Olá pessoas do meu coração! Venho justificar, como sempre faço, minha ausência. Estou cheia de trabalhos acadêmicos para fazer e, para completar, minha saúde não está muito boa. Por esse motivo peço desculpas pela demora. Quando dá eu escrevo, mas para o que eu tenho planejado para esse capítulo eu terei que escrever bem mais do que o prometido. Como não quero deixá-los sem nada aí vai uma prévia estendida, mas antes disso venho pedir mais votos para a fic O contrato que está concorrendo a um concurso. Você pode votar quantas vezes quiser. Segue o link da votação:
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Agora leiam, divulguem e comentem a prévia, por favor!
Capitulo 15
O corpo estava estranhamente leve.
Bella sonhou com uma casa num subúrbio pobre. A casa era
simples, com varias fotografias bem emolduradas em cima de um mezanino de
madeira na sala. Poltronas gastas onde repousava uma manta verde feita pela sua
avó paterna que não chegou a conhecer. Armários de madeira onde adesivos
alegres com temais florais e pássaros foram colados aleatoriamente. Uma
geladeira repleta de comidas congeladas. Ela estava sentada em uma das cadeiras
da pequena mesa de madeira no centro da cozinha, mexendo nas frutas de plástico
dentro de uma cesta. Esperava alguma coisa que não vinha e, intuitivamente,
soube o que era.
A casa estava vazia. Nada do barulho vindo da televisão velha
onde o pai acompanhava os jogos de beisebol. Nada dos passos apressados da mãe
pela cozinha enquanto tentava salvar um jantar arruinado, a julgar pelo cheiro
de queimado. Nada do entrar e sair das amigas barulhentas da mãe, que vinham
lhe empurrar cosméticos de baixa qualidade por preços exorbitantes.
O vento soprava fuligem da cidade para dentro daquele local
graças às persianas abertas e Bella nunca se sentiu tão sozinha em toda a sua
vida.
Ela despertou.
Estava em um quarto branco, tão branco que fechou os olhos
diante da claridade. Algo estava sobre a sua face, borrifando um ar tão puro
como nunca sentiu naquela cidade com mais alguma coisa, provavelmente um
medicamento. Um bipe soava próximo, monitorando seus batimentos cardíacos.
Sentia-se suada, com uma camisola hospitalar colada ao corpo. A fome e a sede a
atacaram instantes depois, mas nada que a fizesse implorar a alguém um prato de
comida como alguém oriundo da Etiópia.
Sentia o corpo pesado, cansaço, castigado. Lembrou-se do que
passara nos últimos tempos e compreendeu a situação rapidamente. A doença que a
acometera foi tão grave a ponto de ela parar num hospital? E quem poderia ter
levado ela até ali?
O coração palpitou audivelmente com a possibilidade de Edward
tê-la trazido para lá. Olhou envolta, vendo um pequenino buque de flores do
campo dentro de um copo com água. Sorriu diante daquele pequeno, porem
encantador, presente. Seria uma forma do rapaz se desculpar pelo modo como a
havia tratado?
Esticou o braço que não estava preso com a agulha do soro e
pegou o punhado de flores amarrados por um arame. Olhou aquela beleza efêmera,
enternecida. Ele estava de volta, o estoico senhor Cullen, e havia concedido a
ela pequenas gentilezas que rapidamente aqueceram o seu coração. Queria vê-lo,
precisando demais do calor daquele corpo masculino, sentir o cheiro de colônia
cara e a frieza dos dedos compridos e magros...
A porta se abriu.
Isabella estacou, esperando ver Edward vestido num terno bem
cortado, com os cabelos acobreados em perfeito desalinho, mas não foi isso o
que encontrou.
Um jovem de cabelos ondulados loiros, olhos castanhos, alto,
entrou no seu quarto. De jaleco banco por cima da camisa de botões azul clara,
ela logo reconheceu um médico, mas não qualquer médico. Era o médico de Edward
Cullen. Ela o vira certa vez, muito brevemente.
