dois dias de surpresa, ainda sendo vitima da indiferença de Edward que a evitava como uma praga, a Swan experimentou uma tristeza opressora. A tristeza perdurou pelos dias que se seguiram, mas ela só a demonstrou no terceiro dia, enquanto caminhava desanimada pelo luxuoso apartamento e lançava olhares desanimados para o Cullen quando o encontrava pela casa antes ou depois do expediente de trabalho. No quarto dia optou por mostrar indiferença a situação, esperando que, assim, ele se sensibilizasse; nada adiantou.
Suspirou sofregamente, levantando-se da grande cama. Contemplou por um par de segundos o quarto, até se sentir ridícula por estar ali. Saiu em direção ao seu próprio quarto onde uma pilha de livros, lidas recentemente, duelava contra uma pilha de livros que pegara na biblioteca de Edward. Ler tem sido uma forma interessante de passar o tempo e não remoer a rejeição sofrida.
Enquanto folheava o livro do dia, Isabella pensou em quão patética ela poderia parecer tentando fingir que tudo aquilo não a machucava. Ela já enfrentara tantas coisas na vida e julgou ser uma mulher forte, mas ela reconhecia as rachaduras no muro que ela criara em volta de si.
"Eu não sabia que poderia ser tão forte assim. E estou achando tudo isso uma merda." – Refletiu, encontrando a página em que parara no dia anterior. Recomeçou silenciosamente a leitura.
...
-Tenham uma boa tarde senhores. –Cumprimentou novamente os homens engravatados diante dele com um aperto firme em cada mão. Alexandrina os acompanhou até a saída, retornando instantes depois.
-Deseja almoçar agora, senhor Cullen? –Perguntou, sabendo qual seria a resposta antes dele verbaliza-la. Edward recostou-se o mais confortavelmente que pôde na poltrona de couro e contemplou o teto.
-Estou sem fome. Um café cairia bem agora. –Suspirou, como se aqueles ombros estivessem carregando um fardo colossal invisível aos olhos da loira. Alexandrina apressou o passo, seguindo para a copa a fim de preparar o café desejado pelo chefe. Edward permaneceu alheio a tudo, apreciando o silencio, perturbado unicamente pelo tiquetaquear de um grande relógio de aço pendurado na parede da sua sala em frente a sua mesa.  
Há sete dias passava a maior parte do tempo em seu escritório, ocupando a mente o tanto quanto podia com as suas atividades de contador das finanças alheias. Queria evitar pensar demais nas medidas que tomara dias atrás, a fim de não repetir o mesmo erro que cometera com a sua antiga escrava. Afastou-se de Isabella Swan como se a mesma fosse uma doença, falando o mínimo que podia e não procurando a sua companhia ao chegar da noite. Ele viu nos olhos castanhos a confusão nos primeiros dias pelo modo como a estava tratando, algo que se tornou decepção no terceiro dia. Agora, passados sete dias de estranheza, a menina agia com aparente indiferença.
Toda a situação estava incomodando o Cullen, mas ele sabia que isso era melhor do que ficar apreensivo, vigiando as inconstâncias da menina e comparando-as a Jessica. Ele também sabia que não poderia ficar dessa forma por muito tempo.
“Eu não poderia devolvê-la a Aro, pois certamente ela cairia em mãos nada gentis. Também não posso libertá-la, não enquanto a obsessão de Caius paira no ar. O melhor é Isabella continuar em meu poder, mas preciso encontrar uma forma de manter distancia sem machuca-la.” –Refletiu Edward, vendo então a secretária entrar novamente em sua sala com uma xícara de café fumegante nas mãos.
 A secretária dá chefe o café preparado, avisando-o que logo haveria mais um encontro com clientes. Ao sair da vista do jovem Cullen, Alexandrina, perceptiva como é, sabia que o patrão parecia abalado por algum motivo. Estranhou. O que poderia abalar a muralha que era Edward Cullen se nem os abusos sofridos por Aro Volturi o abalavam tanto?
Enquanto a loira especulava, um rapaz, ainda sentado na grande poltrona de couro preto, desejava e repudiava uma única mulher.