-Acordou! –Exclamou eufórico. –Fiquei preocupado. Enfim, bem
vinda novamente. –O rapaz se aproximou lentamente da cama da menina, ficando a
poucos passos de distancia. –Lembra-se de mim, Isabella? –Perguntou com um
bonito sorriso tranquilo estampado nos lábios cheios. Ela tentou devolver
aquele gesto com um sorriso, mas parecia sem forças para tal.
-Sim. –Murmurou, sentindo a garganta ferida. Não soube ao certo
se o rapaz conseguiu ouvir já que a boca e nariz estavam cobertos por um
respirador, mas ele concordou com a cabeça, satisfeito com a resposta.
–Edward... Ele está aqui?
Diante da pergunta, Isabella viu o rosto de Jasper ficar sério demais.
Ela teve a sua resposta no ato.
Uma dor a atingiu como um raio, sufocando-a. Os olhos castanhos
se encheram de lágrimas que, silenciosas, escorreram pelo rosto alvo demais.
Jasper viu a menina entrar em uma tristeza profunda em pouco tempo, até a voz
sair em soluços incontroláveis. Não entendeu exatamente o que se passava ali,
mas prontamente sentou na cama, acariciando os cabelos cor de mogno com
meiguice, um pequeno atrevimento que nunca ousou praticar com nenhum paciente.
Mal ele sabia que a sua patética tentativa de consolo apenas
aumentava a sensação de dor no peito da pequena. Como colocar algum remédio de
composição propensa ao ardor em um corte.
Ele não sabia, mas Bella
estava se sentindo o ser humano mais sozinho da face da Terra.
...
Os pés calçados batucaram, impacientes, o carpete de borracha do
taxi. Olhou para o horário no relógio de pulso por mais vezes do que o normal,
o que poderia fazer os outros pensarem que se tratava de TOC. Não ligava.
Edward Cullen estava apreensivo demais para notar o caos ao qual voltara a se
inserir horas antes quando desembargou de um avião que o trouxera das Ilhas
Fiji.
Isabella. Saber da situação o deixou estranhamento tenso. As
mãos, suadas, atritavam-se freneticamente a calça jeans preta enquanto ele
olhava para a paisagem metropolitana do lado de fora da janela. Isabella estava
em algum lugar, muito doente, sozinha. Repreendeu-se por não ter sido sensível
o suficiente para adiar os planos e cuidar melhor dela uma vez que Angela o
alertara da saúde da Swan antes de sua partida. A mente trabalhava a mil,
rememorando as palavras ditas pela empregada horas antes quando, após dias com
o celular desligado, notou as mensagens do telefone de sua residência, algumas
até de Jasper Withlock, e, por fim, decidiu retornar a mais insistente delas.
-Residência de Edward
Cullen. –Foi Lauren quem atendeu em sua voz desagradavelmente anasalada.
-Edward falando.
Recebi ligações daí enquanto estava viajando. Está tudo bem? –Perguntou afoito.
Alguma coisa dentro dele o alertava para as sete ligações feitas. Não era do feitio
dos empregados ligar e se isso aconteceu eles tiveram um bom motivo.
-Isso depende, senhor
Cullen. Se o senhor está perguntando se está tudo bem com o seu imóvel, sim ele
está bem. Se o senhor está perguntando sobre os empregados, sim, todos estão bem.
Algo na fala da
empregada chamou a atenção do Cullen.
-E Isabella? –Esperou
a resposta, sentindo certa apreensão. Imaginou que Lauren só estava prolongando
o silencio para atormentá-lo, algo que ela fazia muito bem.
-A princesinha não
está na casa. –A resposta de Lauren foi como um soco na boca do seu estomago.
Prendeu a respiração por alguns instantes, para logo mais a surpresa dar lugar
a cólera. Isabella havia fugido? Como ela não poderia estar lá? Teria Caius,
durante a sua ausência...
-COMO ASSIM NÃO ESTÁ
NA CASA? ONDE ELA ESTÁ? –Exaltou-se o rapaz, chamando a atenção dos transeuntes
que estavam ao seu redor no saguão do aeroporto. A mente ainda pensava em todas
as possibilidades acerca da ausência da Swan. Fuga? Rapto? Caius? Uma vertigem
atingiu Edward imediatamente, imaginando a garota nas mãos do psicopata Volturi.
Como ele pôde se descuidar tanto, confiando a menina nas mãos de incapazes?
–FALE LOGO ALGUMA COISA! –Grunhiu, exigindo que Lauren se manifestasse. Sua
explosão, longe de assusta-la, parecia diverti-la.
-Pergunte a Angela.
Foi ela quem, afinal, autorizou a saída da garota.
-ENTÃO PASSE A MERDA
DO TELEFONE PARA ELA! –Esbravejou o rapaz, controlando a força das mãos para
não esmagar o aparelho celular. Não ouviu ruído algum do outro lado da linha e
concluiu que Lauren finalmente fizera algo que prestasse. Andou de um lado para
o outro, impaciente, desejando saber o que havia acontecido durante os sete
dias em que estivera longe de casa na companhia da Denali.
Após minutos que
pareceram horas, ouviu uma voz hesitante do outro lado da linha.
-Senhor Cullen.
–Cumprimentou Angela e Edward pôde sentir do outro lado da linha o quão na
defensiva ela estava, esperando pela torrente de xingamentos, imaginou.
-Você tem cinco
minutos para explicar o que diabos está acontecendo e, talvez, eu não a demita
no ato. –Apesar de falar mais baixo, a ameaça era premente e o rapaz ouviu o
arfar da empregada. Ignorava o fato de sua atitude estar sendo hostil demais.
Estava furioso por Isabella não estar em casa, esperando por ele, como deveria.
-O que Lauren disse
ao senhor? –Ela perguntou após, aparentemente, se recompor. Sem paciência, ele
não quis dar explicação alguma e adiar a informação de que tanto necessitava.
-Onde está Isabella?
–Perguntou. A resposta veio num átimo.
-Não tive escolha!
Nenhum de nós teve! A senhorita Swan estava muito mal e eu temia que a
enfermidade piorasse!
-Enfermidade? Do que
está falando?
-A senhorita Swan
estava gravemente doente e, se eu não tivesse ligado para o doutor Withlock e
ele não tivesse levado ela ao hospital, sequer saberia responder-lhe se ela
estaria viva. -As palavras apressadamente ditas deixavam evidente o desespero
da jovem empregada.
Sem saber como devia
proceder, demitindo no ato Angela ou simplesmente desculpando-a, uma vez que a
situação que ela descrevera só tinha como saída o que se sucedeu, Edward achou
melhor deixar o assunto para outro momento.
Estou indo ao
encontro de Isabella. Cullen desligando.
Então ela estava com
Jasper, seu leal médico? Parou e refletiu, deixando a razão penetrar a
consciência e apaziguar os nervos em frangalhos. A situação não estava tão ruim,
afinal. Isabella estava nas mãos de alguém razoavelmente confiável que
provavelmente estava cuidando dela como ninguém cuidaria. Ainda sim a ansiedade
fazia os batimentos cardíacos de o jovem Cullen ficarem erráticos, ameaçando
mantê-lo instável durante um bom tempo.
Caminhou para frente
do aeroporto e, ao avistar um taxi esperando por algum passageiro, entrou sem
pestanejar.
Agora lá estava Edward, a alguns metros do hospital onde o
medico clinicava e fazia plantão. Tinha a certeza de que Isabella estava
internada ali. Agora compreendeu parcialmente por que havia uma mensagem de voz
do seu médico e, enquanto caminhava para a recepção do hospital, levando a
bagagem à tira colo, ligou para Jasper.
-Edward. –O nome fora pronunciado do outro lado da linha como
uma saudação, mas o Cullen, perceptivo como era às vezes, notou um leve
aborrecimento.
-Soube do que aconteceu a minha... A minha prima. Eu estou no
hospital aonde você clinica. Imagino que Isabella está internada aqui. Eu
gostaria de saber se ela...