...
Um silêncio sepulcral se instalou naquela casa assim que Edward chegou. Agora estavam os dois sentados na grande mesa onde as refeições eram feitas, com Isabella na cadeira mais distante. Olhando para a menina, que parecia não fazer questão de se sentar próxima a ele como antes, ele soube que algo estava muito errado.
Isabella estava calada, desmantelada na aparência, vestida num jeans comum, suéter salmão, tênis branco, sem maquiagem e com os cabelos presos num coque improvisado. Não parecia comer e os olhos vagavam distraídos por todo o espaço, menos nele. Indiferente ao extremo, concluiu. Notou também que ela parecia mais pálida, doentia. Talvez nem estivesse dormindo direito, além de não comer direito como acontecia.
Edward merecia o comportamento indiferente, mas algo dentro dele ainda repudiava tal coisa. Quis exigir a Swan um tratamento melhor, mas se conteve. Ele não tinha esse direito. Suspirou em descontentamento, vendo no seu quarto a única opção para refugio. Se ele iria continuar evitando-a, precisava simplesmente aceitar a situação toda e seguir em frente. Ser dúbio para com a Swan estava fora de cogitação.
-Boa noite. –Disse subitamente, pegando o paletó cinza que repousava no encosto da cadeira onde estivera sentado e levantando-se, deixando para trás um prato quase intocado. Isabella passou a encarar o prato, murmurando alguma coisa semelhante a um “boa noite”, ou talvez estivesse apenas mastigando uma porção do risoto, ele não sabia.
Sentiu no corpo o peso do cansaço, mais opressor do que em qualquer outro dia, e quis apenas dormir. Edward experimentou a banheira, coisa que pouco utilizou, apreciando enormemente ficar imerso na água morna com sais de banho enquanto ouvia os noturnos de Chopin nas caixas de som pequenas acopladas ao seu IPOD. Embrulhou-se no roupão azul marinho pendurado em um cabide no banheiro quando acabou, sentando na cama enquanto secava os cabelos cor de cobre com uma toalha de rosto da mesma cor do roupão que o cobria. Lembrou-se do olhar vazio da Swan, como se ele tivesse voltado a ser uma pessoa insignificante aos olhos castanhos e algo dentro do seu peito doeu. Ele não queria voltar a ser o homem que não tinha amor para onde quer que olhasse. Intimamente queria o apreço da menina novamente, mas como ter isso sem correr os riscos?
Tocou um ponto dolorido no rosto enquanto secava o mesmo e lembrou-se imediatamente do dia em que fora agredido por Felix. Os machucados estavam quase sarados e ele sabia que muito disso se devia a Isabella. Ela o olhou e cuidou de seus machucados, permanecendo com ele naquela noite semana passada. Ela, alias, foi tão amável com ele que Edward não só se surpreendeu como desejou ter aquele zelo todo por ele mais e mais vezes.
Ele agora não tinha nada.
Irritado, pegou o primeiro pijama que as suas mãos alcançaram no closet, uma calça moletom preta e uma camisa de algodão verde musgo, e foi se deitar.
Enquanto isso Isabella ainda permaneceu vários minutos alheia a tudo, mordiscando o jantar enquanto olhava para a cadeira a sua frente. Edward estava mudado e não dava indícios de que voltaria a ser o rapaz um pouco menos descomplicado e até carinhoso dos dias anteriores. Resignou-se, sabendo que protestar não adiantaria. Já havia passado por situações piores e sobreviveu, portanto passaria por essa nova fase.
A Swan deixou a sala de jantar antes da sobremesa, seguindo para o quarto. Trocou as roupas por uma calça moletom e uma blusa cinza. Não foi diretamente para a cama, preferindo sentar em uma poltrona que ela arredara para frente de uma persiana, constantemente aberta até no período da noite nos últimos três dias. Mesmo sendo uma atitude imprudente, uma vez que poderia ficar resfriada, Isabella gostava da sensação do vento frio da noite tocando o seu rosto, bagunçando os cabelos, enquanto ela lia. E foi assim que se posicionou, passando varias horas até o cansaço reivindicar uma cama. Deixou a janela aberta, sem se incomodar com a temperatura invernal graças ao ato imprudente.