-Venha até o apartamento 503. Aguardarei você aqui. Explico tudo
pessoalmente. –Desligou.
Sem saber como proceder após a impulsividade de seguir até o
hospital sem ao menos passar em casa, pagou uma boa gorjeta a uma senhora
responsável pela limpeza que ali passava pedindo que ela olhasse a sua bagagem
e prometendo dar mais algum dinheiro assim que retornasse. Usou o elevador,
rapidamente chegando ao quinto andar. E quando abriu a porta do apartamento
503...
Uma risada ecoou pelo ambiente, preenchendo a antessala em que
ele estava. Embora o barulho fosse estranho aos seus ouvidos, identificou como
sendo de Isabella. A mente rememorou os meses que se seguiram com ela sob sua
custodia e constatou, petrificado, que nunca a ouvira rir daquele jeito.
Estupidamente se perguntou se a televisão estava ligada em algum canal onde passava
naquele momento algum programa de comédia. De que outra forma ela riria tão
gostosamente assim? Ouviu então uma voz masculina que reconheceu como sendo de
Jasper Withlock, seu médico há alguns anos.
O que diabos estava acontecendo no quarto onde Isabella estava?
Precipitou-se, dando passos largos até a entrada no outro
cômodo. A conversa que acontecia parecia ter acabado, mas Isabella, mais linda
e saudável do que nunca, ainda sorria e olhava com genuína adoração para o
jovem medico sentado ao seu lado na cama. Edward sentiu que naquele momento era
um intruso, perturbando um momento de felicidade e tranquilidade de ambos, que
pareciam tão íntimos! Tão rápido quanto a sua entrada teatral e a percepção da
cena, ele foi percebendo mais e mais do que acontecia; seus olhos como os olhos
de uma harpia.
Encarou a cena, estupefato.
O modo como Isabella se comportava era mais amistoso do que jamais testemunhara
e não ajudava em nada o fato da menina sorrir para o jovem médico, que
retribuía com igual doçura aquele sorriso. Apertou os dedos no interior das
mãos e constatou, horrorizado, que sentia ciúmes. Sim, ciúmes. Ele, a essa
altura, era maduro o suficiente para compreender o que se passava em seu
espírito e rapidamente nomear o que sentia, fosse amor, ódio, inveja,
indiferença ou... ciúme.
Tarde demais, os dois jovens que ali se encontravam perceberam a
presença do Cullen. Jasper levantou-se da cama, tentando distraidamente
desamassar o jaleco branco com as mãos. Sorriu de uma forma profissional, um
sorriso que não alcançava os seus olhos.
-É bom vê-lo, senhor Cullen. –Cumprimentou cordialmente. Não
parecia agora o Jasper que arrancou uma gostosa risada de Isabella, e a encarou
com tanta intimidade que qualquer um se sentiria constrangido.
-Vim assim que soube por intermédio de meus empregados. –Olhou
para o ambiente, captando o quarto branco asséptico de boa aparência, com
moveis brancos de boa qualidade. A janela fechada, uma vez que o ar da cidade
não era mais puro como antigamente. Por fim pousou os olhos em Isabella,
recostada na cama e olhando distraidamente para um pequeno buque de flores do
campo recém-cortadas. Ela vestia uma camisa azul claro e, apesar de estar
coberta pelo lençol de linho do hospital, ele pôde ver uma pequena fresta da
calça moletom cinza que ela vestia. Estava com uma aparência melhor, as bochechas
coradas, os olhos castanhos brilhantes, o cabelo, preso num rabo de cavalo, com
um viço encantador. Tinha saúde, enfim.
-Tentei contatá-lo também, avisar o que se passava, mas você
estava incomunicável. Bem, ao menos está aqui agora. –Jasper, apesar das palavras
delicadas, deixou certa repreensão no ar, captada apenas por Edward.