Suspirou audivelmente, lastimando-se ao lembrar que o dia seguinte seria tão horrível quando o dia de hoje.
...
Após algumas doses de vodca pura, Edward finalizou sua quinta dose de uísque com uma golada, ignorando a sensação quente garganta adentro. Deixou o copo sobre a mesa enquanto girava a cadeira onde estava sentado em círculos. Não conseguira dormir apesar do cansaço e decidiu, portanto, se refugiar no escritório anexo ao quarto. Tentou se ocupar com o trabalho, por esse motivo tendo o notebook ligado a sua frente, mas inexplicavelmente não produzir nada.
Por fim desistiu de tentar adiantar algo, desligando o laptop e seguindo, meio cambaleante pelo excesso de álcool,para a cama. Comer pouco e beber tantas doses deixara Edward embriagado o suficiente para fazer o que bem entendesse, sem a intervenção da sensatez. Por esse motivo, ao contemplar a cama onde estivera deitado, preferiu sair do seu aposento e seguir pelo corredor até a frente do quarto de Isabella. Não estava raciocinando, uma parte dele sabia, mas entorpecido como estava pelo álcool, não ligou.
Usando a parede como amparo e dando passos trôpegos, adentrou o quarto, sentindo um frio invernal, que ignorou. Também pudera, a janela estava aberta. Ao invés de fechar a persiana e impedir que o frio continuasse, procurou unicamente o calor que a menina deitada na cama poderia proporcionar, inconsciente do fato que ele estivera ignorando ela sem dar explicações.
Bella dormia placidamente, mas um toque no ombro exposto pelo cobertor a despertou. Uma mão fria e estranhamente familiar a reivindicava e ela, que até então estava deitada de lado de costas para a parede, virou-se, encostando as costas no colchão. Encarou surpresa Edward, que a olhava com os olhos esmeraldinos estranhamente opacos. Cheirava a álcool e, sentado na cama e inclinado para ele, estava muito perto.
Ela viu as intenções naquele olhar espaçado que queimava, sabia que Edward a desejava e a queria para si naquele momento. Lembrou-se então do modo como ele a tratara nos últimos dias, sabendo que, se tivesse algum amor próprio, deveria afastá-lo. O seu corpo, todavia, ansiava pelo toque ao qual fora negado a ela por sete dias. Enquanto decidia como procederia aquela aproximação, muito provavelmente movida ao fato do Cullen estar embriagado, Edward foi mais rápido. Ele tocava o rosto alvo com a ponta dos dedos, numa caricia continua.  
-Tão quente... –Murmurou tropegamente. –E minha a hora que eu quiser. –Sorriu perverso, sentindo a excitação toma-lo com mais força ante a imagem deles dois juntos. E Bella, mesmo sabendo onde tudo isso terminaria, principalmente ao sentir as mãos de Edward tateando o corpo dela por cima do edredom, perguntou:
-Por que você é assim? Depois de tudo o que fez comigo essa semana?
- A maravilha de decair, Isabella, é que eu posso ser o vilão a hora que quiser. –E com essas palavras, ele se inclinou ainda mais, colando os lábios dele aos dela.
E Isabella, que colocara as mãos espalmadas no peito na tentativa de impedi-lo, se viu fraca demais. Ela não poderia, nem quereria, afastar Edward e impedi-lo de agir, uma vez que estava apaixonada por ele. Por isso envolveu o pescoço do rapaz com os seus pequeninos braços, puxando-o para si. Adorou o modo como os lábios se encaixaram e as mãos do rapaz infiltraram-se em sua camisa, acariciando a pele lá.
Era melhor tê-lo uma vez do que nunca, pensou.
...
Algo chamou a sua atenção, não soube dizer o que. Um corpo muito quente cobria o seu. Edward abriu os olhos e viu, graças ao brilho emitido pelos primeiros raios de Sol que penetravam o quarto através da janela, que Isabella dormia no seu peito e o corpo dela estava anormalmente quente. Preocupado, Edward colocou a mão em sua testa, constatando que estava febril.