-O que aconteceu? Ela está bem? –Ainda mantinha os olhos em
Isabella, que parecia ignora-lo enquanto distraia-se acariciando um pequeno
girassol do buque que ganhara. A postura dela, mais indiferente que o normal,
afetou o jovem Cullen de um jeito que ele jamais admitiria ser possível.
-Ela estava com sérios problemas desde que deu entrada nesse
hospital, mas agora está bem. Amanha receberá alta. –Jasper voltou o seu olhar
para Isabella e sorriu. Ela imediatamente deixou de lado a indiferença que a
envolvia e correspondeu aquele gesto. Edward, inconscientemente, apertou ainda
mais as unhas bem feitas na palma de cada mão.
“O que é isso? Por que estou tão aborrecido com uma ninharia
dessas?!” –Repreendeu-se Edward, já conhecedor da resposta. Ele nunca
testemunhou aquelas reações tão doces da pequena Isabella. Também pudera, ele
nunca fez jus aquele comportamento.
-Bom... Fico feliz que esteja praticamente sarada Isabella.
–Queria que ela o olhasse, quem sabe com o mesmo calor com que olhava o médico.
Mas ela apenas assentiu, perscrutando o ambiente com os olhos cor de chocolate,
distraída ou fingindo estar. Ela claramente o ignorava.
-Gostaria de conversar com você Edward na minha sala. –Jasper
virou e encarou Isabella com afeição. Edward estudou cautelosamente aquela
aparente intimidade entre eles. –Eu vou chamar a enfermeira para trazer o seu
almoço e remédios.
-Não pode contrabandear alguma cosia calórica para vir junto com
a sopa como ontem? –Isabella perguntou, implorativa. Jasper riu de sua suplica.
-Milk shake, hambúrguer e fritas como ontem?
-Sim! –Isabella parecia extasiada.
-Ok.
Jasper foi o primeiro a sair, abordando uma enfermeira que
circulava no corredor. Caminhou para o sexto andar onde ficava a sua sala.
Edward o acompanhou em silencio.
Após pedir a secretaria que fizesse um pedido especial na Bobs,
os dois entraram no consultório do médico.
-Não estou interado do que aconteceu. Não tive a oportunidade de
falar com os meus empregados. Diga-me o que aconteceu.
-Isabella esteve com principio de pneumonia, um quadro leve de
desnutrição e desidratação.
-Desnutrição? Desidratação? –O jovem mostrou surpresa, pois
Isabella devia ser uma das jovens americanas que mais tinham condições de se
empanturrar com o bom e o melhor da gastronomia. Jasper parecia estar falando
de outra pessoa. –Ela teve tudo do bom e do melhor desde que ficou sob minha
guarda! –Defendeu-se o rapaz.
-Eu não duvido disso. Mas você é um homem ocupado e
provavelmente não notou que ela pouco se alimentava. Os seus empregados, todavia,
notaram. Conversei com Angela após a internação de Isabella quando esta veio
até aqui trazer alguns pertences da menina e souber como ela estava. Angela
confirmou minhas suspeitas. Isabella pouco se alimentou ou ingeriu líquidos.
Conversei com Isabella sobre isso. Ela me falou que tem sido difícil desde que
deixou a sua cidade e veio tentar a vida na cidade grande.
Ouvindo atentamente o que Jasper dizia, Edward logo percebeu que
a Swan sustentou a farsa de que ela era a sua prima, vindo de uma cidade
interiorana para tentar a vida na cidade. Sentiu alivio pela menina não ter
aberto o jogo com Jasper, pois o que cometia, Edward estava ciente, era crime. Apesar
da confiança que sentia, ele conhecia bem o medico para saber que Jasper
Withlock jamais deixaria a situação como está caso soubesse que Isabella vive
em cárcere privado em sua casa.
-Eu não imaginava que estava sendo tão difícil para ela essa
transição. –Falou com verdadeiro pesar. Rememorando os últimos acontecimentos,
ele tinha uma noção do que poderia ter motivado a Swan a ser tão descuidada com
a sua saúde. Para piorar Angela o havia alertado antes da viagem de sua
condição, mas Edward ignorou o aviso e viajou por sete dias com uma loira
oxigenada de coração vazio.