Instintivamente o rapaz tentou cobri-la melhor para diminuir os pequenos tremores que assaltavam o corpo dela, atritando as mãos na pele da menina numa tentativa vã de aquecê-la. Olhou com atenção para o rosto sonolento e notou que Bella estava mais magra, algo que só agora parecia ridiculamente visível, e pálida como anteriormente notou. Talvez estivesse constipada, nada com o que se preocupar.
Tardiamente, Edward percebeu a situação em que estava. Havia se comprometido a ficar a certa distância de Isabella, conseguira por sete dias, mas havia fraquejado por culpa de algumas doses de bebida. Praguejou silenciosamente, afastando-se de Isabella. Vacilos como esse não poderiam acontecer, mas como ele se privaria de Isabella se o corpo parecia clamar por ela?
Precisava se afastar de Isabella com maior eficácia e, para isso, teria que passar algum tempo longe de casa. Alias, já havia algum tempo que o rapaz sentia a necessidade de tirar umas boas férias em algum lugar onde o nome Aro Volturi não fosse pronunciado.
A mente do jovem Cullen trabalhava furiosamente, planejando o quanto antes uma escapada de vários dias para alguma parte do mundo. Talvez levasse alguma companhia, talvez não. O mais importante era livrar-se da tentação que Isabella representava, a fim de não repetir erros do passado e ressuscitar fantasmas por intermédio de outras pessoas.
Levantou-se, pegando as roupas no chão. Logo Edward estava vestido, saindo do quarto da Swan sem olhar para trás.
...
Quando os olhos cor de chocolate se abriram, a luz tratou de fecha-los novamente. Espreguiçou-se, manhosa, tateando a cama em busca de um corpo que claramente não estava mais lá. Quando a vista se acostumou com o excesso de luminosidade, Isabella constatou que estava sozinha.
“Acho que isso vai se tornar rotina.” –Suspirou, sentindo a garganta arranhar. Notou também que o corpo tremia levemente, fazendo com que voltasse a se cobrir com o edredom. Estava febril, constatou, mas isso não a preocupou. Levantou, indo diretamente ao banheiro. Isabella notou certa melhora em sua condição após um banho quente, vestindo roupas para o frio a fim de aplacar os tremores.
Angela e Erick estavam na sala de jantar, conversando coisas amenas. Cumprimentaram a Swan quando esta entrou no campo de visão de ambos. Bella sorriu fracamente, dando bom dia, sentando-se na cadeira de sempre. Contemplou a mesa cheia de quitutes dos mais variados tipos. Naquela manhã a menina não sentia vontade alguma de comer.
-Senhorita Swan, está se sentindo bem? –Perguntou Angela, olhando-a com preocupação. A empregada via uma Isabella pálida, com as bochechas vermelhas. Definitivamente aquilo não era indicio de um simples rubor, concluiu a mais velha. Tocou a testa da Swan e estremeceu. –Meu Deus! Está queimando!
-Eu estou bem. Isso não é nada. –Disse a menor com descaso, servindo-se de suco de laranja.
-Febre é indicio de algum problema com o seu organismo. –Insistiu Angela, ao que Isabella respondeu com um dar de ombros.
-Tomarei um antitérmico mais tarde, se a febre persistir. Não se preocupe. –Apesar do mal estar, Bella tentou passar a imagem mais saudável que conseguiu, não querendo tanta preocupação e atenção sobre si. Crescera preocupando-se com os outros e cuidando do bem estar alheio, por isso dispensava a atenção da empregada o tanto que podia.
Com um suspiro Angela se resignou, entregando ao final do café da manhã, que Isabella mal tocara, um antitérmico para ela. Bella agradeceu, pegando o comprimido enquanto seguia para o seu aposento. Ela se entreteceu na leitura como em todos os outros dias, em frente a janela aberta, esquecendo-se por completo do remédio.
Mais um capítulo de O morro dos ventos uivantes a esperava.
...