-Bem, Isabella não parece ser o tipo de pessoa que conversa
abertamente sobre os seus problemas. Desde que ela acordou eu tenho tentando me
aproximar, fazer com que ela diga alguma coisa, mas ela é bem reticente.
-Ela é bem fechada. Eu tenho certa... Dificuldade de comunicação
com ela. –Mexia-se desconfortável. Edward não queria prolongar a conversa.
Queria voltar para casa, comer algo e descansar. E queria que Isabella fosse
com ele, evitando preocupações desnecessárias.
-Ela me parece ser uma boa pessoa, precisando de um pouco de
atenção. Tenho conversado com ela. –Jasper sorria tranquilamente, como se
lembrando de algo bem agradável. A sua postura terna de algum modo incomodou
Edward.
-Então ela está melhor... Poderei busca-la amanha? –Encarou o
Rolex no pulso, fingindo pressa. Jasper analisou o rapaz diante de si e se
apiedou da Swan. Ela estava realmente sozinha, tendo ao lado um primo tão
relapso.
-Sim. Amanha pela manhã. Anotarei para você os remédios que ela
precisará tomar. Recomendo que ela volte para alguns exames de rotina.
Precisamos monitorar a sua saúde. –O médico Caminhou até a mesa, preparando
rapidamente uma receita. Entregou a Edward.
-Obrigado. Falarei rapidamente com ela e amanha pedirei a um dos
meus empregados para busca-la. –Fez menção de sair, mas a mão do medico o
deteve, segurando-o pelo ombro.
-Eu soube que ela está à procura de um emprego então eu estive
pensando... A minha secretária sairá de licença maternidade daqui a duas
semanas. Já que ela não encontrou nada até agora, ela poderia trabalhar para
mim. O que você acha?
As palavras do loiro surpreenderam Edward. Permaneceu parado,
olhando para o médico, por mais tempo do que o necessário. Não sabia como
responder aquelas palavras sem se complicar. Isabella havia inventado uma
mentira, inspirada pela primeira vez em que ela encontrou Jasper. Agora ele
precisava dar prosseguimento a mentira.
-Dependerá de Isabella. Eu falarei com ela sobre isso. Obrigado
pela ajuda. –Saiu da sala indo em direção ao elevador, encaminhando-se
rapidamente para o quarto 503 a fim de ver, novamente, se a menina de fato
estava bem. Ele encontrou ela debruçada sobre uma bandeja branca onde a pouco
devia estar o seu almoço. Mastigava as últimas batatinhas, cortesia do médico.
Ela encarou ele instantes depois da sua entrada, parecendo desconcertada em
tê-lo diante dela sem a companhia de Jasper.
-Eu irei para casa. Cheguei a pouco da minha viagem. Amanha
Benjamin ou Erick virá busca-la. Precisa de alguma coisa? –Deu alguns passos
até estar em pé diante da Swan. Examinou o rosto que parecia de fato mais
saudável.
-Angela veio aqui certo dia e trouxe tudo o que eu poderia
precisar. Obrigada pela oferta. –Ela voltou a olhar com interesse redobrado a
bandeja no seu colo, evitando o olhar de Edward. Isabella não queria voltar a
ter os pensamentos obscuros que a atormentaram antes mesmo de Edward viajar.
Graças ao tratamento e companhia de Jasper, ela havia recuperado um pouco a
saúde e bom humor. Mas a menina bem sabia que a estabilidade sumiria de sua
mente assim que retornasse a sua prisão dourada.
-Tudo bem. –Edward permaneceu por um par de segundos encarando a
Swan. Percebeu então como sentira falta dela nos últimos sete dias em que
esteve fora do país. Intimamente se perguntou como teria sido a viagem, ladeado
por Isabella, ao invés de Tânia? Teria sido prazerosa? Ele não duvidava. Havia
algo em Isabella cheio de vida onde até o ódio que ela sentia era preferível à
frieza receptiva e afável de Tânia. O ódio era, afinal, um sentimento. Então se
lembrou tardiamente da conversa com Jasper e da tensão que sentira ao imaginar
que o médico poderia saber da real situação de Isabella.