Balançava distraidamente a caneta de aço com entalhes em ouro entre os dedos. Os olhos em frente ao lap top, vasculhando localidades amenas onde poderia passar alguns dias sem ser importunado. Já havia decidido viajar sozinho e, se fosse preciso, encontraria alguma companhia agradável na própria localidade. Quem sabe assim ele não colocaria a cabeça no lugar e decidiria o rumo da própria vida?
Em um canto, Alexandrina guardava em uma estante de mogno com maçanetas de aço alguns arquivos, parecendo absorva em seu trabalho. Edward olhou compenetrado para a secretária, pensando se ela não poderia ser uma boa companhia para ele. Descartou rapidamente a hipótese, sabendo que nada conseguiria com a loira. Tentou certa vez, mais como um teste para saber se ela seria qualificada para trabalhar com ele do que um genuíno interesse.
-... Um currículo impressionante, devo dizer. –Olhou para as papeladas e mais papeladas que a loira bem vestida em um tailleur preto, os cabelos presos num coque elegante. Ela havia sido impecável até agora, desde a entrega do currículo até o modo discreto como se sentou em frente a ele. Comparando-a como as outras, Alexandrina era diametralmente oposta. As outras candidatas costumavam vir com roupas mais ousadas e se insinuavam na primeira olhada.
Edward não queria uma mulher que fingisse trabalhar enquanto planejava meios de assedia-lo. Ele queria alguém que pudesse ajuda-lo, algo que não aconteceu efetivamente com as outras trinta e cinco secretarias que tivera desde que abriu o seu escritório. Bom de fato as secretarias o ajudaram com outras pendências... Não que isso fosse complementar o currículo de alguma delas no futuro, a não ser que almejassem o cargo de prostitutas de luxo.
Embora Alexandrina estivesse sendo absolutamente formal, tudo poderia ser um ardil. Decidiu testa-la a fim de evitar problemas futuros. Levantou-se da poltrona onde estivera sentado, contornando a mesa e postando-se em frente a loira. Tinha um meio sorriso nos lábios enquanto os olhos verdes olhavam de cima a baixo a pretensa candidata.
-O seu currículo é incrível, mas já encontrei currículos tão bons quanto os seus desde que coloquei o anuncio online. O que poderia diferencia-la das demais candidatas que entrevistei essa semana é algo que terá de me mostrar. –Sentou-se na mesa em frente a mulher.
-E que habilidades deseja ver além daquelas mostradas e comprovadas por meio de documentação? –Perguntou Alexandrina em uma voz impassível.
-Não serei eu a falar, mas você que deverá mostrar. Venha aqui. –Chamou a loira com o dedo indicador, deixando clara as suas intenções. Alexandrina levantou e, enquanto se aproximava, Edward sentiu a decepção por ela ter se deixado levar tão facilmente. Outras candidatas resistiram um pouco mais, ele lembrou.
Ficaram a centímetros graças a aproximação da loira e, antes que Edward pudesse fazer quaisquer movimentos, foi fortemente esbofeteado.
-Eu poderia processa-lo por assedio, mas costumo resolver pendências como esta com as minhas próprias mãos. –Pegou a bolsa de couro preta na cadeira onde estivera sentada e caminhou a passos firmes para a porta. Uma voz a deteve.
-Está contratada. –Edward anunciou, vendo com diversão o espanto da loira com o aviso. Certamente ela não esperava conseguir o emprego após tê-lo agredido.
A lembrança causou um riso involuntário que Edward tentou sem sucesso sufocar. Alexandrina encarou o chefe com confusão antes de se retirar da sala.
Após refletir sobre o que faria um pouco mais, depois de uma dose despretensiosa de Martini, Edward se decidiu. Ligou para o ramal da secretária e disse:
-Alexandrina, ligue para a companhia aérea que costumo requisitar, resevando uma passagem de ida para as ilhas Fiji. Faça uma reserva no melhor hotel de lá, o Poseidon Undersea Hotel, para sete dias. Tirarei férias a partir de amanhã. –Desligou o telefone em cima da mesa.
...

CONTINUA...