-Conversei com Jasper agora a pouco. Ele me disse que você...
–Sua fala foi interrompida por um suspiro alto da menina.
-Antes que diga algo, saiba que eu não contei a verdade a ele.
Quando o doutor Withlock fez perguntas ao meu respeito, inventei uma historia.
Sou uma prima sua que veio de uma cidade interiorana para tentar a vida na
cidade. Como eu não conheço ninguém por aqui e nem tenho onde morar, o meu bom
primo ofereceu ajuda. –Isabella riu com desdém, lembrando-se da dificuldade em
mentir, embora a historia estivesse bem costurada. Ela sempre se julgou uma
péssima mentirosa, uma vez que odiava fazer tal coisa. Felizmente o jovem
Withlock pareceu acreditar.
O alivio de Edward era palpável. E vê-lo parecendo menos tenso
do que estava fez Isabella concluir que ele só tinha ido até lá para saber que
estragos a menina poderia ter feito com a sua boca grande, nada mais.
Ele não estava remotamente preocupado com ela.
-Bom. É melhor não o envolve-lo. Sustente a historia e não dê
mais detalhes caso ele peça ou poderá cair em contradição.
-Eu sei, não sou nenhuma estúpida. –Rebateu a menina com rudeza,
deixando Edward contrariado. Dada a situação física dela, o rapaz preferiu não
discutir.
Era hora de ir, pensou, mas antes precisava esclarecer algo com
Isabella.
-Você e Jasper estão muito próximos. –Os olhos cor de esmeralda
fixaram-se na Swan.
-Apenas um relacionamento entre medico e paciente. –Deu de
ombros a menina, despreocupada.
-Eu sou paciente de Jasper há anos e nunca fui tratado com tanta
atenção. –Rememorando os anos sob os cuidados dele, Edward não se lembrava de
alguma vez Jasper questioná-lo sobre as agressões que marcavam o seu corpo
quando este vinha procurá-lo. Agora com Isabella, Edward achava que uma atenção
desnecessária estava sendo dada e isso o incomodava.
-Você é homem. Não espere o mesmo tratamento. –O aborrecimento
da Swan era palpável agora e Edward se viu pisando em ovos. Não, não era o
momento para causar mal estar a ela. Isabella já havia passado por muita coisa
e, um pouco mais, ela poderia se partir. O Cullen, apesar de tudo, não queria
isso. Levando em consideração tudo o que aconteceu a eles e que o Cullen tinha
participação na doença da menina, ele devia a ela; precisava fazer algo para
acalentar o coração machucado da jovem Swan. Foi surpreendido pelas palavras
dela enquanto o devaneio seguia firme na sua mente instantes atrás.
-Você é um homem ocupado. Imagino o quanto está custando ficar
aqui comigo. Pode ir. Eu não contarei nada para ele. –A dispensa o incomodou o
suficiente para ele crispar os lábios em irritação.
-Você está realmente bem para dizer coisas ásperas com uma
língua tão ferina. Mesmo depois da minha gentileza em vir até aqui saber como
você está... Que seja. Nos vemos amanha. –Bateu ruidosamente a porta, deixando
Isabella estarrecida com a declaração de que ele havia ido até o hospital por
preocupação.
Após ligar para a sua residência, Edward deixou o hospital.
Antes, ele pediu a Ben, que dirigia o veiculo, para que comprasse os remédios
recomendados por Jasper a Isabella. Assim feito, chegou ao seu luxuoso
apartamento na zona de Tribeca, em Manhattan, sendo recebido pelos empregados.
Deixou nas mãos de Angela os cuidados para com a sua bagagem enquanto tomava um
demorado banho. E em todos os minutos entre a visita ao hospital e um descanso
na sua cama, a mente do jovem Cullen se lembrava do rosto bonito e distante que
vira no apartamento de um hospital.
...
CONTINUA...